Em conversa com jornalistas ao final de sua agenda na ONU, presidente reafirma que democracia e soberania brasileiras não estão na mesa e que restabelecer diálogo atende vontade dos dois países
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista coletiva ao final de sua agenda oficial na ONU. O possível encontro oficial com o presidente estadunidense Donald Trump foi um dos principais temas colocados pelos jornalistas.
Lula disse que está, como sempre esteve, disposto a conversar com Trump. Que restabelecer uma relação diplomática e comercial com os Estados Unidos é algo positivo e que corresponde aos anseios da população brasileira e dos Estados Unidos. Lula disse que adiantou a Trump que a conversa entre eles pode e deve ser sem limites, exceto quanto à democracia e à soberania do Brasil.
"Quando tiver eleição nos Estados Unidos, eu não me meto. E quando tiver eleição no Brasil, ele não se mete", disse Lula, fazendo referência indireta ao processo eleitoral brasileiro de 2026. Para Lula, o diálogo que vai ser aberto com Trump deve se pautar pela lógica do "ganha-ganha".
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"No caso do Brasil, a gente não tem que perder, a gente tem que ganhar e também os outros têm que ganhar, porque tem que ser um acordo de ganha-ganha. Essa é a minha disposição e eu espero que seja a disposição dos Estados Unidos também, porque será bom, será bom para a nossa economia, para a nossa indústria, para o nosso comércio, para a nossa agricultura e para a relação das duas democracias mais importantes da América", afirmou.
Apesar da insistência dos jornalistas, Lula não fez previsão de quando será o diálogo. Quanto ao formato, se presencial ou por videoconferência, o presidente afirmou que, assim como a data da conversa, o formato também será decidido pelas equipes dele e de Trump. Lula, no entanto, disse não se importar se o encontro for tête-à-tête. "Não trataremos de segredos de Estado, por mim pode ser público", garantiu.
"Química"

O presidente afirmou que foi apanhado de surpresa pelo encontro com Trump nos bastidores, ao final do discurso que fez na abertura da 80ª Assembleia Geral da ONU, na última terça-feira. Bem humorado, não fugiu ao tom de provocação quando questionado sobre a "química" que teria surgido entre eles, conforme definiu o próprio Trump, quando discursou, depois do brasileiro, na tribuna da ONU.
"Eu fui surpreendido, porque eu já estive ali outras vezes e não encontrei sempre com o presidente [dos Estados Unidos]. E era normal não encontrar com o presidente. Eu já estava saindo, ia pegar as minhas papeletas e ir embora quando o Trump veio para o meu lado, com uma cara muito simpática, muito agradável, sabe? E eu acho que pintou uma química mesmo, eu acho", disse. Após a resposta de Lula, os jornalistas riram.
Questionado ainda se colocará sobre a mesa de negociações a exploração de terras raras e metais críticos, Lula disse que a negociação deve ser na base do "ganha-ganha", e que o Brasil não pode repetir erros do passado quanto a suas riquezas minerais, tornando-se mero exportador. Lula ponderou, no entanto, que não deseja o Brasil "isolado do mundo".
Não é só exportar
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"Nós discutimos com o mundo inteiro as nossas terras raras, nós queremos discutir com o mundo inteiro os nossos minerais críticos, nós queremos que empresas que quiserem explorar vão para o Brasil explorar. O que a gente não quer é permitir que aconteça como aconteceu até agora com os minérios: a gente é só exportador, só exportador, só exportador e não faz o processo de industrialização dentro do Brasil", afirmou Lula.
Segundo o presidente, a criação do Conselho de Política Mineral, ligado à Presidência da República, vai dar garantia técnica ao Brasil para "assumir a responsabilidade pela nossa riqueza". Segundo Lula, essa responsabilidade inclui conhecer profundamente as riquezas que o País tem. Lula pontuou que "o Brasil ainda não conhece 70% do seu território".
A nobre arte da guerra (à fome)

Fotos: Reprodução/Google
Antes de dar início às perguntas dos jornalistas, Lula fez breve exposição, em que disse estar feliz com os resultados de sua agenda na ONU e otimista quanto à possibilidade de que mudanças na geopolítica internacional tenham início. O presidente voltou a dizer que os países deveriam dar prioridade à guerra contra a fome e a pobreza. Neste ponto, aplicou uma máxima que usa com frequência quando fala ao público brasileiro: colocar os pobres no Orçamento é solução.
"Se todos os governantes do mundo colocarem o pobre dentro do orçamento, a gente acaba com a pobreza muito rapidamente, porque além de 670 milhões de pessoas passando fome, segundo a FAO, nós ainda temos 2 bilhões e 300 milhões de seres humanos com insuficiência alimentar. Não é crível uma coisa dessas, num mundo que produz alimento suficiente para todo mundo", disse. "Quando você vê as pessoas gastarem trilhões em armas, trilhões em guerras, a gente não (8:12) tem explicação do comportamento dos humanos em tratar a própria espécie humana", disse ainda.
Fonte: Com informações Agência Gov
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