19 de Abril de 2026

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Política - 07/02/2026

Governo e congresso querem foco em pautas populistas; judiciário mira código de ética

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Foto: Reprodução/Google

Legislativo e Planalto querem avançar pautas populistas de olho nas eleições no fim do ano, enquanto o STF deve focar em problemas internos para sair do protagonismo dos debates públicos

O ano de 2026 mal virou e as articulações em Brasília já estavam tensas e intensas. Rachado com a cúpula do Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisou “se virar nos 30” para conseguir apaziguar as relações com os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Enquanto o primeiro tinha se afastado do governo após às críticas pelas mudanças do PL Antifacção, o segundo não aceitou a indicação de Jorge Messias, ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Logo no primeiro dia oficial de trabalhos do legislativo, a situação parecia mais simples, mas ainda tensa. Nas últimas semanas, Lula tratou de se reunir com Motta e Alcolumbre para tentar contornar as crises, mas deixou de marcar presença na sessão que deu início ao ano do Congresso. Em seu lugar, mandou o ministro Rui Costa, da Casa Civil, responsável por entregar a mensagem presidencial com as prioridades para o ano.

 

Apesar das arestas, a pauta legislativa deve seguir basicamente os pedidos do governo. Com as eleições se aproximando, deputados e senadores devem agilizar a tramitação das propostas para reduzir o ritmo dos trabalhos a partir do segundo semestre e focar em seus redutos eleitorais. Para isso, parlamentares cogitam semanas mais apertadas para caber todo o calendário de votações prioritárias para o ano.

 

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O Planalto quer emplacar projetos populistas, além de surfar na onda da segurança pública. Logo após o Carnaval, por exemplo, Câmara e Senado devem focar na análise do acordo União Europeia-Mercosul, assinado no meio do mês passado. A proposta que prevê a parceria entre os dois blocos econômicos é vista pelo Planalto como uma vitória de Lula após 25 anos de negociações.O petista quer forçar o Congresso a aprovar os projetos mais sensíveis com unanimidade. Para isso, o governo tem como prioridade número 1 a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala 6×1 de trabalho. O texto está travado na Câmara dos Deputados e deve ser usado como uma das principais bandeiras de Lula para embalar sua candidatura à reeleição neste ano. A pauta segue as expectativas da reforma do Imposto de Renda, com chances de aprovação tanto da base quanto da oposição. Para interlocutores do Planalto, seria “quase impossível” haver votos contrários a um projeto populista em pleno ano eleitoral.

 

Outra pauta sensível que entrará em discussão, mas com chances de embates entre governistas e opositores é a regulamentação de aplicativos de transporte e entrega. A ideia é forçar as empresas a fixarem uma remuneração mínima por corrida, além de pagar a Previdência Social dos membros cadastrados nos apps. As duas pautas devem ser capitaneadas pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que tem liderado as discussões sobre os temas no Palácio do Planalto.

 

Lula ainda pretende surfar na pauta da segurança pública para tirar do PT o estigma de desinteresse no tema. Nos últimos anos, a esquerda se afastou do setor, dando à direita a chance de ganhar espaço sobre o assunto. O Planalto quer foco na PEC da Segurança Pública, deixada pelo ex-ministro Ricardo Lewandowski no ano passado. Relator do texto, o deputado Mendonça Filho (União Brasil-PE) chegou a se reunir com as bancadas do Centrão e com o novo ministro da Justiça, Wellington César, nesta semana. Ele apresentou o texto-base e quer angariar apoios para conseguir emplacar o projeto nos próximos dias. A tendência é que a votação fique para depois do Carnaval, sendo o segundo texto na lista de prioridades do Congresso Nacional.

 

Na lista também tem o PL Antifacção, responsável pela discordância entre Motta e o Planalto, e que pode voltar a estremecer as relações nos próximos meses. A proposta sofreu severas alterações no Senado e retornou às mãos do deputado Guilherme Derrite (Progressistas-SP), ex-secretário de Segurança Pública do governo de São Paulo e membro do bloco oposicionista ao governo Lula. A escolha do nome por Hugo Motta causou incômodo à cúpula palaciana na ocasião, mas o presidente da Câmara bancou o seu escolhido após os impasses. Um líder do Centrão apontou à IstoÉ que, ao contrário do último ano, as negociações do texto com os petistas deve ser mais tranquilo. Ele coloca a saída de Lindbergh Farias (PT-RJ) e a chegada de Pedro Uczai (PT-SC) na liderança do partido como o principal motivo para conseguir avançar em um acordo caso parte do relatório de Derrite retorne à mesa.

 

Por fim, o Planalto quer dar uma sinalização ao público feminino e emplacar um “Pacto contra o Feminicídio”. A ideia foi lançada na quarta-feira, 4, em um evento no Palácio do Planalto e deve contar com a elaboração de leis para prevenir crimes contra mulheres, além de penas mais duras para os suspeitos. Os textos também devem abarcar projetos para a saúde mental e integridade física das vítimas. As propostas que podem entrar em discussão, no entanto, ainda não foram detalhadas.

 

A incógnita do código

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


Se o Legislativo e o Executivo devem ter anos decisivos pensando nas eleições, o Supremo Tribunal Federal (STF) também deve viver um ano de impasses. O principal deles está no Código de Conduta defendido pelo ministro Edson Fachin, presidente da Corte. Fachin quer impor um perfil discreto aos ministros da Suprema Corte, limitando participações em eventos e declarações públicas. Ele quer seguir as regras do código de conduta da Corte alemã, tirando o STF do protagonismo dos debates.

 

Fachin tem o novo código como prioridade para a sua gestão e tenta forçar a tese ainda neste ano após nomear a ministra Cármen Lúcia como relatora da proposta. Mas a ideia não agrada parte dos ministros da Corte. A resistência maior está nos ministros Alexandre de Moraes, Dias Tóffoli e no decano Gilmar Mendes. O impasse foi colocado à público nesta semana, após Moraes e Tóffoli defenderem durante um julgamento a participação de ministros em sociedade de empresas. Desde as primeiras vezes em que a proposta foi colocada à mesa, o presidente da Corte está parcialmente isolado. Ele chegou a convocar uma reunião com todos os colegas, mas foi obrigado a adiar o encontro por receio de não haver quórum. Uma nova data deve ser marcada para depois do Carnaval.

 
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Apesar do assunto principal girar em torno do código, Fachin também quer pautar outros temas como processos que tratam sobre uso das redes sociais, segurança pública e violência contra às mulheres. Outro tema que pode entrar em pauta no STF é a relação trabalhista entre motoristas de aplicativo e entregadores com as empresas de transporte e delivery. Fachin é relator de processos que tratam do assunto e quer avança-los ainda neste ano. O tema, inclusive, foi o primeiro a ser pautado quando assumiu a Corte em outubro do ano passado. 

 

Fonte: com informações IstoÉ

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