18 de Maio de 2026

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manchete - 19/05/2026

MAIS DE 11,3 MILHÕES DE MULHERES CRIAM OS FILHOS SOZINHAS NO BRASIL

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

Dessas mulheres, cerca de 60% são negras, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, onde os desafios econômicos e sociais historicamente já são mais profundos.

Por Maria Santana Souza - A realidade de milhões de brasileiras segue marcada por exaustão, desigualdade e luta diária pela sobrevivência. Em todo o país, mais de 11,3 milhões de mulheres criam os filhos sozinhas, assumindo integralmente responsabilidades emocionais, financeiras e domésticas dentro de casa.

 

Os números revelam uma das faces mais silenciosas da desigualdade social brasileira: a maternidade solo. Segundo dados do FGV IBRE, as mães solo chefiam quase 15% dos lares do país. Dessas mulheres, cerca de 60% são negras, com maior concentração nas regiões Norte e Nordeste, onde os desafios econômicos e sociais historicamente já são mais profundos.

 

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A realidade invisível da maternidade solo

 

  


Mais do que a ausência de um companheiro, o termo “mãe solo” representa uma rotina marcada por múltiplas jornadas. São mulheres que trabalham, educam, cuidam da casa, acompanham a vida escolar dos filhos, administram contas e enfrentam dificuldades emocionais sem qualquer possibilidade de pausa.

 

 

 

Em muitos casos, essas mães vivem sem rede de apoio. O levantamento mostra que 72,4% delas moram apenas com os filhos, sem familiares próximos que possam auxiliar na rotina. Isso significa enfrentar sozinhas doenças, crises emocionais, problemas financeiros e o peso constante de não poder falhar. A sobrecarga ultrapassa o cansaço físico. Especialistas alertam que o acúmulo de responsabilidades afeta diretamente a saúde mental dessas mulheres, aumentando quadros de ansiedade, estresse e esgotamento emocional.

 

Desigualdade também pesa no mercado de trabalho

 

  


A maternidade solo também expõe desigualdades profundas no mercado de trabalho brasileiro. Cerca de 22% dessas mulheres atuam como empregadas domésticas. Entre mães que possuem companheiro, esse índice cai para 11,8%. A diferença de renda também evidencia a desigualdade estrutural. Enquanto mães solo possuem rendimento médio mensal de aproximadamente R$ 2.322, pais que vivem com cônjuge recebem, em média, R$ 3.869. Os dados mostram que a maternidade ainda pesa de forma desigual sobre as mulheres brasileiras. Muitas precisam abrir mão da carreira, interromper estudos, abandonar projetos pessoais e sacrificar o próprio descanso para garantir o básico dentro de casa.

 

A falta de políticas públicas aprofunda a vulnerabilidade

 

  


Especialistas apontam que a ausência de políticas públicas eficazes agrava ainda mais a realidade das mães solo no país. A falta de acesso ampliado a creches, programas permanentes de assistência social, qualificação profissional, segurança alimentar e proteção econômica dificulta a autonomia dessas mulheres. Nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior concentração de mães solo negras e periféricas, os desafios se tornam ainda mais severos. Em muitos municípios, a precariedade dos serviços públicos faz com que mulheres precisem escolher entre trabalhar ou permanecer em casa para cuidar dos filhos. Além disso, a ausência paterna continua sendo um dos fatores mais presentes nesse cenário, transferindo quase integralmente às mulheres a responsabilidade pela criação e manutenção familiar.

 

Quando a sobrevivência é romantizada

 


Em um país onde milhões de mães sustentam famílias inteiras praticamente sozinhas, a romantização da força feminina frequentemente esconde uma realidade dura: ninguém deveria precisar ser forte o tempo todo para sobreviver. A imagem da “mulher guerreira” muitas vezes silencia pedidos de ajuda e normaliza a sobrecarga feminina. Enquanto isso, milhões de brasileiras seguem tentando equilibrar contas, emoções e esperança em meio à insegurança financeira e ao desgaste emocional. O debate sobre maternidade solo vai além das datas comemorativas. Trata-se de discutir desigualdade de gênero, pobreza, racismo estrutural, abandono paterno e responsabilidade coletiva.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google 


O Portal Mulher Amazônica reforça a importância de ampliar a visibilidade sobre a realidade das mães solo brasileiras, especialmente das mulheres amazônicas, negras, periféricas e trabalhadoras, que sustentam famílias inteiras mesmo diante da sobrecarga e da invisibilidade social.
Falar sobre maternidade também é falar sobre direitos, dignidade, proteção social e justiça para milhões de mulheres que mantêm o país funcionando diariamente, mesmo quando o sistema falha com elas.

 
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Maria Sanatana Souza - Jornalista | Empresária e Fundadora do Portal Mulher Amazônica | Especialista em Comunicação para Causas Sociais e Representatividade Feminina na Política

 

Fontes:

FGV IBRE – Instituto Brasileiro de Economia
Brasil de Fato
DW Brasil
 

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