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Meio Ambiente - 03/11/2021

Iniciativas que podem ajudar o Brasil a diminuir o impacto das mudanças climáticas já são realidade no país

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Foto: Reprodução

As mudanças no clima já estão afetando profundamente a vida nas cidades e também no campo. Veja o que está sendo feito para evitar mais prejuízos e tragédias.

Iniciativas que podem ajudar o Brasil a cumprir os compromissos assinados na terça-feira (2) em Glasgow e a diminuir o impacto das mudanças climáticas já são realidade aqui no país.

 

A elevação do nível do mar já está acontecendo, mas não é como nos filmes-catástrofe de Hollywood. Segundo o Painel de Mudança Climática da ONU, o nível dos oceanos vinha subindo 1,3 milímetro por ano ao longo do século passado. Esse número deu um salto há 50 anos, e a previsão para as próximas duas décadas é que chegue a cinco milímetros por ano. E isso agrava ressacas, erosão costeira e riscos de inundações. Num país com o litoral do tamanho do Brasil, há motivos para preocupação. 

 

“Nós pagamos o preço pela audácia de muitas cidades de construírem suas avenidas, seus calçadões, seus edifícios dentro da chamada 'zona dinâmica da praia'. Então você comprou briga com a natureza, e vai perder”, explica o professor de engenharia costeira da UFRJ Paulo César Rosman.

 

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Paulo Rosman coordenou um estudo que mapeou as áreas mais vulneráveis da zona costeira às mudanças climáticas. O estudo revelou que as principais regiões metropolitanas do nosso litoral precisam se adaptar a uma nova realidade.

 

“O modo de ganhar essa briga é respeitar a natureza, trabalhar com a natureza. Quase sempre é possível você estender a faixa de praia com um alargamento, trazendo areia e fazendo uma sobrepraia sobre o que tem hoje. É a solução mais viável e geral para o litoral aberto ao mar”, diz.

 

Há riscos também fora da linha de costa, nas áreas de baixada e no interior das baías, onde vive a população de baixa renda. No Recife, a ocupação desordenada ocorre numa imensa área de planície, onde desembocam vários rios, e os manguezais são aterrados.

 

“Recife é a capital brasileira mais vulnerável ao aumento do nível do mar”, afirma o vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco e coordenador da Rede Clima, Moacyr Araújo. Ele estima que o avanço do mar ameace aproximadamente 600 mil pessoas na região metropolitana.

 

“Quando nós falamos do aumento do nível do mar, nós precisamos incorporar todas essas informações nos planos diretores e mudar a concepção e a relação da cidade com os seus rios”, afirma.

 

Outro desafio associado ao aquecimento global são os eventos climáticos extremos, como o que aconteceu há dez anos na Região Serrana do Rio. Mais de 900 pessoas morreram. Uma das maiores tragédias do país marcou o início de uma nova era na prevenção de desastres naturais.

 

“O que nós tínhamos antes disso é apenas previsão meteorológica. Mas a meteorologia é apenas uma parte desse problema. O problema dos desastres envolve, claro, a chuva, a meteorologia, mas também a hidrologia, a geologia e, fundamentalmente, a parte social”, diz o coordenador do Cemaden, Marcelo Enrique Seluchi.

 

A necessidade de melhorar a prevenção justificou a criação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais. Em uma década de existência, o Cemaden já emitiu 20 mil alertas para mais de mil municípios e salvou inúmeras vidas.

 

Foi o que aconteceu no ano passado na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Cinco dias antes de uma das maiores chuvas da história de Minas Gerais, o Cemaden enviou um alerta para a Defesa Civil.

 

 

“Foram utilizados até carros de som em municípios pequenos para anunciar que viria um grande evento. E as pessoas estavam preparadas”, conta Marcelo Enrique. Apesar dos 400 milímetros de chuva, o alerta do Cemaden impediu uma tragédia maior.

 

O novo normal do clima também deixou o Rio de Janeiro mais vulnerável.

 

"O céu está nublado, e a previsão é de chuva. Já choveu a madrugada toda, e a terra está encharcada de água." Em dias assim, o Centro de Operações no Rio de Janeiro fica em estado de prontidão. Toda estrutura foi montada depois de uma das piores enchentes da história da cidade, há pouco mais de dez anos. Na sala de controle, o objetivo é reunir informações e tecnologia para evitar a ocorrência de novas tragédias em tempos de mudança climática.

 

O grande trunfo do Centro de Operações é emitir em alguns segundos alertas para 1,3 milhão de pessoas nas redes sociais e via SMS.
“Todo mundo se lembra das ‘águas de março’ que fechavam o verão, e hoje a gente, em abril, a gente ainda está com chuva, e cada vez mais ela vai entrando por maio. Então, a gente tem percebido que essa mudança vem acontecendo, e a gente tem que se adaptar a ela”, afirma o chefe-executivo do Centro de Operações Rio, Alexandre Cardeman.

 

A combinação de chuva forte com deslizamento de terra ou de pedra já provocou várias mortes no morro dos Macacos, na Zona Norte do Rio. Principalmente no alto do morro, na encosta. Mas desde que foi instalado um sistema de alerta, que avisa antecipadamente a comunidade sobre a aproximação de uma tempestade, de uma chuva mais forte, nenhuma nova morte foi registrada por esses motivos. E isso já tem dez anos.

 

“Acho importante. O barulho é ensurdecedor, mas é importante”, diz a professora Bruna Santos.

 

Desde a implantação do sistema em 104 comunidades, apenas uma morte provocada por chuvas foi registrada.

 

Se nas cidades é preciso se adaptar às chuvas mais fortes, no campo o desafio é garantir a produção com as temperaturas subindo. Um estudo da Embrapa mostra as áreas que vêm se tornando impróprias para o plantio de feijão nos últimos 30 anos. Os agricultores também enfrentam problemas crescentes para o cultivo do milho e perdas com a soja no Rio Grande do Sul.

 

Fotos: Reprodução

 

A solução passa por investimento em ciência e tecnologia. E o fortalecimento do programa ABC, Agricultura de Baixo Carbono, criado há dez anos.

 

“Nós teríamos dois caminhos. O primeiro caminho é do manejo e conservação de solo e água. Esse é um caminho importantíssimo. E o segundo caminho é o melhoramento genético, buscando as espécies que sejam tolerantes”, explica Eduardo Assad, pesquisador da Embrapa e professor da FGV Agro.

 

“O morador pergunta para nós se tá tudo bem. 'Está funcionando?’ ‘A sirene está funcionando?’ ‘Está tudo Ok?’ Que ‘eu escutei a sirene lá em casa ontem’”, conta Haroldo Ribeiro, da liderança comunitária do morro dos Macacos.

 

A pecuária é hoje a maior causa dos desmatamentos na Amazônia, mas as soluções existem. Uma delas acontece na própria Amazônia.
Em Alta Floresta, em Mato Grosso, uma empresa recupera o solo, introduz capim de alta qualidade e faz o manejo inteligente do gado. Nutrientes especiais reduzem em até 85% a emissão de gases estufa dos animais.

 

A empresa ajuda proprietários rurais com ciência e tecnologia.

 

"Comparada à pecuária brasileira tradicional, nós estamos falando de uma pecuária que coloca uma cabeça por hectare e produz quatro ou cinco arrobas por hectare/ano. Quando trabalhamos nesses sistemas mais tecnificados, chegamos a quatro ou cinco cabeças por hectare e produzimos até 30 arrobas por hectare/ano", diz Vando Telles, diretor-executivo da Pecuária Sustentável da Amazônia (Pecsa).

 

O pagamento se dá com parte dos lucros da fazenda, e todos saem ganhando.

 

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“Nós acreditamos numa pecuária que não precisa de novas áreas para conseguir aumentar a produção. Não precisa de novos desmatamentos. Agora, nós precisamos produzir mais com menos menos emissões e menos impacto no ambiente”, afirma Laurent Micol, diretor financeiro e governança.

 

Fonte: G1
 

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