27 de Junho de 2026

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Violência contra Mulher - 05/04/2024

Lucros do trabalho forçado crescem 37% em uma década: exploração sexual de mulheres se torna a prática criminosa mais lucrativa

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Para quem imaginava que a escravidão fosse crime do passado, prática abolida e superada, o último relatório da Organização Internacional do Trabalho traz números estarrecedores: o trabalho forçado gera lucros ilegais de US$ 236 bilhões ao ano, perpetua os

A conclusão do último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que, a cada ano, o trabalho forçado em todo o mundo gera lucros ilegais de US$ 236 bilhões. Equivalente ao PIB da Suécia, esse valor representa um aumento de 37% em relação a 2014. Divulgado em 19 de março passado, o estudo revela que, na última década, os lucros provenientes da exploração de seres humanos cresceram 37%, ou seja, 64 bilhões de dólares a mais a cada ano. O índice representa um aumento significativo, alimentado pelo crescimento do trabalho análogo à condição de escravidão.

 

Em 2014, aliciadores lucravam cerca de US$ 8.270 por cada vítima de trabalho escravo – agora conseguem aumentar os seus lucros para quase US$ 10.000, conforme o relatório Lucros e Pobreza: Aspectos Econômicos do Trabalho Forçado (OIT).

 

Os lucros ilegais anuais provenientes do trabalho forçado são mais elevados na Europa e na Ásia Central (US$ 84 bilhões), seguidos pela Ásia e Pacífico (US$ 62 bilhões), pelas Américas (US$ 52 bilhões), pela África (US$ 20 bilhões) e pelos Estados Árabes (US$ 18 bilhões). Quando expressos por vítima, os lucros ilegais anuais são mais elevados na Europa e na Ásia Central, seguidos pelos Estados Árabes, Américas, África, Ásia e Pacífico.

 

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A exploração sexual forçada, envolvendo crianças, adolescentes e mulheres, é a atividade ilegal que gera os maiores lucros para os exploradores: US$ 27.252 em lucro por vítima, representando mais de dois terços (73%) da economia ilícita. É seguida pelo trabalho forçado na indústria (US$ 35 bilhões), serviços (US$ 20,8 bilhões), agricultura (US$ 5 bilhões) e trabalho doméstico (US$ 2,6 bilhões).

 

Esses lucros ilegais são os salários que, por direito, pertencem aos trabalhadores e às trabalhadoras, mas que ficam nas mãos dos seus exploradores, como resultado das suas práticas de exploração. O trabalho forçado perpetua os ciclos de pobreza e a exploração e atinge o cerne da dignidade humana.

 

O relatório destaca que os lucros dos aliciadores, obtidos por meio da exploração sexual, contrastam com as receitas limitadas obtidas pelas vítimas, que recebem muito pouco ou praticamente nada. Em geral o pagamento é negado às vítimas porque devem liquidar uma dívida com o seu traficante, supostamente contraída em decorrência de terem sido objeto do tráfico de pessoas, como esclarece o estudo. As vítimas se submetem a um regime de servidão por dívidas, tem sua mobilidade reduzida e ficam confinadas em locais inóspitos.

 

 

O fato de a exploração sexual comercial ser considerada uma atividade ilegal, em alguns países, significa que as vítimas teriam pouco ou nenhum acesso à justiça, ainda como alerta o relatório.

 

A Organização Internacional do Trabalho aponta múltiplas formas de coerção que obrigam as vítimas a trabalhar em condições de escravidão. A primeira delas é a retenção sistemática e deliberada de salários, que atinge 36% de quem sofre esse tipo de agravo, seguida pelo abuso da vulnerabilidade por meio da ameaça de demissão, sofrido por uma em cada cinco vítimas.

 

Fotos: Reprodução Google

 

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O trabalho escravo não apenas perpetua a desigualdade e a exploração, mas também viola os direitos fundamentais e a dignidade humana. A cooperação internacional é crucial para implementar medidas eficazes e acabar com essa injustiça. O governo brasileiro precisa agir rápido e com muito vigor no enfrentamento desse tipo de prática criminosa, especialmente assegurando proteção integral às crianças, adolescentes e mulheres.

 

Fonte: com informações da Revista IstoÉ 

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