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Elas nos inspiram - 21/11/2023

Jhenyffer Coutinho: Empreendedora premiada insere duas mulheres por dia no mercado

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Foto: Reprodução/Google

Jhenyffer Coutinho, criadora da startup Se Candidate, Mulher, capacita e ajuda a empregar talentos femininos

A administradora Jhenyffer Coutinho sonhava em fazer carreira em uma startup ou em uma grande empresa, mas nunca cumpria todos os requisitos das vagas de emprego e por isso não se candidatava. Era o exemplo do que mostram as pesquisas: as mulheres só se candidatam quando preenchem 100% dos pré-requisitos das vagas, enquanto os homens já se aplicam com 60%.

 

No caso da mineira, natural de Viçosa, faltava o inglês fluente, que ela foi buscar em um intercâmbio nos Estados Unidos. “Eu até poderia me candidatar, mas olha o que fiz para ir atrás do que me faltava. Não quero que as mulheres tenham que passar por isso.”

 

Ela fez da sua história uma empresa e, em 2020, recebeu o prêmio de melhor startup de impacto do Startup Awards, o “Oscar das startups”, com a Se Candidate, Mulher, que capacita mulheres e oferece sua base de talentos para as empresas. Agora, com quase 40 empresas parceiras – como Accenture, Volvo e Ambev – e cerca de 10 mil mulheres na plataforma educacional, captou R$ 1,2 milhão de investimento e recebeu o prêmio pela terceira vez. “Na 1ª vez, éramos uma aposta; na 2ª, um acontecimento. Agora somos realidade.”

 

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Foi nos EUA, depois de se assustar com o número de brasileiras que estavam desempregadas no início da pandemia – 6,5 milhões –, que ela começou a colocar de pé a startup. “Foi um estalo. Alguém tinha que fazer algo sobre isso”, diz. E o que nasceu como uma newsletter para dividir conteúdo e incentivar as mulheres é hoje uma plataforma que capacita e ajuda a inserir talentos femininos no mercado de trabalho.

 

No ano passado, a Se Candidate, Mulher inseria ou recolocava pelo menos uma mulher no mercado a cada dois dias. Hoje, são, no mínimo, duas por dia. “Já chegamos ao equivalente a 45 salas de aulas lotadas de mulheres promovidas e recolocadas.”

 

Coutinho costuma dizer que é fruto de várias histórias erradas que deram certo. Desde pequena, ouvia que teria um destino semelhante ao de sua mãe, que engravidou aos 13 anos e largou os estudos. Mas a empreendedora transformou o descrédito em combustível para cursar uma boa faculdade, ser a melhor da sua sala e viver uma realidade diferente. “Meu sonho era um salário de R$ 3 mil e vale-refeição.”

 

 

Ela estudou administração na UFV (Universidade Federal de Viçosa), trabalhou com empreendedorismo no Sebrae e assumiu as áreas financeira e de pessoas na ABStartups (Associação Brasileira de Startups), de onde se demitiu mais tarde antes de ir para os Estados Unidos. “Pedi demissão e disse que estava indo estudar inglês. O que pouca gente sabia é que eu estava indo ser babá para pagar meus estudos.”

 

Empreender, que muitas vezes é sinônimo de instabilidade financeira, não era uma opção. Mas o negócio acabou caindo no seu colo. “Em um mês, tinha 15 mil mulheres inscritas na newsletter”, lembra. O crescimento foi orgânico, apenas com divulgação no Instagram e LinkedIn. “Eu vinha do mundo de startups e percebi que tinha uma oportunidade de negócio ali.”

 

Coutinho criou uma comunidade sólida. As mulheres pediam para fazer grupos no WhatsApp, queriam dicas de currículo, aulas sobre LinkedIn. “Eu fui ouvindo o que o cliente estava querendo, mas não ia mais fazer de graça”, diz, e começou a testar diferentes modelos em que as mulheres pagavam pelos conteúdos.

 

 

Em paralelo, sua caixa de email estava lotada de grandes empresas, nomes como Coca-Cola, Sympla, Itaú, que queriam ter acesso a essas mulheres capacitadas por ela. “O grupo Movile, detentor de sete grandes startups, como o iFood, abriu as portas para a gente validar o B2B lá.” No final do ano, tinha um produto B2C e um B2B validados. “Conseguia atender mil mulheres e tinha um produto B2B com ticket médio de R$ 20 mil.”

 

A empreendedora voltou ao Brasil em janeiro de 2021. “As pessoas do ecossistema de startups falavam ‘se você fez tudo isso part time, imagina quando você se dedicar 100% a esse negócio’”, lembra. Então, com R$ 9 mil reais em caixa, 3 vezes mais do que tinha para se sustentar em São Paulo antes do intercâmbio, Coutinho começou a desenvolver a primeira versão da plataforma para começar a formar um time. “Eu tinha três meses para fazer a Se Candidate acontecer.”

 

A Se Candidate, Mulher é dividida em uma parte educacional, a SCM Academy, com cursos de capacitação, e a base de talentos – formada pelas mulheres que finalizaram os conteúdos educacionais. Elas podem comprar o acesso ao curso e as empresas podem adquirir um combo de acessos para oferecer a suas candidatas e ter acesso à base. “99% das vagas dos nossos clientes são preenchidas em 15 dias, enquanto o mercado fecha uma vaga em três meses.”

 

O jogo dos investimentos para mulheres

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Isso sem contar o investimento, que entrou em outubro deste ano. O aporte de R$ 1,2 milhão foi feito pelo pool Ladies do grupo Bossanova, por investidoras-anjo do Sororitê, criado para financiar negócios de mulheres, e investidores independentes. “60% da minha rodada foi feita por mulheres.”

 

Mas ela também lembra que o capital ainda está muito concentrado nas mãos dos homens. “No começo, achei que ia convencer as pessoas com o papo do impacto social. Mas depois entendi o jogo e estava disposta a entrar nele”, diz Jhenyffer, que criou estratégias para se dar bem nesse espaço, como ir a pitches acompanhada de colegas homens.

 
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Além desse aporte, a Se Candidate, Mulher venceu uma premiação de R$ 100 mil para ser acelerada pelo governo do Espírito Santo. Os investimentos serão usados para continuar desenvolvendo o negócio.

 

A startup agora terá módulo de liderança, muito solicitado pelas empresas, vai investir em tecnologia e quer ampliar o número de clientes B2B e fornecer mais capacitações gratuitas para as mulheres. Em janeiro, a base de talentos que sobram e não são contratados pelas empresas também estará aberta na plataforma. “A gente vai investir bastante em tecnologia para escalar o negócio e trazer mais mulheres.”

 

Fonte: com informações do Portal Forbes

 

 

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