17 de Abril de 2026

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Especial Mulher - 28/03/2026

Feminicídio Corporativo: o apagamento silencioso das trajetórias profissionais das mulheres

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Foto: Reprodução/Google

A reflexão foi sistematizada por Edna C Diniz, que aponta para uma dinâmica estrutural que vai além de casos isolados e revela um padrão persistente no mercado de trabalho.

Uma forma de violência contra a mulher ainda pouco nomeada começa a ganhar espaço no debate público e corporativo: o feminicídio corporativo. O termo descreve um processo silencioso, porém recorrente, de interrupção, invisibilização e desvalorização das trajetórias profissionais femininas dentro de estruturas institucionais.

 

A reflexão foi sistematizada por Edna C Diniz, que aponta para uma dinâmica estrutural que vai além de casos isolados e revela um padrão persistente no mercado de trabalho.

 

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Dados nacionais e internacionais já indicam que mulheres enfrentam obstáculos consistentes ao longo da vida profissional — desde o acesso ao primeiro emprego até a ocupação de cargos de liderança.

 

Mesmo com maior nível de escolaridade em média, mulheres ainda:

 

 

 

• Ganham menos que homens em funções equivalentes
• Têm menor presença em cargos executivos
• Enfrentam interrupções de carreira mais frequentes
• São mais afetadas pela informalidade

 

Nesse contexto, o feminicídio corporativo não surge como um evento pontual, mas como um processo contínuo de exclusão e apagamento.
Do conceito à realidade: como o fenômeno se manifesta O feminicídio corporativo se expressa de forma sutil — e justamente por isso, difícil de identificar e combater.

 

Entre as principais manifestações estão:

 

 

 


• Apropriação de ideias e projetos liderados por mulheres
• Falta de reconhecimento formal por entregas realizadas
• Estagnação profissional mesmo com desempenho comprovado
• Exclusão de espaços de decisão
• Pressões indiretas relacionadas à maternidade

 

A recorrência dessas práticas revela um padrão institucional que limita o avanço feminino, independentemente de mérito.

 

O silêncio como parte do problema

 

 

 


Especialistas apontam que a ausência de nome para esse tipo de violência contribui para sua naturalização. Frases comuns no ambiente corporativo, como:

 

• “Ela ainda não está pronta”
• “Falta disponibilidade”
• “Perfil não aderente à liderança”
muitas vezes escondem critérios subjetivos que penalizam mulheres de forma desproporcional.

 

Meritocracia sob questionamento

 

 

 


O debate sobre feminicídio corporativo também coloca em xeque o discurso tradicional da meritocracia. Isso porque homens e mulheres não partem das mesmas condições estruturais. Fatores como dupla jornada, desigualdade na divisão do cuidado e menor acesso a redes de influência impactam diretamente as oportunidades de crescimento. Sem considerar essas variáveis, o mérito deixa de ser um critério justo.

 

Caminhos para enfrentamento

 


O avanço no combate ao feminicídio corporativo passa por ações concretas:

 

• Implementação de políticas de equidade de gênero
• Auditorias salariais periódicas
• Programas de liderança feminina
• Criação de canais seguros de denúncia
• Treinamentos sobre vieses inconscientes

 

Mais do que iniciativas isoladas, especialistas reforçam a necessidade de transformação cultural dentro das organizações.

 

Posicionamento do Portal Mulher Amazônica

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 


O Portal Mulher Amazônica avalia o feminicídio corporativo como uma das formas mais sofisticadas e invisíveis de violência de gênero na atualidade. Para o portal, o fenômeno evidencia que a desigualdade no mercado de trabalho não é apenas uma questão de acesso, mas de permanência, reconhecimento e ascensão.

 

Quando trajetórias femininas são interrompidas sem explicação clara, quando ideias são apropriadas e quando o crescimento é sistematicamente bloqueado, estamos diante de um processo de apagamento que precisa ser nomeado e enfrentado.

 

O portal defende que:

 


• Empresas precisam assumir responsabilidade ativa na promoção da equidade
• Indicadores de gênero devem ser monitorados com transparência
• Políticas internas devem ir além do discurso e gerar impacto real
• A escuta das mulheres deve ser central nas estratégias organizacionais

 
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Além disso, destaca que, na Amazônia, o cenário pode ser ainda mais desafiador devido à informalidade, à limitação de acesso a oportunidades e às desigualdades regionais.

 

Fontes:
Edna C Diniz – Conceito de feminicídio corporativo e reflexões institucionais
Banco Mundial – Dados sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho
SEBRAE – Informações sobre empreendedorismo feminino e informalidade
IBGE – Indicadores de renda, trabalho e desigualdade no Brasil
 

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