Estresse crônico afeta mães de crianças neurodivergentes e especialistas orientam práticas de autocuidado
O Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre saúde mental, lança luz sobre uma realidade muitas vezes invisibilizada: a saúde emocional das mães atípicas. Entre consultas médicas, terapias, demandas escolares e a vigilância constante sobre o desenvolvimento dos filhos, essas mulheres vivem sob estresse prolongado, frequentemente sem tempo ou permissão para cuidar de si.
Para a neuropsicopedagoga, especialista em autismo e mãe atípica Silvia Kelly Bosi, o impacto emocional costuma começar logo após o diagnóstico. “A mãe precisa absorver uma grande quantidade de informações, tomar decisões importantes e ainda lidar com o luto do filho idealizado. Sem acolhimento, esse processo se torna extremamente desgastante”, explica.
Segundo ela, o cuidado com a criança deve caminhar junto com o cuidado com quem cuida.A sobrecarga emocional também é intensificada pela solidão. Para Natália Lopes, fundadora do Voz das Mães, muitas mães atípicas enfrentam abandono afetivo, ausência de rede de apoio e pressão social para demonstrar força constante. “Esse cenário gera culpa, exaustão e adoecimento emocional”, afirma.
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No contexto do atraso de fala, a fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer destaca que o estado emocional da mãe influencia diretamente o desenvolvimento infantil. “A fala não se desenvolve apenas na terapia. Ela depende de um cotidiano mais leve, com interações afetivas e sem excesso de cobrança. Quando a mãe está emocionalmente esgotada, isso se reflete na comunicação com a criança”, orienta.
Já a psicóloga e neuropsicóloga Thaís Barbisan alerta para a normalização do cansaço extremo. “O estresse crônico afeta o funcionamento do cérebro, o humor e o corpo. Cuidar da saúde mental não é luxo, é necessidade”, reforça.Dicas práticas para promover a saúde mental de mães atípicas
Especialistas destacam atitudes simples, porém fundamentais, para reduzir a sobrecarga emocional:

Fotos: Reprodução/Google
Pare de se cobrar perfeição: aceitar limites não significa amar menos. A maternidade atípica não precisa ser heroica para ser suficiente.
Busque apoio profissional: terapia individual ou grupos de apoio ajudam a elaborar emoções, reduzir a culpa e fortalecer a autoestima.
Construa uma rede possível: não precisa ser grande, uma pessoa de confiança já faz diferença.
Respeite o próprio ritmo: cada criança tem seu tempo, e cada mãe também. Comparações ampliam o sofrimento.
Inclua pequenos rituais de autocuidado: pausas curtas, respiração consciente, caminhadas ou momentos de silêncio ajudam a regular o sistema emocional.
Cuide da informação que consome: excesso de conteúdos sobre desenvolvimento pode gerar ansiedade. Informação deve orientar, não adoecer.
Mais do que um mês simbólico, o Janeiro Branco é um convite para que mães atípicas se autorizem a existir para além do cuidado com os filhos. Cuidar da própria saúde mental é um ato de amor, por si e por quem se ama.
Fonte: com informações iG
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