03 de Maio de 2026

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Diversidade - 19/08/2025

Justiça do Rio condena influenciadoras a 12 anos de prisão por injúria racial contra crianças negras

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Foto: Reprodução/Google/Montagem Portal Mulher Amazonica

A gravação gerou forte repúdio nas redes sociais, sendo denunciada como manifestação explícita de racismo.

A Justiça do Rio de Janeiro condenou, nesta terça-feira, 19, as influenciadoras digitais Nancy Gonçalves Cunha Ferreira e Kerollen Vitória Cunha Ferreira, mãe e filha, a 12 anos de prisão em regime fechado por crime de injúria racial. A sentença foi proferida pela juíza Simone de Faria Ferraz, da 1ª Vara Criminal de São Gonçalo, que também determinou o pagamento de R$ 20 mil de indenização para cada vítima.

 

O caso ganhou repercussão nacional em 2023, quando um vídeo gravado em São Gonçalo mostrou as influenciadoras oferecendo uma banana e um macaco de pelúcia a duas crianças negras, de 9 e 10 anos, sob a justificativa de se tratar de uma “trend” do TikTok. A gravação gerou forte repúdio nas redes sociais, sendo denunciada como manifestação explícita de racismo.

 

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A Dimensão do preconceito

“Racismo recreativo” e monetização da dor

 

 

Na decisão, a magistrada destacou que as rés recorreram a estereótipos racistas históricos, ao associar crianças negras a macacos e bananas, prática que reforça a chamada “animalização”. Para a juíza, o vídeo não apenas ofendeu a dignidade das vítimas, mas também buscou engajamento digital às custas do sofrimento alheio.

 

“O caso configura racismo recreativo. Houve exploração do preconceito em busca de aplausos, visualizações e sucesso na internet. Trata-se de uma monetização da dor”, afirmou a juíza. Além da pena e da indenização, as duas estão proibidas de repetir conteúdos semelhantes ou de manter qualquer contato com as vítimas. Apesar da condenação, poderão recorrer em liberdade.
Impactos nas vítimas

 

Segundo relatos apresentados no processo, o menino vítima da injúria abandonou o sonho de se tornar jogador de futebol após a exposição humilhante. Já a menina relatou isolamento social e precisou de acompanhamento psicológico. As famílias classificaram a decisão como um marco no combate ao racismo estrutural no Brasil.

 

Defesa alegou “falta de intenção”

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Durante o julgamento, a defesa de Nancy e Kerollen alegou que não houve intenção de ofender, sustentando que as duas apenas reproduziram uma “brincadeira” comum nas redes sociais. O argumento, no entanto, foi rejeitado pela magistrada, que destacou a impossibilidade de alegar ignorância sobre o racismo em um contexto social de ampla informação.

 
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A condenação foi celebrada por entidades de direitos humanos e movimentos negros, que enxergam na decisão uma resposta firme do Judiciário às práticas de racismo mascaradas como entretenimento. Especialistas ressaltam que a sentença reforça a jurisprudência sobre injúria racial como crime de racismo, imprescritível e inafiançável.

 

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