11 de Maio de 2026

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Mulher na Política - 11/05/2026

Livro analisa o silenciamento da voz feminina e destaca Dilma Rousseff como símbolo

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Foto: Reprodução

Ao longo dos séculos, a presença e a fala das mulheres foram sistematicamente invisibilizadas ? seja no espaço doméstico, nos campos de batalha ou nos ambientes de poder. É a partir dessa constatação que surge o livro A fala feminina: silenciamentos ...

Ao longo dos séculos, a presença e a fala das mulheres foram sistematicamente invisibilizadas — seja no espaço doméstico, nos campos de batalha ou nos ambientes de poder. É a partir dessa constatação que surge o livro A fala feminina: silenciamentos e resistências, escrito pela professora e doutora Amanda Braga (UFPB), em parceria com o professor Carlos Piovezani (UFSCar) e com introdução da deputada Erika Hilton.

 

A obra investiga os diversos mecanismos de silenciamento impostos às mulheres, desde a Antiguidade até os dias atuais, traçando um panorama histórico da luta feminina por voz, espaço e reconhecimento. Com base em fontes históricas, literárias e sociopolíticas, os autores examinam como o patriarcado construiu estruturas para calar as mulheres — e como, ao longo dos séculos, elas responderam com resistência, criatividade e estratégia.

 

Um dos exemplos analisados no livro é o da personagem Penélope, da Odisseia de Homero. Conhecemos o enredo: Ulisses está voltando da guerra de Troia, enquanto Penélope, sua esposa, permanece à espera, lidando com inúmeros pretendentes que desejam ocupar o lugar de seu marido.

 

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Certo dia, Penélope deixa a parte mais reservada da casa e dirige-se ao pátio externo, onde os pretendentes estavam reunidos. Ao iniciar sua fala, é prontamente interrompida por seu filho, Telêmaco, que diz: “Agora volta para os teus aposentos e presta atenção aos teus lavores, ao tear e à roca; e ordena às tuas servas que façam os seus trabalhos. Pois falar é aos homens que compete, a mim sobretudo: sou eu quem manda nesta casa.” A cena explicita a dominação masculina que, já na Antiguidade, interditava a fala feminina, sustentando que somente aos homens caberia o direito de se expressar publicamente.

 

Dilma Rousseff: um paralelo contemporâneo

 

 

A obra também traça paralelos entre figuras antigas e contemporâneas que enfrentaram — e ainda enfrentam — múltiplas formas de silenciamento e apagamento simbólico. São exemplos atuais apresentados no livro nomes como Manuela D’Ávila, Sâmia Bomfim e Marielle Franco. Entre os casos mais emblemáticos está o de Dilma Rousseff. Ex-militante contra a ditadura militar, primeira mulher a presidir o Brasil e atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos BRICS), Dilma foi alvo de uma intensa campanha de deslegitimação. Seus pronunciamentos foram distorcidos, sua competência foi constantemente questionada e sua imagem, ridicularizada — num processo de ataque marcado por misoginia, conservadorismo e interesses políticos.

 

O livro mostra como, assim como Penélope, Dilma Rousseff teve sua voz desvalorizada. Mas, nos dias de hoje, a ex-presidenta expressa sua resistência na permanência: sobreviveu à tortura, enfrentou crises institucionais e continua ocupando posições de destaque no cenário político internacional.

 

O apagamento do trabalho feminino: um paralelo atual

 


Fora do escopo direto da obra — mas em sintonia com seu tema central — há um paralelo importante: o apagamento histórico do trabalho feminino. Ainda hoje, discursos promovidos por movimentos como o redpill tentam reescrever a história, afirmando que o trabalho da mulher seria uma “conquista recente” ou uma concessão do feminismo. Essa visão ignora o fato histórico de que as mulheres sempre trabalharam, dentro e fora de casa. Além disso, esse revisionismo desconsidera o chamado trabalho invisível — cuidados com a casa, filhos, idosos e doentes — que sustentam a vida em sociedade, mas raramente são reconhecidos ou valorizados. O capitalismo, aliado ao machismo, perpetua a exploração feminina ao sobrecarregá-la com jornadas duplas e salários desiguais, ao mesmo tempo em que romantiza o papel da “mulher do lar”.

 
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Vozes que resistem

 

Dilma Rousseff, primeira presidente mulher do país(Fotos: Reprodução)


“A fala feminina: silenciamentos e resistências” é uma contribuição essencial para os estudos de gênero, literatura, política e história. Ao revisitar trajetórias femininas — reais e simbólicas —, o livro convida à escuta atenta das vozes que foram, por séculos, deslegitimadas, interrompidas ou ignoradas. Mais do que relatar silenciamentos, a obra celebra as estratégias de resistência feminina ao longo do tempo. E, ao fazer isso, contribui para que essas vozes não apenas sejam ouvidas, mas também lembradas, respeitadas e definitivamente registradas na história. 

 

Fonte: com informações Forum

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