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Educação - 11/02/2024

Filha de gari e vigia é aprovada em medicina e cidade inteira comemora

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Foto: Reprodução

A estudante Angélica Oton, de 20 anos, passou para o curso de medicina na UFPB, após a terceira tentativa do Enem

Assim como tantos alunos, Angélica Oton, de 20 anos, também tinha o sonho de ser médica e ajudar outras pessoas. Sem condições para pagar cursinho, a jovem mostrou dedicação e superação para enfrentar dificuldades, mesmo após duas tentativas. Assim, realizou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, com a nota de 877,55, foi aprovada no Sisu 2024 para cursar medicina na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). O Correio conversou com a estudante, que contou mais sobre a rotina de estudos e o processo de preparação.

 

Filhos de Maria do Rosário e João Salviano do Nascimento, Angélica e o irmão sempre tiveram o apoio dos pais quando se trata de educação. A jovem completou o ensino médio em escola particular, em Itaporanga, como bolsista. “Eu passei em um concurso de bolsas, só que lá tem a regra que, para continuar sendo bolsista, é preciso ficar primeiro lugar da turma. Tive que vencer esse desafio de ser a primeira da turma na primeira série no ensino médio e, assim, me formei em 2021”, relata.


A mãe com o trabalho de gari e o pai, atuando como vigia, não mediam esforços para ver a filha conquistar os sonhos e a vontade de que, nessa terceira tentativa, a aprovação viesse, mesmo sem ter condições de pagar um cursinho preparatório. “Comecei meus estudos para o Enem há dois anos. Tinha livros doados de um rapaz que também cursa medicina e, como eu, não tinha acesso a cursinhos e nem aulas particulares, eu acabei estudando por esses livros mesmo. Minha mãe apagava as respostas dos livros que já vinham respondidos para que eu pudesse responder de novo”, pontua.

 

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Angélica, de 20 anos, passou no curso de medicina para a UFPB, com nota de 877,55

Angélica, de 20 anos, passou no curso de medicina para a

UFPB, com nota de 877,55 (Foto: Reprodução Instagram)

 

"Li apostilas, fazia resumos e estudei muito pelo YouTube também. Minha rotina era praticamente essa, eu estudava por esse material de manhã, de tarde e de noite, muitas vezes de 10 a 11 horas por dia, e mesmo em dias cansativos conseguia tirar uma hora por dia, ia variando. Meu pai que imprimia minhas provas, provas antigas, simulados. Assim eu segui: livros doados, meus materiais gratuitos e as provas que meu pai imprimia”, diz.

 

Angélica ainda conta sobre o momento em que viu o nome na lista dos aprovados da universidade federal. “Nossa, quando eu vi meu nome na lista de aprovados eu fiquei muito feliz. Estávamos aguardando o resultado do Sisu, eu esperava que ia sair à tarde, mas acabou saindo de manhã, então, quando eu vi aquela mensagem de ‘Parabéns, você foi selecionado na chamada regular’, eu fiquei muito feliz, foi uma comemoração da cidade inteira. Eu saí para abraçar meu pai e minha mãe, os vizinhos começaram a chegar, todo mundo começou a chorar e a comemorar. Foi só alegria”, relata.

 

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A menina que adoecia frequentemente e precisava correr para cidades vizinhas, admirava a rotina dos médicos durante algumas internações. Neste ano, ela começa uma longa jornada para ser quem um dia ela admirou. “Falta uns meses para eu começar o curso e uma nova mudança, vou ter que me mudar pra cidade de João Pessoa, mas sempre sonhei com a UFPB, sempre sonhei em ser aprovada lá, então é uma ansiedade legal e positiva”, conclui.

 

Fonte: com informações Correio Braziliense

 

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