Ministro da Fazenda, Fernando Haddad levou ao papa Francisco, em reunião no Vaticano, proposta de taxação dos super-ricos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teve audiência privada com o papa Francisco, na manhã desta quinta-feira, 06, no Vaticano. Como tem sido o mote da viagem pela Itália nesta semana, Haddad tratou com o pontífice da taxação global dos chamados super-ricos, que é um dos principais temas da presidência brasileira no G20. Ainda não foram divulgadas imagens do encontro.
“A taxação dos super-ricos coloca uma questão: enfrentar a desigualdade. Um símbolo de um caminho a ser percorrido por todos nós com cooperação internacional. Por isso, estamos no Vaticano. É um lugar apropriado para soluções edificantes”, afirmou o ministro em evento no Vaticano na quarta-feira, 05.
Visto como um “defensor vocal da justiça social e da responsabilidade econômica” pelo Ministério da Fazenda, o papa Francisco pode ser uma peça fundamental na difusão da proposta de tributação dos super-ricos. Ou seja, uma eventual manifestação pública do pontífice favorável à proposta ajudaria o ministro brasileiro a ganhar espaço na opinião pública global.
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No Vaticano, Haddad também falou sobre a tragédia no Rio Grande do Sul, reforçando que é necessário “repensar os órgãos multilaterais e financiamentos para combater a crise climática de natureza global”. “Os estados nacionais estão endividados, com fragilidade fiscal”, lembrou.
O titular da Fazenda também teve audiências com o ministro das Finanças da Espanha, Carlos Cuerpo, e com o ministro da Economia e Finanças da Itália, Giancarlo Giorgetti.Trata-se da criação de um sistema tributário internacional. Os impostos corporativos internacionais teriam alíquota de 20%, e seria constituído um fundo complementado com a taxação da riqueza dos super-ricos.
Essa ideia vem sendo desenhada pelos economistas Gabriel Zucman e a prêmio Nobel de Economia Esther Duflo. O fundo teria US$ 500 bilhões, recursos que seriam canalizados para projetos socioambientais, com o objetivo de combater a pobreza e as mudanças climáticas.
Em abril, nos Estados Unidos, Haddad recebeu apoio do senador norte-americano Bernie Sanders, símbolo da esquerda naquele país. No entanto, o governo americano ainda não se manifestou publicamente sobre a proposta. Entre as lideranças americanas, há resistência à taxação.Para que seja efetiva, a medida precisa de ampla adesão, em especial dos países mais ricos, para evitar a evasão fiscal e aplicar multas e sanções.
A proposta afeta 3 mil de pessoas, que detêm US$ 15 trilhões em patrimônio. “Estamos falando de algo que vai afetar milhares para favorecer bilhões. Me parece uma proposta decente, nesse ponto de vista social, econômico e político”, completou Haddad.
Fonte: com informações R7
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