06 de Maio de 2026

NOTÍCIAS
Internacional - 17/06/2024

Guarda Costeira da Grécia é acusada de jogar migrantes no mar, resultando em dezenas de mortes

Compartilhar:
Foto: Reprodução/BBC

Mais de 40 pessoas teriam morrido em consequência das ações da guarda costeira grega, revela uma análise feita pela BBC.

Testemunhas revelaram que a Guarda Costeira da Grécia é responsável por dezenas de mortes de migrantes no Mediterrâneo nos últimos três anos, incluindo nove pessoas que foram deliberadamente jogadas ao mar. Estas vítimas fazem parte de mais de 40 migrantes que supostamente morreram após serem forçados a deixar as águas territoriais gregas ou serem levados de volta ao mar após desembarcarem nas ilhas gregas, de acordo com uma investigação da BBC.

 

A Guarda Costeira Grega negou veementemente todas as acusações de atividades ilegais. Quando mostradas imagens de 12 pessoas sendo colocadas em um barco da guarda costeira grega e depois abandonadas em um bote, um ex-oficial da guarda costeira declarou que era "obviamente ilegal" e "um crime internacional".

 

O governo grego tem sido acusado de retornos forçados — obrigando os migrantes a voltarem para a Turquia, de onde partiram — prática ilegal segundo o direito internacional. No entanto, esta é a primeira vez que a BBC quantificou os incidentes de mortes resultantes dessas ações. Em 15 incidentes analisados desde 23 de maio de 2020, 43 mortes foram registradas. As informações foram inicialmente obtidas de fontes como a imprensa local, ONGs e a guarda costeira turca, e confirmadas por testemunhas oculares em quatro desses casos.

 

Veja também

 

Líderes do G7 acusam a China de "facilitar" a guerra da Rússia na Ucrânia em severo aviso
Casal que ficou meses convivendo com restos mortais de bebê é preso

 

 

Em cinco dos incidentes, migrantes afirmaram ter sido jogados diretamente no mar pelas autoridades gregas. Em outros casos, foram colocados em botes infláveis sem motor, que depois esvaziaram ou foram perfurados.

 

Um relato angustiante vem de um camaronês que desembarcou na ilha de Samos em setembro de 2021. Ele e outros dois homens foram capturados pela guarda costeira grega. Segundo ele, a guarda costeira jogou os três no mar sem coletes salva-vidas, resultando na morte de seus companheiros, Sidy Keita e Didier Martial Kouamou Nana, cujos corpos foram encontrados na costa turca.

 

Outro sobrevivente, um somali, contou como foi capturado na ilha de Chios em março de 2021, teve as mãos amarradas e foi jogado ao mar. Ele conseguiu sobreviver flutuando até soltar uma das mãos, mas três pessoas do seu grupo morreram.

 

Em setembro de 2022, um barco com 85 migrantes enfrentou problemas perto da ilha de Rodes. Segundo Mohamed, da Síria, a guarda costeira grega os resgatou, mas os deixou à deriva em botes salva-vidas defeituosos, resultando na morte de várias crianças.

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Apesar das alegações, a guarda costeira grega afirmou que seus funcionários atuam com "o máximo profissionalismo, um forte senso de responsabilidade e respeito pela vida humana e pelos direitos fundamentais," destacando que resgataram 250.834 refugiados/migrantes em 6.161 incidentes entre 2015 e 2024.

 

No entanto, as operações de retorno forçado continuam a ser denunciadas por grupos de direitos humanos, que afirmam que milhares de solicitantes de asilo foram ilegalmente forçados a voltar da Grécia para a Turquia, negando-lhes o direito de buscar asilo, conforme garantido pelo direito internacional e da União Europeia.

 

A questão ganhou destaque após um documentário da BBC, "Dead Calm: Killing in the Med?", expor um padrão de abusos contra migrantes. O filme mostra como estas operações clandestinas ocorrem, muitas vezes executadas por agentes à paisana e mascarados, destacando a gravidade das violações de direitos humanos nas fronteiras marítimas da Grécia.

 

Curtiu? Siga o Portal Mulher Amazônica no FacebookTwitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp e Telegram.  

 

As investigações sobre as ações da guarda costeira continuam, com a Autoridade Nacional de Transparência da Grécia analisando as evidências. Enquanto isso, os sobreviventes e ativistas exigem justiça para as vítimas das operações brutais e ilegais que mancharam a reputação da guarda costeira grega.

 

Fonte: com informações do Correio Braziliense

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Email:

Mensagem:

LEIA MAIS
Fique atualizada
Cadastre-se e receba as últimas notícias da Mulher Amazônica

Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.