03 de Maio de 2026

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Inspiração Amazônica - 01/09/2025

Médico Kanhgág compartilha rotina de atendimentos a indígenas na floresta

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Foto: Reprodução/Internet

A gravação de um atendimento médico no território Zo?é, em Óbidos (PA), atingiu mais de duas milhões de visualizações na plataforma Instagram.

Especialista no atendimento médico a Povos Indígenas e Direitos Humanos, Idjarrury Sompré, da etnia Kaingang, contou à CENARIUM que momentos como o registrado em vídeo viralizado nas redes sociais nesta semana dão sentido à sua vida, como indígena que cuida de indígenas. A gravação de um atendimento médico no território Zo’é, em Óbidos (PA), atingiu mais de duas milhões de visualizações na plataforma Instagram.

 

As imagens mostram o socorro a um paciente indígena. Deitado em uma rede, ele tem um acesso venoso no braço e o soro é instalado em um graveto, um pouco mais acima da altura do paciente. O indígena é conduzido pela floresta, dentro da rede segurada por duas pessoas. “O momento é emocionante. Como indígena que cuida de indígenas, pra mim, são momentos que dão sentido à minha vida“, declarou.À reportagem, Idjarrury Sompré também detalhou como são feitos os resgates.

 

“Esses resgates acontecem quando são comunicados via rádio. A equipe, então, se desloca da base indo ao encontro do paciente que está sendo transportado por eles [pelos indígenas]. Nos encontramos, avaliamos e fazemos as medicações necessárias. Depois, seguimos juntos para a base novamente, onde tem sala de estabilização e mais equipamentos de suporte, para casos mais graves“, explicou.

 

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A técnica é comum para os indígenas já que facilita o transporte de pacientes debilitados dentro das matas, com maior mobilidade e rapidez no deslocamento de longas distâncias entre as aldeias e a base de atendimento. O médico destaca que a prática não é um improviso desprovido de técnica ou cuidado. “Todas as adaptações levam em consideração a cultura, a autonomia de decisão do povo indígena sobre a técnica adotada, a saúde do paciente e, mais importante, a técnica correta para que não seja um improviso descuidado e que gere mais danos que cuidado em saúde“, declarou.

 

Ativismo

 

 

Foto: Reprodução/Internet


Médico e ativista pela saúde indígena, Idjarrury Sompré é fundador da Sociedade de Indígenas Médicos do Brasil (Simb) e integra a “Socorristas da Floresta”, uma organização que ensina a salvar vidas na Floresta Amazônica. O grupo, explica ele, é uma cooperação de saberes. “Nós aprendemos juntos, por exemplo, no módulo da capacitação de primeiros socorros, que trata de transporte de vítimas, a adaptar o transporte com a rede (saber indígena) e casos que podem ou não podem ser usados na rede, como suspeitas de trauma de coluna ou fratura de bacia, que precisam ser estabilizadas em prancha rígida reta (saber ocidental)“, explicou.

 

O projeto foi criado para enfrentar um desafio comum nas regiões remotas, ribeirinhas e indígenas da Amazônia: o atendimento médico de urgência que pode demorar muitas horas ou até dias para chegar. O objetivo é capacitar moradores da floresta em técnicas simples e práticas de atendimento inicial, com foco na realidade amazônica.

 
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Entre os saberes trocados incluem-se produzir maca de transporte com madeira da floresta; imobilizações com o que tiver disponível; socorro a pessoas em afogamentos; e cuidados médicos as picadas por cobra. Mais de 200 pessoas que trabalham e vivem em áreas de floresta já foram treinadas no projeto. 

 

Fonte: com informações Cenarium

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