18 de Abril de 2026

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Saúde - 16/12/2024

Intervenção autoguiada pode reduzir uso de remédio para dormir entre idosos

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Foto: Reprodução/Google

A intervenção autoguiada é um modelo de mediação comportamental aplicado em uma situação específica, como a insônia, sem a participação ativa de um profissional de saúde

A insônia é uma condição frequentemente subestimada, mas bastante comum, em pessoas idosas, já que com o envelhecimento ocorrem mudanças no padrão do sono. Não há dados oficiais, mas estima-se que transtornos do sono afetem cerca de 50% dos idosos, e dentro desse grupo, a insônia se destaca com uma prevalência entre 20% e 40%. Muitos recorrem a medicamentos sedativos para dormir, o que pode gerar dependência e piorar a qualidade de vida, aumentando risco de quedas, por exemplo.

 

Mas, segundo um estudo publicado em setembro no JAMA Psychiatry, intervenções autoguiadas de terapia cognitivo-comportamental podem ajudar a reduzir o uso de medicamentos e a melhorar a qualidade do sono em idosos com insônia, tornando-se uma alternativa eficiente e de baixo custo para o manejo do problema. A intervenção autoguiada é um modelo de mediação comportamental aplicado em uma situação específica, como a insônia, sem a participação ativa de um profissional de saúde. O indivíduo recebe materiais por escrito ou por vídeo com orientações sobre como manejar determinada questão. A ideia é que ele siga as instruções e consiga, sozinho, diminuir o uso de medicações.

 

“Além de estimular a independência do paciente, a técnica é vantajosa principalmente porque desonera o sistema de saúde. A proposta é muito positiva porque demonstra a força de vontade da própria pessoa em querer melhorar”, analisa a neurologista Letícia Soster, do Grupo Médico Assistencial do Sono do Hospital Israelita Albert Einstein.

 

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Como foi feito o estudo

 

 

 

Pesquisadores da Austrália e do Canadá avaliaram o impacto da intervenção autoguiada em 565 pessoas com mais de 65 anos que sofriam de insônia e utilizavam alguma medicação para dormir. Elas foram divididas em três grupos: dois deles receberam cartilhas diferentes com orientações sobre mudança de comportamento e um manteve o tratamento usual, sem nenhuma intervenção. Após receber o material, os voluntários foram acompanhados por seis meses.

 

Os idosos do primeiro grupo receberam uma carta de apresentação e livros com os títulos Como?parar de usar pílulas para dormir e Como recuperar seu sono, além de um?site com informações?complementares. Já os participantes do segundo grupo receberam livros intitulados Você pode estar em risco e Como ter uma boa noite de sono sem medicação.

 

Todos faziam uso de alguma medicação para dormir: zopiclona era o medicamento mais utilizado (71,3%), seguido por lorazepam (12,3%), clonazepam (6,2%), oxazepam (5,8%), temazepam (4,1%) e zolpidem (4,1%). A coleta de dados foi realizada em duas entrevistas telefônicas (ao início do estudo e após seis meses) com duração de 60 a 90 minutos cada. Ao final da investigação, os pesquisadores perceberam que os grupos que receberam a intervenção autoguiada conseguiram suspender o uso de medicamentos ou reduzir a dose. Além disso, os resultados mostram que houve redução da insônia (diminuição do tempo para adormecer), aumento no tempo total e na eficiência do sono e menos sonolência diurna.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Na avaliação de Soster, esses achados reforçam o potencial benéfico da intervenção autoguiada ao demonstrar o quanto as mudanças de comportamento durante o dia e antes de dormir são importantes. “Se a pessoa conseguiu diminuir o uso de remédio, isso mostra que aquele não era um problema puramente químico, mas sim de base comportamental”, avalia.Segundo a neurologista, o tratamento primário e padrão ouro para insônia deve ser a terapia cognitivo comportamental; o medicamento é um suporte, usado somente quando necessário.

 
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O uso de sedativos deve ser evitado porque, muitas vezes, eles têm um efeito residual, ou seja, continuam agindo no dia seguinte. É comum que a pessoa use esse medicamento para dormir e no dia seguinte continue letárgica, com um pouco de sono e o raciocínio mais devagar. “Esse é um efeito colateral comum. Uma vez que você diminui o remédio, ou eventualmente consegue parar de usá-lo, esses efeitos diurnos deixam de existir”, avisa Soster.  

 

Fonte: com informações Revista IstoÉ

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