Mas a trajetória de prestígio do pesquisador começou a ruir a partir de 2007, quando, em entrevista ao jornal britânico The Times, ele declarou ser ?pessimista em relação ao futuro da África?
O mundo da ciência despediu-se, no último dia 7 de novembro de 2025, de James Watson, aos 97 anos — um dos nomes mais célebres e, ao mesmo tempo, mais controversos da história da biologia moderna. Watson foi coautor da descoberta da estrutura de dupla hélice do DNA, um marco que revolucionou a ciência e abriu caminho para a genética moderna, mas suas declarações racistas e sem respaldo científico o transformaram em uma figura repudiada dentro da própria comunidade científica.
Em 1962, Watson recebeu o Prêmio Nobel de Medicina, ao lado de Francis Crick e Maurice Wilkins, pela revelação de como o DNA se organiza e replica, permitindo a transmissão das informações genéticas entre gerações. A descoberta foi considerada um dos maiores feitos da ciência do século XX, tornando o trio sinônimo de inovação e genialidade.
Mas a trajetória de prestígio do pesquisador começou a ruir a partir de 2007, quando, em entrevista ao jornal britânico The Times, ele declarou ser “pessimista em relação ao futuro da África”, afirmando que “todas as nossas políticas sociais estão baseadas no fato de que sua inteligência é a mesma que a nossa, quando todas as provas indicam que, na realidade, não é assim”. A fala foi amplamente criticada e condenada por cientistas e instituições do mundo inteiro, sendo classificada como racista e infundada.
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A controvérsia se agravou em 2019, quando Watson, então já aposentado, voltou a defender ideias semelhantes em um documentário de televisão. Ele afirmou acreditar que genes influenciariam diferenças nos resultados de testes de QI entre pessoas negras e brancas — uma hipótese sem qualquer comprovação científica. A repercussão foi imediata. O Cold Spring Harbor Laboratory, em Nova York, onde Watson havia trabalhado por décadas e do qual fora diretor, anunciou a retirada de todos os seus títulos honoríficos, afirmando que as declarações do pesquisador eram “infundadas e imprudentes”.
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Fotos: Reprodução/Google
Apesar das contribuições inegáveis que fez à ciência, a imagem de James Watson passou a ser associada não apenas à genialidade, mas também à irresponsabilidade científica e ao preconceito racial. Suas falas revelaram o quanto o avanço do conhecimento exige também ética, responsabilidade social e respeito à diversidade humana — valores essenciais para qualquer cientista ou instituição acadêmica.
Watson deixa um legado duplo: de um lado, a descoberta que transformou a biologia moderna; de outro, o exemplo de como a ciência perde credibilidade quando se afasta do rigor e da verdade.
Fontes:
BBC News Mundo
The Times
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