O caso representa o encerramento dramático de uma trajetória política que começou com promessas de renovação e terminou em escândalos sucessivos
Por Maria Santana Souza - Fernando Affonso Collor de Mello, ex-presidente da República, voltou a ocupar o centro do noticiário nacional em abril de 2025, quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou sua prisão imediata. A medida veio após o esgotamento dos recursos legais no processo em que Collor foi condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato. O caso representa o encerramento dramático de uma trajetória política que começou com promessas de renovação e terminou em escândalos sucessivos.
Nascido em 12 de agosto de 1949, no Rio de Janeiro, Collor foi criado entre Maceió e Brasília. É filho de Arnon de Mello, ex-governador de Alagoas e senador da República, e de Leda Collor, neta do político Lindolfo Collor, um dos articuladores da Revolução de 1930 ao lado de Getúlio Vargas. A política sempre esteve presente em sua linhagem familiar.
Fernando Collor é economista formado pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e iniciou sua carreira profissional como jornalista na Gazeta de Alagoas, além de dirigir as Organizações Arnon de Mello, conglomerado midiático do Norte-Nordeste.
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Início na política
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Aos 30 anos, em 1979, Collor assumiu a Prefeitura de Maceió. Em seguida, foi eleito deputado federal pelo PDS em 1982. Seu passo seguinte foi o governo de Alagoas (1987-1989), quando ficou nacionalmente conhecido por combater os chamados “marajás” – servidores com altos salários no setor público.
Em 1989, Collor se lançou candidato à presidência da República, vencendo Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Aos 40 anos, tornou-se o mais jovem presidente da história do Brasil e o primeiro eleito por voto direto após o regime militar.
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Seu governo (1990–1992) começou sob o impacto de uma hiperinflação herdada da ditadura e do governo Sarney. Para combatê-la, lançou o Plano Collor, elaborado por sua prima, a economista Zélia Cardoso de Mello. A estratégia incluiu:
• Substituição do cruzado novo pelo cruzeiro;
• Congelamento de preços;
• Confisco da poupança: retenção por 18 meses dos valores superiores a 50 mil cruzados novos em contas bancárias e cadernetas de poupança.
O Plano Collor teve efeitos devastadores para a economia e a população. O fracasso levou à implementação do Plano Collor II, que também fracassou, gerando desgaste político e revolta popular.
Impeachment e retorno ao Senado

Em 1992, diante de fortes denúncias de corrupção relatadas pelo próprio irmão, Pedro Collor, e após uma CPI, o Congresso iniciou o processo de impeachment. Collor renunciou momentos antes da votação final, mas o Senado manteve a cassação de seus direitos políticos por oito anos.
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Collor voltou à política em 2006 como senador por Alagoas, cargo que ocupou por dois mandatos até 2023.
Condenação e prisão em 2025

Em maio de 2023, o STF condenou Fernando Collor a oito anos e dez meses de prisão, além de:
• 90 dias-multa;
• Indenização à União de R$ 20 milhões, solidariamente com outros réus;
• Proibição de exercer cargo público pelo dobro do tempo da pena.

A condenação decorre de denúncias no âmbito da Operação Lava Jato, relacionadas a propinas de R$ 20 milhões pagas pela UTC Engenharia, com objetivo de facilitar contratos com a BR Distribuidora (Vibra).
As acusações vieram à tona após delação premiada de Ricardo Pessoa, ex-presidente da UTC. Segundo o Ministério Público, Collor utilizava sua influência como senador para nomear diretores da BR Distribuidora e garantir os contratos fraudulentos.
Decisão do STF e prisão
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Após os últimos recursos da defesa serem considerados protelatórios por Alexandre de Moraes, o ministro do STF determinou a execução imediata da pena. Collor foi preso na madrugada de 25 de abril de 2025 em Maceió, antes de embarcar para Brasília. Ele foi conduzido à sede da Polícia Federal. O caso ainda será analisado no plenário físico do STF, após pedido de destaque do ministro Gilmar Mendes, mas isso não suspende o cumprimento da pena.
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O Portal Mulher Amazônica e o Ela Podcast declaram seu apoio integral à decisão do ministro Alexandre de Moraes e ao posicionamento firme do governo federal no combate à impunidade. Para as milhares de famílias brasileiras que sofreram com os efeitos do Plano Collor, do confisco da poupança e da instabilidade institucional promovida pelo ex-presidente, a justiça finalmente começa a ser feita.
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Fotos: Reprodução/Google
A prisão de um ex-presidente representa não apenas o rigor da lei, mas também a afirmação de que nenhuma autoridade está acima da Constituição. Que esse episódio sirva como lição e sinal de esperança para a população brasileira.
Fonte: Portal Mulher Amazônica
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