Clarissa Desterro apresenta a primeira antologia de Wilfred Owen no Brasil e reforça a força da mulher amazônica na literatura.
Por Nicolas Fragata - Na noite de quinta-feira, 5/2, o espaço Le Lieu, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, recebeu o lançamento de uma obra que amplia o acesso do público brasileiro à poesia da Primeira Guerra Mundial. A historiadora e escritora manauara Clarissa Desterro apresentou A velha mentira – poemas da Grande Guerra por Wilfred Owen, considerada a primeira antologia abrangente do poeta britânico publicada no país.
O encontro reuniu leitores, estudantes, pesquisadores e autoridades locais para celebrar a chegada dos versos de Owen, frequentemente apontado como a principal voz poética do conflito. Editado pela Caravana, o livro nasce de uma pesquisa extensa conduzida por Clarissa, que uniu sua formação em História pela UFAM ao trabalho de tradução literária para manter a intensidade das imagens criadas nas trincheiras europeias há mais de um século.
A publicação reúne 30 poemas acompanhados de textos de contextualização literária e biográfica. Wilfred Owen morreu em combate aos 25 anos, poucos dias antes do armistício de 1918, e ficou conhecido por desmontar a ideia de heroísmo militar, expondo a violência e os traumas psicológicos vividos pelos soldados.
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A motivação para a escrita do livro também tem origem pessoal. O interesse de Clarissa pelo poeta começou aos 16 anos, quando leu um poema de Owen que a marcou profundamente e despertou uma conexão duradoura com o tema da Primeira Guerra Mundial. Anos depois, essa experiência se transformou em pesquisa acadêmica, culminando na tradução e publicação da obra.
Durante o lançamento, a autora destacou o cuidado em transportar para o português a força dos versos originais. Segundo ela, o objetivo foi preservar as imagens e a mensagem de Owen, que buscava denunciar a brutalidade da guerra e questionar a cultura belicista de sua época.
O processo de tradução também exigiu familiaridade com gírias militares e termos técnicos do período entre 1914 e 1918, garantindo que o leitor brasileiro tenha uma experiência próxima da visceralidade presente nos textos originais.

Fotos: Divulgação
Mais do que um lançamento literário, o evento também destacou o protagonismo feminino na produção cultural amazônica. Como inspiração de mulher amazônica, Clarissa Desterro desponta como inspiração ao transformar pesquisa acadêmica em divulgação histórica acessível, mostrando que é possível levar a produção intelectual da região a novos públicos e reforçando o papel das mulheres amazônicas na literatura, na pesquisa e na cultura.
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