O crescimento dos crimes ambientais foi impulsionado pelos incêndios florestais dolosos
Dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), consultados neste sábado, 22, apontam que aumentou o número de crimes ambientais no Estado em 2024, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O crescimento foi impulsionado pelos incêndios florestais dolosos, que tiveram alta superior a 214%, com 131 registros a mais que em 2023.
Ao longo de 2024, foram registradas 192 ocorrências, um crescimento alarmante em relação às 61 registradas no ano anterior. A SSP-AM classifica os crimes de incêndio florestal em duas modalidades: dolosa e culposa. Em 2023, ocorreram nove infrações culposas, quando o infrator não teve a intenção de causar o crime. O número caiu para três em 2024.
Os números do Centro Integrado de Estatística de Segurança Pública (Ciesp) indicam que a maior parte das infrações ocorreu entre agosto e setembro, somando 149 ocorrências, o que representa 77,60% do total. Esse período coincide com a época de estiagem no Estado, que, nos últimos dois anos, enfrentou secas recordes e temperaturas elevadas.
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A maioria dos registros nesse período se concentram na região Sul do Amazonas, conhecida como “Arco do Fogo”. O município de Canutama (AM), localizado a 619 quilômetros de Manaus, concentrou, em apenas dois meses 28 ocorrências, enquanto em Boca do Acre (AM), distante 1.028 quilômetros da capital amazonense, os registros de incêndios dolosos chegou a 27. Todos os dados são dos meses de agosto e setembro do ano passado.
No ano passado, o Governo do Amazonas chegou a contratar 85 brigadistas para atuarem na repressão às queimadas registradas no Sul do Estado, nos municípios de Novo Aripuanã, Boca do Acre, Apuí, Lábrea e Humaitá. Além disso, foi lançada uma operação integrada para combater crimes ambientais. Os dados mostram que a região concentra cerca de 85% dos crimes de desmatamento e queimadas.
A Cenarium questionou a SSP-AM sobre a quantidade de prisões realizadas e se os dados dos anos de 2021 e 2022 estão atualizados de forma correta, uma vez que, segundo a pasta, os registros de incêndios florestais em 2021 foram seis e, em 2022, 13. Até o momento não houve retorno.
Indígenas lutam contra queimadas
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Os indígenas que moram no Sul do Estado atuam eles próprios contra as queimadas e os impactos da crise climática na região da Terra Indígena (TI) de Caititu, localizado em Lábrea (AM). Um dos registros feitos na época mostram os brigadistas voluntários com equipamentos básicos, como bolsas de água, enxadas, facões e abafadores, enquanto caminham por várias horas para alcançar os focos de incêndios dentro da mata.
A chefe da brigada de incêndios da TI Caititu, Raimundinha Aripuanã, disse à equipe de reportagem que foi ao local na época, que as dificuldades na atuação são intensificadas, porque os moradores precisam escolher entre trabalhar e combater os incêndios de forma voluntária. A liderança também pontuou que eles não possuem veículo próprio para se deslocar até a região do fogo.
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Fotos: Reprodução/Google
“Muitos não querem participar porque deixam de ganhar uma diária fora para sustentar suas famílias, trocando isso por um trabalho que é voluntário. Já aconteceu de estarmos todos prontos para sair, mas não conseguirmos chegar ao local por falta de transporte. A brigada não tem veículo próprio, e isso torna o trabalho muito difícil. Quando surge uma emergência grande, carregamos o máximo de material possível no triciclo e seguimos caminhando”, declarou Apurinã.
Fonte: com informações da Revista Cenarium
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