27 de Junho de 2026

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Violência contra Mulher - 07/03/2024

Importunação não é paquera

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Foto: Reprodução

Segundo o sociólogo Lúcio Carril, a paquera está na sensibilidade de dois seres humanos que se consentem ao encantamento recíproco

Pelo sociólogo Lúcio Carril - Tenho visto muitos homens reclamarem que não se pode mais paquerar. Que tudo agora é importação sexual.

 

Não me estranha um macho se escudar no deslimite para tentar confundir aquilo que é humano com a desumanidade da ação humana.

 

A paquera está na sensibilidade de dois seres humanos que se consentem ao encantamento recíproco, como numa troca de olhares ou num sorriso tímido.

 

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Foto: Reprodução Google

 

Mas como fazer para reaprender a paquera sem importunar o outro?

 

Se volte para as lendas de nossos povos ancestrais e passe a tratar a natureza como parte de uma história de amor em que nasce a vida.

 

A mulher prateada era uma lua e o homem dourado, um sol. Um paixão ardente, mas impossível, pois da sua união o mundo acabaria.

 

A lua chorou muito e suas lágrimas escorreram para o mar, mas o mar não podia aceitar aquelas lágrimas de tristeza.

 

As lágrimas da lua cavaram um vale e lá ficaram, formando o Rio Amazonas.

 

E aprenda com Quintino Cunha a dizer:

 

"Que Amazonas de amor não sairia
De mim, de ti, de nós que nos amamos!..."

 

Mas se mesmo assim você não aprendeu a diferença entre o que é importunar o outro e o que é uma paquera, mergulhe na literatura brasileira e descubra o amor de seus personagens.

 

Em Vidas Secas, do velho Graça, você se encantará com a cumplicidade de Fabiano e Sinhá Vitória. Uma história de amor além do sofrimento imposto pela injustiça.

 

Em Capitães da Areia, de Jorge Amado, você verá o nascer do amor entre Pedro Bala e Dora. Aqui você vai aprender que garotos de rua sabem amar com respeito e proteção mútua.

 

Com Machado de Assis, você conhecerá Bentinho e Capitu e verá que não importa se Capitu traiu ou não. Capitu tomou conta do coração do Dom Casmurro.

 

Se ainda persistir sua dificuldade de paquerar com o coração e não com a importunação da violência desmedida, recite uns versos do Drummond:

 

“O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.”

 

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Mas se com tudo isto você não aprendeu a diferença entre importunar uma mulher e paquerá-la, o Inferno de Dante te aguarda no Puraquequara.
 

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