Primeira-dama Rosângela Lula da Silva vem ganhando notoriedade no governo Lula. Janja se classifica como "articuladora" política do governo
Rosângela Lula da Silva, 57 anos, vem ganhando cada vez mais destaque no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conhecida como Janja, a primeira-dama do Brasil — que também é socióloga — se tornou o termo mais citado por Lula nos 29 discursos oficiais que fez neste ano.
A contagem foi baseada em dados estudados no aplicativo Pinpoint — um serviço Google que auxilia na análise de documentos. Ao registrar 29 pronunciamentos oficiais do presidente da República em 2024 na plataforma, foi identificado que o nome “Janja” é citado 10 vezes.
O segundo nome mais dito por Lula foi o da ex-presidente e atual gestora do Banco dos Brics, Dilma Rousseff. A petista foi citada por Lula sete vezes em discursos oficiais deste ano.
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Relevância de Janja
Na Constituição Federal, o título de primeira-dama não possui representação legal. Mesmo assim, na política, a participação de Janja no governo Lula vai além da presença do seu nome nos discursos do presidente. Ela própria disse, em entrevista à BBC, assumir um papel de “articuladora” do governo e que seu marido — o presidente do Brasil — lhe dá “total autonomia” para exercer essa função.
“O meu (papel) é o papel de articulador, de quem fala sobre políticas públicas. Podemos estar em espaços diferentes e conversar com públicos diferentes quando necessário”, disse Janja.No dia a dia da política, mesmo sem ter um cargo formal, Janja recebe movimentos políticos para discutir política. No final de março, ela se encontrou com deputadas e senadoras da Bancada Feminina no Congresso para discutir a participação das mulheres na vida pública.Liderança política
O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Mackenzie, interpretou que o fato de Janja ser o nome mais falado nos discursos oficiais do presidente Lula aponta para uma presença dela como cabo eleitoral do PT nas eleições municipais de outubro deste ano.
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“Lula é quem manda no PT. Então, se o presidente cita o nome de Janja em seus discursos, pode ser um sinal de que ela pode atuar ao lado dele em campanhas do partido para as eleições municipais”, sugere o professor. Nos pleitos deste ano, paira sobre o PT o efeito da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) e os movimentos políticos dela no grupo feminino do seu partido, o PL Mulher.
Nesse sentido, ainda de acordo com o cientista político, os movimentos de Rosângela Lula da Silva tanto em receber lideranças femininas e de se posicionar publicamente sobre temas considerados polêmicos têm um significado eleitoral.
Presença nas redes sociais
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Disputas eleitorais também podem ser o viés de interpretação sobre o engajamento das duas nas redes sociais. De acordo com a empresa de marketing digital AtivaWeb, Janja e Michelle registraram crescimento no número de seguidores nas redes sociais entre maio de 2023 e abril deste ano. A AtivaWeb publicou um mapeamento da trajetória digital das duas personagens. De acordo com a análise da empresa, Michelle teve crescimento mais significativo do que os perfis de Janja. Enquanto a primeira-dama viu um aumento de 26.186 seguidores (1.15%) no período analisado, a esposa de Bolsonaro ganhou 322.768 de seguidores (5,14%).
Esse aumento de seguidores, conclui a pesquisa, indica uma capacidade mais forte de atrair novos seguidores e manter o interesse da audiência existente, "possivelmente graças a estratégias de engajamento mais eficazes, conteúdo relevante ou uma combinação de eventos que capturaram a atenção do público".
O CEO da empresa, Alek Maracajá, afirmou que os estudos sobre os desempenhos da atual e da ex-primeira-dama nas redes sociais teve o objetivo de "entender as tendências, o alcance e o impactos de suas atividades on-line (de Janja e de Michelle)".Não subestimaria Michelle Bolsonaro como candidata a presidente, diz Dirceu
Substituta de Lula?
Fotos: Reprodução/Google
Com 78 anos, cogita-se a ideia de que Lula não deve concorrer a uma reeleição em 2026. Uma opção para representar o PT nas urnas, de acordo com o professor Rodrigo Prando, seria Janja. Além das 10 alusões à primeira-dama nos discursos presidenciais em 2024, o cientista político falou que um possível papel de cabo eleitoral do PT nas eleições municipais deste ano pode “qualificar” Janja para ser a representante da agremiação no pleito a presidente.
“Pode ser uma alternativa para o PT concorrer com Michelle Bolsonaro, que representaria o bolsonarismo, já que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está inelegível. Para o PT, seria interessante colocar uma mulher contra Michelle porque, dessa forma, o debate ficaria entre figuras políticas do mesmo gênero”, refletiu.
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O Correio tentou contato com a assessoria de comunicação de Rosângela Lula da Silva para comentar o fato dela ser o nome mais citado por Lula em discursos oficiais em 2024, mas até o fechamento desta reportagem, não houve respostas. Em caso de manifestação, o texto será atualizado.
Fonte: com informações do Portal Correio Brasiliense
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