José Aldo com a bandeira rubro-negra no meio da torcida no UFC Rio 2, em 2012
José Aldo não foi o melhor lutador de todos os tempos. Não foi o melhor lutador brasileiro de todos os tempos. Atualmente, já não é mais unanimidade nem como o melhor peso-pena de todos os tempos. Mas sua segunda aposentadoria do MMA, anunciada no último sábado após sua luta contra Aiemann Zahabi no UFC 315, significa a despedida do lutador que mais se identificou com o povo brasileiro no octógono.
José Aldo é uma história tipicamente brasileira. Um garoto que saiu do Norte do país na adolescência e migrou para o Sudeste em busca de um sonho, dormiu no serviço para poder se manter. Enfrentou condições adversas, oponentes maiores, mas não parou de andar para frente nunca. E, quando chegou no topo, continuou sendo o mesmo menino simples, que você pode encontrar na arquibancada do Maracanã torcendo pelo time do coração e que não vai te negar uma foto e cinco minutos de resenha.
José Aldo tornou acessível o sonho de ser lutador. Atletas de origem humilde não são novidade pra ninguém, muito menos no MMA. Anderson Silva tem origem pobre, Wanderlei Silva não foi um menino rico, muito menos Junior Cigano. Mas ainda assim, havia algo de inalcançável neles; Wand passava uma imagem de um matador impiedoso, por mais que, fora do ringue, fosse o completo oposto; Cigano é gente boníssima, mas é difícil se identificar com um cara que pesa quase 120kg; e o Spider, por mais que fizesse graça, era quase uma entidade mitológica.
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Foto: André Durão/ge
José Aldo, porém, não era só um menino pobre e nortista; era "gente como a gente". Um cara baixinho, magrinho, que ninguém dava nada quando o via. Não foram poucas as vezes que ouvi alguém dizer, ao vê-lo em pessoa pela primeira vez: "Esse aí que é o lutador brabo?" Pois aquele pedaço de gente era capaz de nocautes devastadores à la Anderson Silva, ao ponto de ser chamado de "Spider dos penas". E isso aproximava o brasileiro médio, que tem um biotipo mais próximo ao de Aldo do que ao de outros grandes ídolos do MMA brasileiro. Além da simplicidade típica dele. Como não se emocionar com a história de quando enviou para a mãe uma carta com um punhado de areia da praia para provar que chegou ao Rio de Janeiro? Ou não rir junto com ele quando se sentia tão estranho provando um terno pela primeira vez, antes de receber o cinturão do UFC?
José Aldo podia ser pequeno em estatura e peso, mas como dizia o título de sua cinebiografia, é "Maior que o Mundo". O filme difundiu ainda mais sua história pelos quatro cantos do país. Hoje, é muito comum ouvir jovens lutadores dizendo que decidiram seguir a carreira após verem o longa metragem e se identificarem com sua história. São provavelmente centenas, possivelmente milhares, de garotos e garotas que entenderam ali que era possível alcançar seus sonhos com perseverança, mesmo que tivessem que passar por provações.
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José Aldo, se esta tiver sido realmente sua última luta profissional de MMA (a gente nunca sabe neste esporte, e você mesmo já se aposentou uma vez e voltou), foi um prazer acompanhar sua trajetória e ajudar a relatar boa parte dela. Que você possa seguir sua vida com muito orgulho de tudo o que fez dentro deste esporte, e que possa aproveitar os frutos de uma carreira inspiradora. Uma carreira que fez o brasileiro se sentir Maior que o Mundo também.
Fonte: Com informações do Portal GE
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