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Política - 12/12/2022

Lula se emociona em discurso após a diplomação: ''O povo reconquistou o direito de viver em democracia''

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Foto: Evaristo Sá/AFP

Em sessão solene no TSE, o petista afirmou que ?poucas vezes em nossa história a democracia esteve tão ameaçada?

Diplomado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para um terceiro mandato, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva chorou ao dizer que, com a sua vitória, o povo reconquistou o direito de viver em democracia e defendeu o cultivo permanente desse valor frente às ameaças enfrentadas no Brasil e em outros lugares do mundo.

 

Lula também lembrou o período de 580 dias que passou preso em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019, por condenações da operação Lava Jato, que depois foram anuladas permitindo que ele se candidatasse novamente à Presidência.

 

“Antes de falar o que está escrito no meu discurso, eu queria dizer… que este não é um diploma do Lula presidente, é um diploma de uma parcela significativa do povo que reconquistou o direito de viver em democracia neste país. Vocês ganharam este diploma”, disse Lula, com a voz embargada.

 

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“Quero pedir desculpas a vocês pela emoção, porque quem passou o que passei nesses último anos e está aqui agora é a certeza de que Deus existe e de que o povo brasileiro é maior do que qualquer pessoa que tentar o arbítrio neste país”.

 

No discurso, o presidente eleito afirmou que poucas vezes na história recente do Brasil a democracia foi tão ameaçada quanto durante o processo eleitoral deste ano, em que o petista derrotou o atual presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro, e destacou a coragem de atuação da cúpula do Judiciário que a defendeu.

 

“Além da sabedoria do povo brasileiro, que escolheu o amor em vez do ódio, a verdade em vez da mentira e a democracia em vez do arbítrio, quero destacar a coragem do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, que enfrentaram toda sorte de ofensas, ameaças e agressões para fazer valer a soberania do voto popular”, disse Lula.

 

“Cumprimento cada ministro e cada ministra do STF e do TSE pela firmeza na defesa da democracia e da lisura do processo eleitoral nesses tempos tão difíceis. A história há de reconhecer sua coerência e fidelidade à Constituição”, ressaltou.

 

 

No início de sua fala, sob aplausos, Lula lembrou que na sua primeira diplomação, em 2002, lembrou da ousadia do povo brasileiro de conceder a ele o diploma de presidente da República a alguém que foi “tantas vezes questionado por não ter diploma universitário”.

 

O presidente eleito disse que a democracia não nasce por geração espontânea e que precisa ser “semeada, cultivada, cuidada com muito carinho por cada um, a cada dia, para que a colheita seja generosa para todos”.

 

Segundo Lula, a disputa eleitoral não foi entre candidatos de partidos distintos, mas entre duas visões de mundo e de governo.

 

“De um lado, o projeto de reconstrução do país, com ampla participação popular. De outro lado, um projeto de destruição do país ancorado no poder econômico e numa indústria de mentiras e calúnias jamais vista ao longo de nossa história”, disse Lula, que foi presidente por dois mandatos de 2003 ao fim de 2010.

 

“Não foram poucas as tentativas de sufocar a voz do povo. Os inimigos da democracia lançaram dúvidas sobre as urnas eletrônicas, cuja confiabilidade é reconhecida em todo o mundo”, criticou.

 

“INIMIGOS DA DEMOCRACIA”

 

Fotos: Reprodução

 

O presidente eleito disse que houve ameaças a instituições, tentativas de criar obstáculos para que eleitores votassem e de compra de votos com falsas promessas e dinheiro farto, desviado do orçamento.

 

Lula afirmou que, ainda assim, a democracia venceu e exaltou a verdadeira frente ampla contra o autoritarismo. Segundo ele, nas semanas que o gabinete de transição escrutina a realidade do país, toma-se conhecimento do “deliberado processo de desmonte das políticas públicas e dos instrumentos de desenvolvimento, levado a cabo por um governo de destruição nacional”.

 

O presidente eleito defendeu uma atuação global para impedir o avanço dos “inimigos da democracia” com manipulações e mentiras nas plataformas digitais.

 

“A máquina de ataques à democracia não tem pátria nem fronteiras”, reclamou.

 
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Para o presidente eleito, democracia é muito mais do que o direito de se manifestar livremente contra a fome, o desemprego, a falta de saúde, educação, segurança, moradia. “Democracia é ter alimentação de qualidade, é ter emprego, saúde, educação, segurança, moradia”, frisou.

 

A solenidade de diplomação de Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin foi bastante concorrida, com autoridades, políticos e personalidades de diversos setores, sob um forte esquema de segurança na capital do país.

 

Fonte: Com informações da Revista istoé/Carta Capital 

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