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Meio Ambiente - 24/03/2025

Invisíveis da Fumaça: A Tragédia da Aldeia Kaxarari e os Impactos das Queimadas na Amazônia em 2024

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Foto: Reprodução/Google

Entre julho e dezembro de 2024, a aldeia Buriti viveu 96 dias respirando ar com níveis de material particulado fino

A aldeia Buriti, pertencente ao povo Kaxarari e localizada na Terra Indígena (TI) Kaxarari, na fronteira entre o sul do Amazonas e o oeste de Rondônia, foi uma das mais impactadas pela fumaça proveniente das queimadas na Amazônia durante o segundo semestre de 2024.

 

Entre julho e dezembro de 2024, a aldeia Buriti viveu 96 dias respirando ar com níveis de material particulado fino (PM2.5) acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Em alguns dias, a concentração de PM2.5 atingiu 264 µg/m³, superando em 1.660% o limite seguro de 15 µg/m³ estabelecido pela OMS para a média diária.

 

Essa exposição prolongada comprometeu seriamente a saúde dos indígenas, resultando em problemas respiratórios, cardiovasculares e até mesmo hospitalizações de crianças e idosos. Profissionais de saúde que atuam na região relataram um aumento significativo de atendimentos relacionados a dificuldades respiratórias, como asma e bronquite, especialmente entre crianças e idosos, os grupos mais vulneráveis.

 

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De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a TI Kaxarari registrou 1.287 focos de calor durante o período analisado. Embora 7% desses focos (94 incêndios) tenham ocorrido dentro do território indígena, os outros 93% foram detectados em um raio de 10 km ao redor da área.

 

Grande parte desses incêndios teve origem em propriedades rurais que aguardam regularização. Há mais de 555 processos de certificação de imóveis rurais na área periférica da TI Kaxarari, o que evidencia a pressão constante do agronegócio e da grilagem sobre o território indígena. A poluição por fumaça não se restringiu apenas à aldeia Buriti. Comunidades indígenas e ribeirinhas de regiões como São Gabriel da Cachoeira, no noroeste do Amazonas, também relataram um aumento expressivo na concentração de PM2.5, associado a queimadas ilegais e mudanças climáticas.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Dados do Observatório da Torre Alta (ATTO) indicam que, entre 27 e 30 de agosto de 2024, as médias diárias de PM2.5 na Amazônia atingiram 80 µg/m³ — um número alarmante e muito acima dos padrões de segurança. Os líderes indígenas do povo Kaxarari têm denunciado repetidamente os impactos devastadores das queimadas sobre a saúde e a subsistência de sua comunidade. O desmatamento contínuo, associado às queimadas ilegais, compromete não apenas a saúde das pessoas, mas também a biodiversidade e os recursos naturais dos quais elas dependem.

 

Medidas urgentes de fiscalização e políticas públicas adequadas são imprescindíveis para combater as queimadas ilegais e proteger os territórios indígenas. Entretanto, os líderes locais destacam que, apesar das denúncias e apelos por ajuda, a resposta governamental tem sido lenta e insuficiente.

 
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O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast estão comprometidos em divulgar essas realidades negligenciadas, amplificando as vozes dos povos indígenas e promovendo um debate sério sobre os impactos das queimadas na Amazônia. A cobertura jornalística sensível e responsável é fundamental para que essas histórias ganhem visibilidade e inspirem ações concretas.

 

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