O primeiro plano lançado pela gestão Wilson Lima (União) busca reduzir a médio e longo prazo a dependência econômica do Amazonas à Zona Franca de Manaus
Durante o lançamento do plano de bioeconomia do Amazonas e da Política Estadual de Transição Energética (Peten), na terça-feira (11), na COP 30, em Belém (PA), lideranças indígenas do estado cobraram espaço para discutir as políticas públicas planejadas pelo governo do Amazonas que afetam diretamente as populações tradicionais.
O primeiro plano lançado pela gestão Wilson Lima (União) busca reduzir a médio e longo prazo a dependência econômica do Amazonas à Zona Franca de Manaus. A proposta é fortalecer a bioeconomia, prevendo ações para implementar a produção em cadeia de produtos a partir de matérias-primas da floresta, como óleos, fibras e essências. Já o segundo, sobre transição energética, trata de medidas para reduzir as emissões de gases do efeito estufa pelo estado, especialmente nas termelétricas dos mais de 90 sistemas isolados. O governo quer reduzir o uso do diesel para geração de energia nessas localidades em pelo menos 50%.
Logo após a apresentação do projeto, no Hub do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal, que reúne os governadores da região, Wilson Lima foi abordado pela presidente da Articulação das Associações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), Maria Baré. “Tem territórios que são reivindicados, que ainda não estão 100% demarcados, que a questão da transição energética está passando por cima. Um deles é o [gás de] Azulão, por exemplo. A gente não é contra, mas a gente quer participar desse processo justamente para saber como a gente dialoga melhor. A questão da sociobioeconomia é a mesma coisa”, disse.
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Foto: Reprodução
Maria afirmou ao governador que a Apiam faz a cobrança para participar dos projetos do governo há anos, inclusive na COP 28, de Dubai, da qual Wilson Lima participou. Ela ainda disse que os povos indígenas não são contra os projetos, mas sim à forma como são construídos. Em resposta, o governador explicou que a Política de Transição Energética será enviada à Assembleia Legislativa como Projeto de Lei e que as populações indígenas serão consultadas na fase de elaboração. “A gente não vai tomar nenhuma decisão sem que antes a gente ouça vocês”, disse.
Bioeconomia
Maria também questionou a falta de participação dos povos indígenas no plano de bioeconomia, e disse que o próprio movimento fez um plano de sociobioeconomia que dá a visão dos povos indígenas sobre esse tema. “Nós estamos com o plano da sociobioeconomia dos povos indígenas, mas onde a gente dialoga? Quais são os pontos de convergência? A gente precisa encontrar e estamos à disposição”, afirmou.
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Durante a apresentação do plano estadual de bioeconomia, o governo disse que realizou 70 eventos sobre a pauta e visitas em todos os 62 municípios do Amazonas para construir o plano. Afirmou ainda que recebeu mais de 5 mil contribuições, além de ter alcançado uma participação feminina de 47% nas escutas.
Fonte: com informações Acrítica
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