Na leitura da jornalista, advogada e ativista do movimento negro no Amazonas, Luciana Santos, a pesquisa, mais uma vez, demonstra um problema histórico, no Brasil, que é reflexo do sistema colonial implantado no País.
Quase metade das mulheres negras sofreram racismo em entrevistas de emprego, é o que aponta uma pesquisa realizada pela plataforma infojobs divulgada neste mês de abril. Segundo o site de empregos, 49,5% das mulheres negras que participaram do levantamento afirmam ter sofrido racismo em processos seletivos e 58,8% declaram ter sofrido preconceito em outras situações, no mercado de trabalho.
Na leitura da jornalista, advogada e ativista do movimento negro no Amazonas, Luciana Santos, a pesquisa, mais uma vez, demonstra um problema histórico, no Brasil, que é reflexo do sistema colonial implantado no País.
“Somos uma sociedade estratificada tendo como base a raça. No caso das mulheres negras isso se agrava, pois temos também o recorte do gênero, e somos um País extremamente machista. Então, quanto mais negra a mulher, mais dificuldade ela vai ter de se inserir no mercado de trabalho formal, porque esse corpo é visto como um corpo subalterno, que deve ser superexplorado, economicamente, e que não serve para ocupar determinados espaços“, considera Luciana.
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A ativista atenta para as diferentes formas de exclusão, disfarçadas em nuances racistas.”Durante muito tempo, o critério ‘boa aparência’ foi utilizado para essa exclusão. Hoje, outros critérios são utilizados, pois o racismo se reinventa para que não haja movimentação nesse sistema de castas criado pelo colonizador e que se perpetua com seus descendentes“. destaca.
Mais dados

O levantamento que ouviu 301 profissionais autodeclaradas pretas mostra que o desemprego é maior entre essa parte da população. Conforme a pesquisa, 71,4% das respondentes não estão empregadas atualmente. O texto mostra também que 83% das participantes que, se comparadas às pessoas brancas, têm chances de desenvolvimento profissionais desiguais.
Outras 59,1% creem que o fator racial interfere antes da candidata conseguir entrar na empresa. Além dessa primeira barreira a ser rompida, Luciana Santos lembra da menor chance de ocupação em altos cargos, nas corporações. “Vale ressaltar, ainda, que quando mulheres negras conseguem furar a bolha e adentrar no mercado de trabalho formal, elas, dificilmente, conseguem chegar a altos cargos, mesmo que possuam um currículo equivalente ou superior ao de pessoas brancas“, detalha.
Gestão em novos moldes

De acordo com dados divulgados no portal Geledés, uma pesquisa realizada pela Consultoria Mais Diversidade e a Revista Você RH mostra que cerca de 70% das empresas brasileiras não possuem um programa de D&I estruturado, com estratégia e planejamento, realizando apenas ações pontuais.
A pesquisa realizada em 2021 também revelou que, à época, apenas 28% tinham uma área específica para o tema. A análise havia sido feita com 293 entidades, nacionais e multinacionais, de 34 países e 23 diferentes setores.
Na leitura da especialista em gestão de pessoas e líderes no mercado de trabalho, Cintia Lima, ainda que a pauta antirracista e temas voltados para a diversidade, equidade e inclusão, seja mais falado, atualmente, nos ambientes de trabalho, a demanda é antiga, é necessário cada vez mais ter apoio e os recursos para criar uma mudança real nas organizações.

Fotos: Reprodução
“Infelizmente, o preconceito e o racismo, em nosso País, é algo estrutural. Campanhas, momentos de sensibilização e explicações no ambiente organizacional são fundamentais, mas ainda também é necessário fazer investigação do que chamamos de viés inconsciente. O selecionador nem se dá conta que sua expressão facial é de julgamento, que sua fala traz um peso do preconceito, que o seu corporal demonstra uma vontade de afastamento”, explica Lima que complementa:
“(…) Então, que tenhamos mais treinamentos e sensibilização e que as pessoas entendam o que há ainda de preconceitos nelas, e isso não só em processo seletivo, mas também em proposta de promoção, com relação às pessoas negras em cargos de gestão e tantas situações que a gente ainda se depara no ambiente organizacional“, salienta a profissional.
Fonte: com informações da Revista Cenarium
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