19 de Abril de 2026

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Política - 17/01/2026

Lula sai na frente do acordo entre Mercosul e UE

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Foto: Reprodução/Google

Presidente se reúne com Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro, e antecipa assinatura do pacto entre blocos

Apesar de o acordo de livre comércio entre Mercosul e a União Europeia ser oficialmente assinado hoje, em Assunção, Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou-se à celebração e assumiu o protagonismo ao receber, ontem, a presidente da Comissão Europeia (CE), Ursula von der Leyen, para uma reunião no Rio de Janeiro.

 

O encontro entre eles, no Palácio do Itamaraty, foi interpretado como uma forma de destacar a preponderância do Brasil nas negociações. Exceto no governo de Jair Bolsonaro, em 25 anos de negociações, os maiores esforços para que o acerto entre os dois blocos saísse foram nas presidências de Lula e de Dilma Rousseff.

 

O encontro com a presidente da CE embute, também, uma insatisfação. O Paraguai, que agora preside o Mercosul, havia convocado para a celebração da assinatura apenas os ministros de Relações Exteriores dos países do bloco, mas mudou os planos na última hora para incluir os presidentes, o que desagradou Lula — que decidiu não comparecer ao evento de hoje. O Brasil será representado pelo chanceler Mauro Vieira, mas os demais chefes de Estado estarão no evento: Santiago Peña (Paraguai), Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e Rodrigo Paz (Bolívia) confirmaram participação.

 

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Lula também faz questão de deixar claro, por conta da reunião com Van der Leyen e a ausência na celebração em Assunção, alguns aspectos. O primeiro é que o Brasil é o grande fiador do acordo, uma vez que países como Argentina (com Milei) e Uruguai (com o ex-presidente Lacalle Pou) em vários momentos demonstraram desinteresse em que Mercosul e UE se acertassem. Outro é que, por causa desse descaso, a assinatura do acordo não foi celebrada na presidência brasileira do Mercosul, encerrada em dezembro do ano passado. A cerimônia chegou a ser convocada para coincidir com a cúpula do bloco, mas foi adiada após novos entraves impostos por países como a França e a Irlanda.

 

A ausência de Lula tem, ainda, outras camadas de protesto em relação aos parceiros que aparecerão na foto oficial que marcará o fechamento do acordo Mercosul-UE. Uma é que foi ele, pessoalmente, que trabalhou junto à primeira-ministra Giorgia Meloni para virar os votos da Itália, que inicialmente apoiava, mas, depois, se colocou contra o acerto. A mudança teve peso decisivo e o voto italiano na UE abriu a porta para que os dois blocos finalmente se entendessem — deixando França e Irlanda isolados.

 

Há, ainda, a insatisfação de Lula com a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e o sequestro do ditador Nicolás Maduro e da mulher dele, Cilia Flores. Enquanto Milei, por exemplo, exultou com a operação militar e o Paraguai concordou com ela timidamente, o Brasil condenou a agressão e deixou claro que trata-se de uma ameaça a todos os países do continente.

 

Multilateralismo

 

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Depois do encontro com Von der Leyen, eles fizeram um pronunciamento conjunto no qual Lula destacou que os benefícios do acerto são uma clara declaração de apoio às relações multilaterais — claro contraponto ao que vem pregando internacionalmente o governo de Donald Trump. "O acordo que será assinado amanhã (hoje) em Assunção, no Paraguai, é bom para o Brasil, é bom para o Mercosul, é bom para a Europa e é muito bom, sobretudo, para o mundo democrático e para o multilateralismo. A UE e o Mercosul compartilham valores como o respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados de respeito aos direitos trabalhistas e a defesa do meio ambiente", frisou.

 

Lula também citou a dificuldade na finalização do acordo. "Foram mais de 25 anos de sofrimento e tentativa de um acordo", enfatizou, destacando que tornou a celebração da conexão comercial entre Mercosul e UE uma prioridade do atual mandato. Disse também que o tratado, nos termos atuais, não prejudica o papel do Estado em áreas como saúde, desenvolvimento industrial, inovação e agricultura familiar, mantendo a autonomia das nações envolvidas, e que haverá mais empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico.

 
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Ele também ressaltou que seu governo não quer que as exportações beneficiadas sejam apenas as do agronegócio. "Não nos limitaremos ao eterno papel de exportador de commodities. Queremos produzir e vender bens industriais de maior valor agregado. O acordo prevê dispositivos que incentivam empresas europeias a ampliarem seus investimentos", observou.

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

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