Orelha será lembrado como o símbolo de uma luta que não vai parar.
Por Carla Martins- “Não foi só um cachorro. Foi um grito de dor que atravessou o Brasil.” No último domingo, a Orla da Ponta Negra, um dos cartões-postais mais conhecidos de Manaus, foi tomada por algo maior do que um protesto: foi tomada por comoção, revolta e esperança.
Ativistas, protetores independentes, famílias inteiras e dezenas de participantes se reuniram em um ato público em memória de Orelha, o cachorro comunitário que foi brutalmente torturado e morto em Florianópolis. O caso, que gerou indignação nacional, tornou-se símbolo de uma luta antiga: o combate aos maus-tratos e à impunidade. Com cartazes nas mãos, lágrimas nos olhos e vozes firmes, os manifestantes deixaram claro que não aceitariam o silêncio.
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“Justiça pelo Orelha!”, gritavam em coro.

O ato começou de forma pacífica, mas carregado de emoção. Muitos participantes levaram fotos de animais resgatados, velas, mensagens e pedidos que clamavam não apenas por punição, mas por mudança real. A cada fala, a cada abraço entre desconhecidos unidos pela mesma causa, a sensação era de que Manaus também chorava por Orelha. “Orelha poderia ter sido qualquer um. Poderia ser um animal daqui um cão de rua, um companheiro que só queria viver”, disse uma das ativistas presentes, emocionada. A manifestação foi marcada por um sentimento coletivo de luto, mas também de resistência. Para muitos, o protesto foi um lembrete de que a crueldade contra animais não é um problema distante — ela acontece todos os dias, muitas vezes invisível, silenciosa e impune.
Pedidos por leis mais duras e fim da impunidade
Além da homenagem, o protesto reforçou reivindicações urgentes: o endurecimento das penas para crimes de maus-tratos e o debate sobre a maioridade penal em casos de violência extrema. Muitos manifestantes defendem que atos de crueldade não podem ser tratados como “brincadeira” ou “impulso juvenil”, principalmente quando resultam em morte e sofrimento. “Não existe inocência em tortura. Isso é crime. Isso é maldade”, dizia um cartaz erguido por uma jovem participante. A população cobra que o Brasil avance em leis mais rígidas e em punições que realmente impeçam novos casos, porque o sofrimento de um animal indefeso não pode ser relativizado.
A revolta que virou clamor nacional

O caso Orelha ultrapassou fronteiras estaduais e se tornou um marco na luta animal. O que aconteceu em Florianópolis ecoou em capitais como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre e agora Manaus. A mobilização na Ponta Negra mostrou que a causa animal não é pequena — ela é humana. Porque quem é capaz de torturar um animal indefeso também representa um perigo para toda a sociedade. Orelha virou símbolo não apenas de uma tragédia, mas de uma urgência: a de enxergar os animais como vidas que importam, que sentem dor, medo e abandono.
Manaus não esquece Orelha

Fotos: Reprodução
Era mais do que um protesto. Era um pedido coletivo por justiça.
Justiça por Orelha.
Justiça por todos os animais que sofrem escondidos.
Justiça por aqueles que não têm voz.
O domingo terminou, mas a mensagem ficou:
Manaus não esquece.
Orelha será lembrado como o símbolo de uma luta que não vai parar.
Como jornalista e cidadã, acredito que o caso Orelha expõe uma ferida profunda: a banalização da crueldade e a lentidão de respostas firmes diante de crimes que chocam a sociedade.Não se trata apenas de um animal. Trata-se do que estamos nos tornando enquanto humanidade. Um país que não protege os indefesos, que relativiza a violência e que permite a impunidade, abre espaço para que a brutalidade cresça. Manaus foi às ruas porque entendeu que justiça não pode ser seletiva, nem simbólica. Justiça precisa ser real, efetiva e exemplar.
Que Orelha não seja apenas mais um nome em uma manchete.
Que seja o último.
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