Essa realidade é ainda mais violenta para as milhares de mães solo de Manaus, que carregam sozinhas a responsabilidade afetiva e financeira de seus lares.
Por Maria Santa Souza - O debate sobre o fim da escala 6x1 não pode ser tratado como uma mera disputa de planilhas econômicas ou melindres políticos. Para as mulheres mães do Amazonas, essa discussão é um grito de socorro. Manter a jornada de seis dias de trabalho por apenas um de descanso é perpetuar uma engrenagem cruel de exploração que adoece, silencia e destrói o direito à maternidade. Essa realidade é ainda mais violenta para as milhares de mães solo de Manaus, que carregam sozinhas a responsabilidade afetiva e financeira de seus lares. É uma urgência humanitária que exige resposta imediata.
A realidade de quem vive na capital amazonense não permite o luxo da espera. Imagine a rotina massacrante de uma mãe solo que trabalha no comércio ou enfrenta o ritmo frenético do Distrito Industrial. Sem um parceiro para dividir as tarefas ou o sustento, ela acorda na madrugada, enfrenta horas de um transporte público caótico e trabalha sob pressão. Ao retornar para casa no limite das suas forças físicas, não há divisão de apoio. A segunda jornada é totalmente dela: cozinhar, limpar, cuidar dos filhos e gerenciar o lar.
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Para a chefe de família solo, o único dia de "folga" é uma farsa. Não há descanso quando se tem uma semana inteira de roupas acumuladas, uma casa para faxinar e compras para fazer sozinha. A escala 6x1 rouba dessas mulheres o direito de ver os filhos crescerem. Ela condena as mães solo à culpa dilacerante de não estarem presentes e priva as crianças amazonenses do afeto e da supervisão que merecem. Sem redes de apoio públicas eficientes, essas mães são obrigadas a deixar seus filhos sozinhos ou sob cuidados improvisados para não perderem o emprego. Estamos sacrificando o futuro das nossas famílias.
Essa rotina desumana cobra um preço alto: depressão, crises de ansiedade e esgotamento extremo. As mães solo de Manaus estão operando no limite da sobrevivência humana. A aprovação do fim da escala 6x1, sem redução salarial, não é um favor; é reparação histórica.

É devolver o tempo a quem sustenta a sociedade sozinha. Significa garantir que essas chefes de família possam respirar, estudar, cuidar da própria saúde e exercer a maternidade com o mínimo de dignidade e paz de espírito.
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O Portal Mulher Amazônica exige pressa. Não aceitaremos que o cansaço crônico das nossas trabalhadoras seja normalizado para manter lucros. Os legisladores precisam entender que votar a favor do fim da escala 6x1 é salvar as mães solo do Amazonas e seus filhos do colapso físico, mental e social. As chefes de família têm pressa para viver, e a mudança precisa acontecer agora.
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Fotos: Reprodução/Google
Maria Sanatana Souza - Jornalista | Empresária e Fundadora do Portal Mulher Amazônica | Especialista em Comunicação para Causas Sociais e Representatividade Feminina na Política
Fontes:
FGV IBRE – Instituto Brasileiro de Economia
Brasil de Fato
DW Brasil
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