Presidente diz que quem aderir ao programa ficará impedido de apostar em bet por um ano; petista defendeu fim da escala 6x1
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na quinta-feira, 30, em pronunciamento em rede nacional de televisão e rádio por ocasião do Dia do Trabalhador, em 1º de maio, que o novo programa de renegociação de dívidas do governo será lançado na próxima segunda-feira, 4. O presidente afirmou que o Novo Desenrola Brasil - em referência ao programa criado pelo petista em 2023 -, é um conjunto de medidas para "ajudar a resolver a vida financeira das famílias endividadas". Hoje, o endividamento da população brasileira alcança patamares recorde - o que preocupa o presidente, que tentará a reeleição em outubro.
Lula afirmou que o Novo Desenrola oferecerá descontos de 30% a 90% no valor da dívida ao permitir a troca de dívidas em atraso mais caras por taxas mais baratas, limitadas a 1,99% ao mês. "As trabalhadoras e os trabalhadores poderão negociar dívidas do cartão de crédito, do cheque especial, do rotativo, do crédito pessoal e até do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil). Assim, você vai ter uma parcela bem menor e mais tempo para pagar sua dívida", afirmou o presidente.
Será permitido o uso de até 20% do saldo do FGTS para quitar a dívida, afirmou Lula - conforme já havia antecipado esta semana o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Lula afirmou, porém, que beneficiados do programa ficarão impedidos de apostar em plataformas de apostas. "O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos", disse o presidente.
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Lula ainda procurou creditar ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a entrada das plataformas de aposta online e prometeu "colocar um limite na destruição" dessas empresas. Segundo apurou o Estadão/Broadcast, serão elegíveis para renegociação as dívidas com atraso superior a 91 dias e inferior a dois anos. Somente pessoas que ganham até cinco salários mínimos poderão refinanciar seus débitos dentro das regras da medida. O governo vai usar o Fundo de Garantia de Operações (FGO) para garantir essas renegociações. Será preciso fazer um aporte de até R$ 10 bilhões no fundo para isso, apurou a reportagem.
O discurso do presidente em rede nacional segue a cartilha adotada por Lula neste ano. A principal missão do ministro da Fazenda, Dario Durigan, é encontrar formas de aliviar as dívidas das famílias, visando a popularidade do governo na reta da eleição. Por outro lado, o presidente endureceu o discurso contra as bets e já diz, publicamente, ser favorável a uma proibição total desta atividade.Lula também afirmou que não há sentido em, diante do avanço tecnológico, haver brasileiros que descansem apenas um dia na semana.
"Não faz sentido que, em pleno século 21, com toda a evolução tecnológica, milhões de brasileiros e brasileiras tenham que trabalhar seis dias por semana para descansar apenas um dia. Para as mulheres, a situação é muito mais difícil. Elas chegam cansadas do trabalho e, na maioria das vezes, ainda precisam cuidar da casa e dos filhos", afirmou o presidente no pronunciamento, que deve a duração de sete minutos. O presidente também fez um balanço das ações do governo, como os números positivos da economia e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, mas admitiu que as entregas ainda são poucas "diante das necessidades das famílias". Lula adotou de vez o discurso "antissistema" no pronunciamento. Segundo o presidente, o sistema que seria formado pelo "andar de cima, bilionários e elite que mantém privilégios" joga contra o governo federal. Ele disse ainda que, se dependesse do grupo, a abolição da escravatura, assinada em 1888, não teria entrado em vigor.

Fotos: Reprodução/Google
"Os obstáculos que temos pela frente são enormes. Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil", afirmou o presidente. Ao defender o projeto de lei que acaba com a escala de trabalho 6x1, Lula também declarou que a "turma do andar de cima", da mesma forma que se opõe à redução da jornada de trabalho, também fazia oposição a pautas como a instituição do salário mínimo, das férias remuneradas e do 13º salário.
"Eu sei muito bem que todos os direitos dos trabalhadores foram conquistados com muita luta. A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte", afirmou o presidente. O discurso antissistema foi apoderado pela direita desde ascensão do bolsonarismo que emplaca no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e nos seus seguidores a figura de políticos "antiestablishment". A intenção do governo é utilizar o mesmo mecanismo para angariar apoio, principalmente diante de reveses que vem sofrendo na disputa com o Congresso Nacional.
Fonte: com informações Terra
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