As regiões Norte e Nordeste (incluindo Amazonas e Maranhão) concentram as maiores taxas de gravidez precoce no país.
Um recente levantamento do Instituto AzMina, baseado em dados do Ministério da Saúde, mostra que 57 meninas com idades entre 10 e 14 anos se tornam mães todos os dias no Brasil — o que corresponde a, aproximadamente, 20.800 partos por ano.
Entre 2014 e 2023, o país registrou cerca de 204.974 nascimentos com mães nessa faixa etária — uma média anual de 20 mil partos. Isso significa que a cada 30 minutos, uma criança vira mãe no país.
Veja também

Violência sexual contra crianças na Amazônia: Números alarmantes expõem realidade cruel e urgente
Pela vida de todas as mulheres, basta de feminicídio!
Regiões mais afetadas e contexto de vulnerabilidade
.jpg)
As regiões Norte e Nordeste (incluindo Amazonas e Maranhão) concentram as maiores taxas de gravidez precoce no país. Estudos apontam que as áreas rurais e distantes dos centros urbanos — muitas vezes em territórios indígenas — apresentam proporções significativamente elevadas. Em muitos casos, essas meninas precisam percorrer até 2.500 km para acessar serviços de aborto legal.

Entre os 100 municípios com maiores taxas de fecundidade infantil, 90 apresentam forte presença indígena, sublinhando a vulnerabilidade desses grupos.
Desigualdades étnicas e consequências sociais

O levantamento também destaca que cerca de 75% das meninas mães nessa faixa etária são negras. Esses números ecoam a realidade documentada pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mostra que 55% dos estupros contra vulneráveis acontecem com meninas negras, e no SINASC, 74% dos nascimentos de mães entre 10 a 14 anos são de meninas “pardas ou pretas”.

Em Assis Brasil, município no Acre com alta taxa de fecundidade infantil, o impacto da maternidade precoce é visível. Meninas como “Elza”, que engravidou aos 13 anos, enfrentam contextos de negligência, abandono escolar e pressão social. Na escola local, oito alunas mães participam das aulas noturnas com seus filhos nos braços, e até organizam “chá de bebê” entre colegas.

Apesar das meninas terem o direito ao aborto legal em casos de estupro — que inclui qualquer relação com menores de 14 anos —, na prática, esse acesso é extremamente restrito. Segundo o AzMina, entre 2014 e 2023, apenas 828 meninas conseguiram interromper a gestação legalmente, frente a 205 mil partos registrados. A escassez de serviços confiáveis e a águas burocráticas e estigma dificultam ainda mais o acesso.
Consequências para saúde e sociedade
.jpg)
Fotos: Reprodução/Google
As gravidezes na infância estão associadas a riscos médicos elevados, como complicações obstétricas, mortalidade materna e infantil, além de impactos psicológicos, educacionais e sociais duradouros. A UNFPA destaca que gestações em meninas menores de 18 anos violar direitos fundamentais e impõem “altos custos de desenvolvimento” para as comunidades.
Portal Mulher Amazônica
Copyright © 2021-2026. Mulher Amazônica - Todos os direitos reservados.