Em artigo que publiquei recentemente, mostrei os números da desigualdade que afetam essas mulheres no Brasil.
Por Maria Santana Souza - É isso mesmo. Mães que cuidam sozinhas dos seus filhos precisam de um olhar diferenciado do Estado para criação de políticas públicas apropriadas à realidade dessas mães. Em artigo que publiquei recentemente, mostrei os números da desigualdade que afetam essas mulheres no Brasil.
A disparidade salarial no mercado de trabalho é chocante. Mães que criam sozinhas seus filhos chegam a ganhar 43,3% menos quando comparados com outros grupos e 20% menos que mulheres mães que possuem cônjuges ou companheiros. A responsabilidade de criar os filhos sozinha obriga a mulher a buscar jornada de trabalho flexível ou trabalho informal, o que aumenta a possibilidade de ganhos menores e ocupações precárias. Isso ocorre em razão da falta de creches públicas, uma obrigação do Estado, e nas empresas de grande porte.
As mães solo sofrem preconceitos no trabalho e mães negras nessa condição são vítimas de duplo preconceito, o de gênero e o racial. As mulheres negras são maioria entre as mães que criam sozinhas seus filhos. Dados do PNAD Contínua de 2022, revelam que entre as mães solo, seis em cada dez (61,5%) se autodeclaravam pretas ou pardas.
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Outro fator chocante, que mostra a necessidade de políticas públicas específicas para esse grupo, se refere ao campo educacional. Mais da metade (55,2%) tem, no máximo, o ensino médio incompleto e apenas 13,7% das mães solo haviam concluído o ensino superior. O percentual é cerca de um terço menor que o registrado entre mulheres sem filhos (22,1%) e também inferior ao das mães com cônjuge.

Essa realidade ajuda a explicar, em parte, a desigualdade salarial que afeta as mães solo. No Amazonas, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), entre 2024 e 2025 houve aumento de mães solo no estado.
De um ano para o outro, o número de nascidos vivos saltou de 65.780 para 67.824 e dentro desse recorte o estado civil das mães foi de 69,9% (que se declararam solteiras) para 72,9%.
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109,3 mil famílias do Amazonas são chefiadas por mães solteiras, conforme dados do Censo Demográfico 2022, o que representa 12,1% do total das famílias amazonenses. Na capital, Manaus concentra 75,1 mil famílias chefiadas por mães solteiras, o que representa 14,2% do total de 527 mil lares existentes no município.
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Essas mulheres, além de criarem filhos sozinhas e chefiarem seus lares, têm que cumprir tarefas que lhe foram impostas pela tradição patriarcal, como resolver problemas do filho na escola, levar ao médico, cuidar da casa, etc, o que acarreta uma sobrecarga de trabalho. Por essas razões, e muitas outras, que candidatos à presidência da república e ao governo do estado precisam apresentar à população e à sociedade programas nos quais as mães solo estejam inseridas e que serão atendidas com políticas específicas, conforme sua realidade.
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Fotos: Reprodução/Google
Esperamos que os candidatos ao governo do Amazonas e aos estados da Amazônia tenham sensibilidade e compromisso social com esse segmento que precisa de um olhar diferenciado.
Maria Sanatana Souza - Jornalista - Empresária e Fundadora do Portal Mulher Amazônica - Especialista em Comunicação para Causas Sociais e Representatividade Feminina na Política
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