07 de Junho de 2026

NOTÍCIAS
Ciência e Tecnologia - 07/06/2026

Inteligência artificial na escola: proibir ou ensinar a usar?

Compartilhar:
Foto: Reprodução

No Arco Day, em São Paulo, um pediatra de Harvard e especialistas brasileiros defenderam que banir telas e IA fracassa. O caminho, disseram, é formar o senso crítico

O rádio levou 38 anos para alcançar 50 milhões de usuários; a televisão, 20 anos e, em tempo recorde, o ChatGPT, atraiu milhares de pessoas em dois meses. A conta é do pediatra americano Michael Rich, professor associado de pediatria na Harvard Medical Schoole, diretor do Digital Wellness Lab no Boston Children's Hospital, e palestrante no Arco Day 2026, encontro anual da Arco Educação. Evento que reuniu cerca de dois mil gestores escolares no Teatro do Distrito Anhembi, em São Paulo, nos dias 1º e 2 de junho.

 

Há dois anos, segundo a diretora de Produtos Digitais da Arco Educação, Larissa Sangalli, a dúvida das escolas era "como impedir que o aluno usasse IA?", mas esse pensamento mudou. Neste ano, a pergunta é mais profunda "proibir a inteligência artificial na escola ou ensinar a usá-la?" O que antes era o medo da cola, da redação escrita pela máquina, em 2026, o receio é a entrega do estudante sem aprender. Para a diretora, a IA desloca a função do professor — é ele quem vai colocar o aluno em condição de julgar o que a máquina produz "O papel do professor não está sendo ameaçado com a inteligência artificial, ele vai continuar existindo" ressaltou.

 

Relembrando casos positivos de uso da IA, Larissa citou o exemplo de um professor que, ao invés de proibir o uso da ferramenta digital, o docente incentivou os alunos a identificarem erros. O exercício consistia em inserir um argumento falso nos textos escritos pelos alunos e de volta à sala e com os documentos embaralhados, cada um teve que procurar a inconstância. “O exercício é um treino para o mercado de trabalho, onde o profissional vai receber textos prontos e irá se destacar quem souber duvidar deles” afirmou

 

Veja também

 

FAF investe aproximadamente R$1 milhão com tecnologia para arbitragem de vídeo

3I/Atlas: cientistas analisam 74 milhões de sinais atrás de extraterrestres

 

 

Para Michael Rich, a proibição total do uso da IA pode ser negativa. Segundo o pediatra, bloqueios impostos de cima para baixo fracassam. “Na Austrália, adolescentes não aceitam que lhes digam o que não podem fazer. Quando os próprios estudantes ajudam a desenhar a regra, eles a cumprem, porque a regra passa a ser deles” frisou. Ao falar sobre sua especialidade: a saúde. Rich propôs a troca do vocabulário. Segundo o médico, o "vício" em tela se parece menos com a dependência de álcool e mais com a compulsão alimentar. “O problema não é o uso de um recurso necessário, e sim a falta de autorregulação. A ansiedade e a depressão costumam vir antes do uso excessivo, não depois — a tela amplifica um sofrimento prévio” ressaltou.

 

A lei do celular

 

Fotos: Reprodução

 

N arealidade brasileira, a regra tem nome e data. A Lei nº 15.100, sancionada em 13 de janeiro de 2025, restringe o uso do celular na educação básica durante a aula, no recreio e intervalos, mas não veda o uso pedagógico orientado pelo professor. Seis meses após a entrada em vigor da lei, o acesso à internet nas escolas caiu de 51% para 37%, segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil (Cetic.br/NIC.br,2025). A queda trouxe um novo questionamento à comunidade pedagógica “o que fazer com a tecnologia quando ela pode ser usada para ensinar?”Para o gerente de Ensino e Inovações da Arco Educação, Jones Brandão, muitos professores interpretaram a norma como uma proibição total. "A lei não proíbe, ela regula. Se a ferramenta tem fins pedagógicos, ela pode estar presente em sala de aula", resumiu.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.
 

O pensamento se aproxima com o que Rich defendeu no palco. Para o pediatra, o smartphone no bolso dos adolescentes é um milhão de vezes mais potente do que o computador que levou o homem à Lua — e a escola ainda não ensinou para que ele serve. "A inteligência artificial é um prolongamento do pensamento, não um substituto", disse. Para o palestrante e especialistas, a opinião é unânime e o uso sem regulação de IA tem um risco concreto e urgente: os deepfakes. Diariamente, vídeos e imagens falsos são produzidos por inteligência artificial. Além de recriar rostos, vozes e cenários com tanta precisão, o resultado se confunde com o real e essa deve ser uma preocupação global. “Em vários países, como o Brasil e os Estados Unidos, as crianças estão postando o dia a dia nas escolas e isso é um inquietação que pais e governos devem se atentar” disse.

 

Fonte: com informações do Correio Braziliense 

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.