Ex-presidente não poderia ser preso em uma embaixada que o acolhe por estar fora do alcance das autoridades nacionais
O ex-presidente Jair Bolsonaro se hospedou na Embaixada da Hungria em Brasília durante dois dias em fevereiro deste ano após ter o passaporte confiscado pela Polícia Federal (PF). O ex-chefe do Executivo é alvo de diversas investigações e não poderia ser preso em uma embaixada estrangeira que o acolhe, uma vez que estava fora do alcance das autoridades nacionais. As informações foram publicadas nesta segunda-feira,25 pelo jornal norte-americano New York Times.
A reportagem acionou os citados.Bolsonaro teve o passaporte confiscado pela PF em 8 de fevereiro. Quatro dias depois, o ex-presidente estava na porta da Embaixada da Hungria, esperando para entrar nas dependências, mostram imagens da câmera de segurança da estrutura do governo húngaro. O ex-chefe do Executivo estava acompanhado de dois seguranças.
De acordo com as imagens, Bolsonaro chegou ao local na noite de segunda-feira, 1, e partiu na tarde de quarta-feira, 14. Segundo a reportagem norte-americana, a estadia na embaixada sugere que o ex-presidente também estava tentando alavancar a amizade com o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, também líder da extrema-direita.
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Estadia
Câmeras flagram Bolsonaro na embaixada
Um funcionário da embaixada húngara confirmou os planos de receber Bolsonaro no local. Segundo o New York Times, às 21h34, um carro preto apareceu no portão da embaixada. Um homem saiu do veículo batendo palmas para chamar a atenção de alguém lá dentro. Três minutos depois, Miklós Halmai, embaixador do país no Brasil, abriu o portão e indicou onde estacionar.
O jornal diz que Bolsonaro e dois homens, que parecem ser seguranças, saíram do veículo e o embaixador os conduziu para dentro. Depois de conversar brevemente, os quatro homens entraram no elevador. Nas duas horas seguintes, funcionários da embaixada fizeram várias viagens em direção a uma área do edifício onde havia dois apartamentos de hóspedes. Eles carregaram roupas de cama, água e outros itens, até que a atividade parou por volta das 23h40.

Imagens da câmera de segurança mostram momento em que carro entra nas dependências húngaras
Na manhã seguinte, às 7h26, Halmai saiu da área residencial e digitou em seu telefone, de acordo com a reportagem. Meia hora depois, o embaixador e outro homem trouxeram uma cafeteira para a área residencial. Durante o resto do dia, os funcionários húngaros percorreram o terreno da embaixada. No início da noite, Bolsonaro passeava pelo estacionamento da embaixada com um de seus seguranças.
Por duas vezes, os seguranças de Bolsonaro foram embora. "Perto do almoço, um guarda voltou com o que parecia ser uma pizza. Às 20h38, um guarda voltou ao estacionamento da embaixada com outro homem no banco de trás. Carregando uma sacola, aquele homem entrou na área residencial onde Bolsonaro parecia estar hospedado. O homem saiu 38 minutos depois. Quando o carro partiu, um homem parecido com Bolsonaro saiu da área residencial para assistir", diz a matéria.
No dia 14 de fevereiro, Bolsonaro é visto pela primeira vez nas imagens da câmera de segurança às 16h14, quando ele e seus dois guardas saíram da área residencial carregando duas mochilas e se dirigiram diretamente para o carro. O embaixador da Hungria seguiu atrás, observou o carro partir e acenou em despedida, segundo as imagens.
Investigações
Bolsonaro é alvo de diversas investigações. No dia 19 de março, o ex-presidente foi indiciado pela PF pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informações no caso que apura a falsificação de certificados de vacinas da Covid-19. Ambos os delitos estão previstos no Código Penal, e a pena máxima para os dois crimes somados é de 15 anos de prisão.
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Segundo a PF, Bolsonaro cometeu o crime de inserção de dados falsos em sistema de informações em 21 de dezembro de 2022 ao incluir o registro de vacinação contra a Covid-19 dele e da filha Laura Bolsonaro no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações, do Ministério da Saúde.Para além do caso envolvendo a inserção falsa de dados de saúde, Bolsonaro é investigado pela tentativa de golpe de Estado, após ter perdido as eleições presidenciais de 2022, as joias sauditas, entre outros. A defesa do ex-presidente, por sua vez, nega participação nos crimes.
Fonte: com informações do Portal R7
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