Informação consta de decisão que soltou ex-assessor de Bolsonaro Marcelo Câmara, apontado como 'responsável pelo núcleo de inteligência paralela' do governo do ex-presidente. Expectativa é que PF finalize o inquérito em julho.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) afirmou que a investigação sobre a tentativa de golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder, após a derrota nas eleições de 2022, está prestes a ser concluída. A informação foi revelada em uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a soltura de Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, com uso de tornozeleira eletrônica.
O ministro Moraes justificou a medida citando o parecer da PGR, que considera que a prisão de Câmara foi adequada no momento em que ocorreu, mas que a revisão da mesma se tornou possível devido ao progresso das investigações. "Os depoimentos dos principais alvos foram colhidos e a investigação encontra-se em via de conclusão, o que reduz a possibilidade de interferências indevidas na persecução penal", declarou a PGR.
Fontes indicam que a expectativa é de que a Polícia Federal finalize o inquérito em julho. Marcelo Câmara, coronel do Exército, foi preso em 8 de fevereiro por ordem de Moraes, durante a operação Tempus Veritatis, que investiga a tentativa de golpe.
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Foto: Reprodução/Google
A defesa de Câmara havia solicitado a revogação da prisão uma semana após a detenção, mas o pedido foi negado por Moraes. Câmara também é suspeito de monitorar o itinerário, deslocamento e localização do ministro Moraes e outras autoridades, com o objetivo de captura e detenção durante a tentativa de golpe. Apesar da liberdade concedida, Câmara deve cumprir várias medidas cautelares:
- Proibição de uso de redes sociais, diretamente ou por terceiros;
- Proibição de comunicação com outros investigados;
- Suspensão imediata de documentos de porte de arma de fogo e registros de CAC;
- Proibição de se ausentar da comarca e recolhimento domiciliar noturno e nos finais de semana com uso de tornozeleira eletrônica;
- Obrigação de se apresentar à Justiça todas as segundas-feiras;
- Entrega e cancelamento de todos os passaportes.
Segundo a decisão de Moraes, as provas colhidas pela Polícia Federal indicam que Câmara teve um papel relevante no núcleo de inteligência da organização criminosa investigada, com proximidade significativa ao ex-presidente Bolsonaro, sendo responsável pela coleta de informações sensíveis e estratégicas.
A soltura de Câmara foi inicialmente divulgada pelo blog de Natuza Nery. Em declaração à colunista do g1, os advogados de defesa de Câmara, Eduardo e Christiano Kuntz, expressaram satisfação com a decisão: "A defesa comemora o restabelecimento parcial de sua liberdade e aguarda o desenrolar do caso para provar que Marcelo Câmara sequer deveria estar nele."
Essa reviravolta marca um ponto crítico na investigação, que pode ter implicações profundas no cenário político brasileiro. A conclusão iminente do inquérito da Polícia Federal será aguardada com grande expectativa por todos os lados envolvidos.
Fonte: com informações do G1
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