Grande nome do movimento feminista no Brasil, Amelinha fala, em palestra, sobre os ataques aos direitos femininos durante a ditadura militar
A história do Brasil está marcada por períodos sombrios que deixaram cicatrizes profundas em muitas vidas. Entre os episódios mais brutais, destacam-se as torturas praticadas pelo regime militar (1964-1985) contra opositores políticos.
Uma dessas vítimas foi Maria Amélia de Almeida Teles, ex-militante do Partido Comunista do Brasil, professora de educação artística e defensora dos direitos humanos.
Maria Amélia foi presa no dia 28 de dezembro de 1972, em São Paulo, junto com seu marido e seus filhos. O que se seguiu foi um dos relatos mais aterrorizantes da repressão no Brasil.
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Os métodos de tortura: crueldade extrema
Os torturadores começaram arrancando sua roupa à força. O choque elétrico e os socos se tornaram constantes, levando-a ao desmaio. Ao recobrar a consciência, ela se encontrou deitada nua, submetida a abusos de um policial identificado pelo codinome Mangabeira. A impressão que teve foi de que estava sendo estuprada.
A sessão de tortura se intensificou. Ela foi amarrada na cadeira do dragão, onde recebeu choques elétricos no ânus, na vagina, nos seios, na boca e no ouvido. Enquanto isso, agentes militares esfregavam seus corpos nela e se masturbavam.
Além da dor física, havia o suplício psicológico: Maria Amélia e outros presos eram privados de água e, quando recebiam, ela vinha com sal, aumentando ainda mais a sede. No pau de arara, os torturadores jogavam Coca-Cola em seu nariz, impedindo sua respiração. Como um animal abatido, ela era mantida pendurada nua, sendo espetada nos pés e nas nádegas, enquanto os torturadores diziam que aquilo era o “soro da verdade”.
A dor maior: a tortura estendida aos filhos
Entre todas as violências, o golpe mais cruel foi ver seus filhos sendo forçados a presenciar sua degradação. Janaina, sua filha, entrou na sala de tortura e, ao ver os pais ensanguentados, urinados e machucados, perguntou inocentemente:
“Mãe, por que você está azul e o pai verde?” Essa cena resume a perversidade de um sistema que não poupava nem mesmo crianças da brutalidade da repressão.

O relato de Maria Amélia de Almeida Teles é um testemunho crucial sobre as atrocidades cometidas pelo regime militar. Sua história é um alerta para que o Brasil nunca esqueça e jamais repita os erros do passado. A Comissão Nacional da Verdade, criada em 2011, revelou detalhes desses crimes e reforçou a necessidade de preservar a memória histórica. No entanto, décadas depois, ainda há debates sobre o reconhecimento e a punição dos responsáveis.

Maria Amélia foi presa no dia 28 de dezembro de 1972, em São Paulo, junto
com seu marido e seus filhos (Fotos: Reprodução/Google)
A violência institucionalizada, praticada em nome da “segurança nacional”, destruiu lares, interrompeu vidas e marcou gerações. Histórias como a de Maria Amélia Teles são lembranças vivas da resistência e da luta pela democracia no Brasil.
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