Karen Jonz nasceu em Santos em 29 de setembro de 1983, sendo criada em Santo André
Quando Karen Jonz viralizou na internet por seus comentários durante a transmissão do skate feminino nas Olimpíadas, ela já possuía uma carreira consolidada no skate, sendo tetracampeã mundial. Apesar de ser citada por um jornalista como esposa de Lucas Silveira, possuía o título de primeira mulher brasileira medalhista no X-Games. Para além do skate, Karen é mãe da Sky, cantora, youtuber e artista:
Karen Jonz nasceu em Santos em 29 de setembro de 1983, sendo criada em Santo André, cidade conhecida pela grande popularização do skate no interior de São Paulo. O envolvimento dela com a modalidade começou aos 17 anos, quando decidiu vender bolo na escola para conseguir comprar um shape.
No começo da carreira, Karen competiu com homens devido a ainda inexistente presença de mulheres em um esporte predominantemente masculino. Ela chegou a contar em entrevistas que em muitas vezes não havia banheiro feminino para ela utilizar. Essa masculinização do esporte também fez parte da vida da skatista, que sentia essa “necessidade” de utilizar as vestimentas mais largas, se portar como os parceiros de pista e até reproduzir as falas machistas que eles tinham, como “ela anda tão bem, nem parece que é mulher”.
Veja também

Kamala Harris, a vice favorita a assumir a candidatura democrata após desistência de Biden
Adélia Prado é homenageada com o Prêmio Machado de Assis em evento na ABL
.jpeg)
Essa necessidade de ser sempre a melhor, de ter ótimos resultados, é um padrão muito comum em ambientes em que se prevalece a presença masculina. Essa pressão, autoimposta, pode ter resultados muito negativos na vida das mulheres. Jonz já relatou ter sofrido de depressão e síndrome do pânico, devido a esse período da carreira em que reprimiu a sua feminilidade e diversas outras características para se encaixar naquele meio.
Carreira e competições
(271).jpeg)
Karen Jonz optou, ou melhor, se encontrou na modalidade vertical do skate. O skate vert é praticado em uma pista vertical e em formato de U. Competindo desde o começo da década de 2000, ela atingiu seu primeiro grande feito em 2005 ao ser vice-campeã mundial na categoria vertical feminina. No ano seguinte, tornou-se a primeira brasileira a ser campeã mundial no skate e ainda ganhou o bronze nos X-Games em Los Angeles.
Em 2007, muda-se para os Estados Unidos em busca de melhorar seus treinos e atinge a quarta colocação nos X-Games. Conquista um título inédito na carreira: campeã europeia. O ano seguinte elevaria ainda mais seu patamar no esporte ao consagrar-se bicampeã mundial. Ela ainda voltaria a ser a melhor do skate mundial em 2013 e 2014. Também foi medalha de ouro em 2008, prata em 2009 e bronze em 2010 nos X-Games. Foi campeã brasileira em duas categorias em 2012: vertical e bowl.
(219).jpeg)
Após dar uma pausa na carreira para cuidar da filha, Sky, Karen voltou a competir em 2019 e tentou ficar entre as três melhores brasileiras na categoria skate park, visto que o vert não entrou para a categoria olímpica. Para conseguir uma vaga nos Jogos Olímpios, é necessário estar na lista dos três melhores skatistas de seu país. Aos 33 anos, ela chegou a tentar, mas preferiu desistir. A mulher mais velha a disputar o skate em Tóquio foi a norte-americana Alexis Sablone, aos 34 anos.
Foi convidada pelo grupo Globo para ser comentarista da estreia do skate, em especial o feminino, nos Jogos Olímpicos. Ao lado do narrador Sergio Arenillas e o skatista Rony Gomes, ela viralizou na internet por seus comentários divertidos e espontâneos. Em uma das manobras, uma skatista acaba batendo as partes íntimas e Karen comenta divertidamente que ela “xerecou”. Além das falas engraçadas, ela relembrou como era ainda mais difícil para as mulheres e como a falta de visibilidade do esporte continua até hoje.
Artista
Para além das pistas, Karen Jonz também é cantora, musicista, produtora e youtuber. Ela começou a postar vídeos em sua conta em 2014, ensinando como fazer manobras, como limpar o shape e até sobre o seu dia a dia nos Estados Unidos. Com o nascimento de sua filha Sky, os vídeos passaram a relatar a rotina da família, a conciliação do skate com a maternidade, até as composições dela como cantora.
Após se tornar a primeira brasileira campeã mundial de skate, comprou um computador e aprendeu a gravar e produzir. Em 2020, ela lançou seu trabalho solo com o mixtape “O Pequeno Excesso”. Ao lado do marido e músico, Lucas Silveira, Karen produziu seu primeiro álbum em 2022, chamado “Papel de Carta”. Com participações especiais de Gab Ferreira e XAN, as faixas apresentam letras pesadas, melodias cuidadosas e faixas leves, mostrando as multifaces de Jonz.
Maternidade, música e manobras
Fotos: Reprodução/Google
O nascimento de Sky mudou muito a rotina e como Karen via o mundo. Após a filha nascer, a skatista imaginava que em poucos meses voltaria a andar e a bebê a acompanharia. Mas, como nem tudo saiu como o planejado, o pós-parto foi difícil e a volta às pistas foi sendo adiada. Quando conseguiu retornar, ela passou a ser constantemente questionada sobre sua capacidade, se “daria conta” após ter sido mãe e ainda por conta da idade. Para ela, parar nunca foi uma opção: “Se eu parasse de andar ia ser uma opção minha, não porque fui mãe ou por causa da idade. A pessoa pode ser mãe, ser atleta e ganhar. Parem de duvidar”, contou ao Yahoo.
Durante uma das transmissões em que foi comentarista, o narrador Sergio Arenillas comentou que se fala pouco sobre paternidade e esporte, comparado a maternidade. Karen, por sua vez, explicou que uma das razões pode ser que os pais deixam os filhos em casa sob os cuidados das mães. De forma simples, a skatista traz mensagens que falam muito: não é por que uma atleta foi mãe, que sua carreira acabou.
Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.
Não é necessário um debate sobre paternidade no esporte, pois a maioria dos atletas homens que se tornam pais, não deixam a carreira de lado. Não deve existir uma diferença entre os papéis, pois os dois são responsáveis pelos filhos. A equidade de gênero no esporte deve abranger o discurso de maternidade e paternidade.
Fonte: com informações do Portal M de Mulher
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.