Grandes animais africanos da espécie, cerca de 120, são remanescentes do zoológico que o traficante montou na Colômbia nos anos 1980 e desequilibram a cadeia alimentar na região. Governo tenta enviar exemplares para México, Índia e Equador
É possível colocar o megatraficante colombiano Pablo Escobar, o rei do pop Michael Jackson e 120 hipopótamos africanos numa mesma frase? Sim. A Fazenda Nápoles, ponto turístico colombiano. É possível visitar a propriedade em que Escobar criou seu zoológico. A placa enferrujada indica área que os hipopótamos não habitam mais; seguem espalhados no rio Magdalena.
Esses grandes animais, que estão sem destino na Colômbia, são descendentes dos quatro hipopótamos que Escobar importou ilegalmente nos anos 1980, quando, ao se tornar um dos homens mais ricos do mundo com o dinheiro do narcotráfico, mandou trazer cerca de 1.200 animais para montar um grande zoológico em parte de suas vastas terras pelo interior colombiano. O projeto, disse ele a amigos, foi uma ideia que teve ao saber que Michael Jackson, então o cantor pop número um do planeta, estava também criando seu parque de animais.
Desde a morte do traficante, abatido a tiros pela polícia colombiana há 30 anos, seus hipopótamos de estimação não param de se reproduzir. Quando foram ilegalmente trazidos à América Latina na década de 1980, os quatro hipopótamos contribuíram para os gastos de aproximadamente US$ 5 milhões dispendidos por Escobar. O colombiano também importou girafas, zebras, elefantes e cangurus, além de outras espécies que somavam 1.200 animais. Transportados por barcos e aviões cargueiros fretados ilegalmente, a fauna exclusiva de “El patrón” foi levada à Fazenda Nápoles, onde ele viveu o auge de sua vida como traficante. Lá, foram construídos um aeroporto e um heliponto para sua frota, além de 27 lagos artificiais.
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O PATRÃO

Pablo Escobar, chamado de “El Patrón”, cativava os pobres do país para obter sua colaboração incondicional.
Após a morte do narcotraficante, em 1993, cercado pela polícia em uma casa na cidade de Medelín, e o asilo político de sua família na Argentina, as centenas de animais foram abandonadas na região da antiga propriedade, que se tornou alvo de disputa judicial entre herdeiros e o governo da Colômbia. Com o passar dos anos, algumas espécies morreram de fome e outras foram vendidas ou doadas. Atualmente, a fazenda foi arrendada por uma empresa privada que a administra e transformou em um parque temático aberto à visitação.

O governo da Colômbia está analisando a possibilidade de enviar para México, Índia e Equador os hipopótamos da antiga propriedade de Pablo Escobar. Esses animais formam o maior rebanho da espécie fora da África hoje, somando aproximadamente 120 animais. Sua presença no ecossistema local, porém, é vista como perigosa por muitos pesquisadores. Nas savanas da África central, seu habitat esses animais são presas de leões que os caçam em bando. Como não convivem com esse tipo de ameaça na América do Sul, os bichos de estimação de Escobar ocupam não apenas a área de 22 km2 da fazenda, como também uma das principais vias navegáveis da Colômbia, o rio Magdalena.

Além do perigo para as pessoas que vivem nessa região e podem ser atacadas pelos agressivos mamíferos, como foi reportado por um agricultor da região em 2020, os demais animais que ali habitam também sofrem as consequências da presença dos invasores, como alteração na acidez da água do Magdalena e deslocamento de peixes-boi que viviam nas águas. Para frear a reprodução dos hipopótamos e buscar novamente o equilíbrio ecológico, em 2021, o governo colombiano esterilizou 24 dos animais por dardos com produtos químicos, que os deixaram inférteis.
A formação desse zoológico particular é um exemplo da ostentação de Escobar, que contava com uma fortuna estimada em 30 bilhões de dólares. Na década de 1980, o Cartel de Medellín faturava 430 milhões de dólares por semana, se colocando no mercado de narcotráfico como o principal fornecedor mundial de cocaína. Nos Estados Unidos, por exemplo, quatro a cada cinco usuários da droga utilizavam produtos do colombiano, num mercado que absorvia 15 toneladas de pó entrando todos os dias no país.

Fotos: Reprodução
Com dinheiro suficiente para aparecer por sete anos consecutivos na lista de maiores bilionários do mundo da revista Forbes, Escobar não era capaz de lavar todas as notas que possuía. Assim, doava uma parte para a população mais pobre da Colômbia, o que lhe rendia popularidade pela construção de hospitais, escolas e espaços de lazer, levando as pessoas que viviam próximas aos seus esconderijos a dar a ele e seus capangas toda a cobertura que precisassem.
Sebastián Marroquín, que tinha 16 anos quando o pai, Pablo Escobar, foi morto, conta que em uma das fugas da família, o criminoso queimou notas para mantê-los aquecidos. Estima-se também que ele perdia 2,1 bilhões de dólares por ano com notas que se estragavam nos esconderijos por conta da umidade ou eram mastigadas por ratos.
O zoológico da Fazenda Nápoles não foi a única propriedade luxuosa construída por Escobar, que está aberta hoje para visitação. No início dos anos 1990, foi aprovada uma lei na Colômbia que permitia a extradição de nativos do país. Analisando o risco, o chefe do Cartel de Medellín negociou com o governo: ele se entregaria se pudesse construir sua própria cadeia. Assim, elaborou, no município de Envigado, a 185 km da Fazenda Nápoles, uma prisão que ficou conhecida como “A Catedral”, com campo de futebol, salões de jogos e academia, onde, enquanto estava preso, organizava festas e comandava seus negócios.
Fonte: Com informações do Portal Istoé
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