23 de Abril de 2026

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Política - 06/11/2021

Governo Bolsonaro liberou R$ 909 milhões às vésperas da PEC dos Precatórios

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Foto: Câmara dos Deputados

Valor foi divulgado pela ONG Contas Abertas e indica como o governo tem utilizado as emendas do relator para conseguir a aprovação de pautas no Legislativo. Governo empenhou valor recorde de R$ 2,9 bilhões durante negociações somente no mês de outubro

O governo Bolsonaro empenhou R$ 909 milhões em emendas parlamentares entre os dias 28 e 29 de outubro, vésperas da votação da PEC dos Precatórios e um dia depois da primeira tentativa frustrada de aprovação do texto. O valor faria parte do chamado "orçamento secreto". De acordo com os dados da ONG Contas Abertas, desde a semana passada, o governo empenhou R$ 1,2 bilhão nessas emendas, chamadas de RP9. Assim, outubro registrou o valor recorde de R$ 2,9 bilhões em emendas liberadas no ano.

 

O economista Gil Castello Branco, fundador e secretário-geral da Associação Contas Abertas, considera que emendas RP9 são utilizadas pelo governo para a "compra" de apoio político e ferem a Constituição. "Há mais de 40 anos acompanho a execução orçamentária. As emendas de relator constituem o mais promíscuo instrumento, das últimas décadas, na barganha política entre o Legislativo e o Executivo. Trata-se de um mensalão oficial. As emendas são imorais e inconstitucionais", disse o economista.

 

A PEC dos Precatórios é a aposta do governo para viabilizar o Auxílio Brasil, substituto do Bolsa Família, no valor de R$ 400. O texto-base da proposta foi aprovado pela Câmara em primeiro turno, na quinta-feira (4/11), com uma margem de apenas quatro votos acima dos 308 necessários.

 

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As emendas do relator são alvo de representações protocoladas no Supremo Tribunal Federal (STF) por três partidos — PSol, Cidadania e PSB. Eles pedem a suspensão dos pagamentos dos recursos. A relatora é a ministra Rosa Weber.

 

Emendas: governo teria liberado R$ 909 milhões às vésperas de votar a PEC -  Politica - Estado de Minas

 

As RP9 previstas no Orçamento deste ano somam R$ 18,5 bilhões. Diferentemente das emendas individuais de deputados e senadores, elas não seguem critérios transparentes. Na prática, a destinação desses recursos é definida em acertos informais entre parlamentares aliados e o governo federal. A oposição, que tem denunciado a existência de um orçamento paralelo, acusa o Executivo de usar essas verbas para ampliar sua base de apoio no Congresso.

 

A distribuição dos recursos das emendas do relator aos deputados é controlada pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aliado do Planalto. Já a destinação das verbas para os senadores é comandada pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP). Ambos são os principais líderes do Centrão, grupo político que assumiu as articulações entre o governo e o Congresso.

 

O Auxílio Brasil é visto pelo Planalto como medida capaz de reverter a queda de popularidade do presidente Jair Bolsonaro, a pouco menos de um ano das eleições.

 

Caso a PEC seja aprovada, o governo terá um espaço no Orçamento de R$ 91,6 bilhões em 2022 para novos gastos. A alegação do Planalto é que o valor é necessário para viabilizar o novo programa social do governo, o Auxílio Brasil, no valor médio de R$ 400. Porém, os opositores criticam a forma como o governo encontrou de financiar o programa. Com a aprovação da PEC, o governo deixará de pagar as dívidas da União e ainda infringirá o teto de gastos.

 

Além disso, os opositores temem que o governo utilize da verba para barganhar pautas com o dinheiro que irá sobrar do Auxílio Brasil.

 

Traições

 

Iniciativa de Ciro Gomes de suspender candidatura pode derrubar PEC dos  Precatórios

Fotos: Reprodução

 

A aprovação da PEC contou com a ajuda dos votos de deputados de partidos de oposição — PDT e PSB. O pedetista Ciro Gomes chegou a anunciar a suspensão de sua pré-candidatura à presidência da República. A proposta contou com o apoio de parlamentares de legendas de centro, como Cidadania e MDB, cujas lideranças haviam orientado as respectivas bancadas a votarem contra o texto.

 

Após a aprovação da PEC em primeiro turno, vários partidos mergulharam em reuniões internas para discutir as traições que ocorreram e tentar unificar o posicionamento para a segunda votação da proposta, prevista para terça-feira (9).

 

Polêmicas

 

 

 

A PEC dos Precatórios traz uma série de pontos polêmicos que geram uma grande resistência na Câmara. Entre outros pontos, o texto altera o teto de gastos e adia para 2023 o pagamento de mais da metade dos R$ 89,1 bilhões que devem ser pagos, no próximo ano, na forma de precatórios — dívidas do governo reconhecidas pela Justiça e contra as quais não cabem recursos.

 

"Orçamento secreto"

 

 

Fotos: Reprodução

 

O escândalo do suposto "orçamento secreto" veio a tona em maio, revelado pelo Estadão. No esquema, o governo estaria usando emendas do Orçamento federal para conseguir apoio de parlamentares em votações no Congresso.

 

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Para isso, são usadas as emendas do relator, que, ao contrário das emendas individuais, não têm critérios bem definidos e podem ser distribuídas a somente alguns parlamentares.

 

Fonte: Correio Braziliense

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