Alagamentos são comuns nessa época do ano na região, mas especialistas alertam que oscilações vêm se tornando cada vez mais extremas e frequentes.
Em menos de 6 meses, o rio Madeira saiu do menor nível da história, quando chegou a 19 centímetros de profundidade em Porto Velho (RO), em outubro do ano passado, e subiu para 16,67 metros. A mudança brusca de cenário, que já afeta quase 9 mil pessoas, é resultado do Inverno Amazônico, quando as chuvas se intensificam em toda a região Norte.
Mas o que é o Inverno Amazônico? É mais ou menos quando começa o verão no Hemisfério Sul, no final do ano, que as chuvas ganham força na região Norte - e duram até maio. O fenômeno é causado pela Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), uma faixa de nuvens que se forma na região equatorial do planeta a partir dos ventos alísios, que sopram dos hemisférios Norte e Sul. Quanto mais intenso for esse sistema meteorológico, maior é o volume de chuva.
É comum que os rios da região enfrentem cheias durante esse período, já que a quantidade de chuva que cai nas bacias é o que determina o quanto o rio vai subir ou descer. O que tem preocupado os especialistas, no entanto, é que essas oscilações vêm se tornando cada vez mais extremas e frequentes.
Veja também

Chuvas: com mais de 300 desalojados, Angra dos Reis decreta emergência
(39).jpeg)
"Essas variações extremas, embora já tenham ocorrido no passado, sugerem uma aceleração do ciclo hidrológico na região", aponta o engenheiro hidrólogo do Serviço Geológico do Brasil, Marcos Suassuna. Além do rio Madeira, o rio Machado também teve o cenário alterado em poucos meses, saindo do menor nível já registrado, 6,04 metros, para 11,34 metros entre o final de 2024 e o início de 2025. A maior marca já registrada no rio Machado foi 18,85 metros, em 2019. Em Santa Luzia D'Oeste (RO), as aulas foram suspensas por tempo indeterminado porque os alunos da zona rural não conseguem chegar na escola.
O cenário também é crítico em outros estados da Amazônia. Na capital do Acre , em Rio Branco, o Parque de Exposições Wildy Viana virou abrigo para famílias que tiveram que deixar suas casas por causa da cheia do rio Acre, que transbordou no início de março ao atingir 14 metros e afetou mais de 31 mil pessoas. O nível do rio começou a baixar na última semana, e as primeiras famílias já começaram a voltar paras suas casas.
No Pará, o rio Xingu também transbordou, levando o governo federal a reconhecer situação de emergência na cidade de São Félix do Xingu. A chuva também fez transbordar os rios Tocantins e Itacaiúnas, deixando comunidades isoladas nas cidades de Marabá e Oeiras do Pará. Já no Amazonas, cinco rios atingiram níveis acima dos registrados no mesmo período do ano passado, deixando em alerta 23 dos 62 municípios do estado. Apesar dos alagamentos, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) prevê que as cheias não vão atingir marcas históricas neste ano.
Famílias ribeirinhas na gangorra dos rios
Fotos: Reprodução/Google
Quem vive às margens dos rios na Amazônia e depende deles para sobreviver percebe com mais intensidade as mudanças bruscas no sobe-e-desce do nível das águas. Mesmo acostumados com os períodos de seca e de cheia, os ribeirinhos dizem que os reflexos têm mais fortes.Emanuele Rodrigues, moradora de São Félix do Xingu, no Pará, contou que a inundação deixou muitas famílias isoladas, que precisaram de barcos para conseguir sair das áreas alagadas.
"Algumas pessoas estão mais isoladas, sem conseguir sair da comunidade. Mas com ajuda de canoas, jangadas improvisadas, as pessoas saem para ir atrás de mantimentos", disse Emanuele.Leia Garcia contou que os alagamentos estão prejudicando os estudos dos filhos. "Na maioria das vezes, eles faltam [às aulas] por conta da chuva. É bem difícil o acesso devido aos buracos e lama".
Uma situação bem diferente da que enfrentou Maria de Fátima, moradora da comunidade Terra Firme, em Porto Velho, quando o rio Madeira secou no ano passado.
Fonte: com informações Portal G1
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.