Grupos se reuniram na Ufam para se manifestar contra a proposta e em meio a julgamento de ações contra o marco temporal no STF
Lideranças e representantes indígenas se reuniram na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) para se manifestar contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) que insere o marco temporal para terras indígenas na Constituição Federal de 1988. A reunião ocorreu nesta quarta-feira, 10, em meio ao primeiro dia de julgamento das ações sobre o marco temporal no Supremo Tribunal Federal (STF).
Marcivana Sateré Mawé, coordenadora da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), afirmou aos parentes – termo usado entre povos indígenas de diferentes etnias - e estudantes presentes que a luta só está começando e criticou frontalmente a PEC do Marco Temporal aprovada pelo Senado.
“Essa PEC é uma sentença de morte não apenas para os povos indígenas, mas também para os não indígenas. É a morte dos seres sagrados que habitam o nosso território. A PEC não condena apenas os povos indígenas, ela condena à morte os nossos rios, igarapés, ervas medicinais. Todo esse conhecimento ela condena a morte”, disse.
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Foto: Reprodução/Google
Marcivana defendeu que a luta contra o marco temporal deve ser fortalecida pela sociedade, que será a mais atingida pelas consequências da aprovação do texto, e lembrou falas de sua própria filha, que diz ter nascido em uma época de grandes guerras, secas extremas, vivenciou uma pandemia, atravessou um governo negacionista e está em um tempo de violação dos direitos dos povos indígenas.
“Essa reflexão deve ser feita dentro de casa, com os nossos parentes, nas salas de aula, dentro da academia, porque só assim podemos mudar essa mentalidade que hoje a sociedade tem, de que a exploração e o capitalismo estão acima da vida, de que podemos sacrificar nossos rios, nossa floresta em favor de um desenvolvimento que é nocivo”, disse.
Fonte: com informações Acrítica
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