18 de Abril de 2026

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Saúde da Mulher - 12/02/2024

Fatores relacionados à saúde da mulher no puerpério e repercussões na saúde da criança

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Foto: Reprodução/Google

Muitas vezes, os profissionais tratam o ciclo gravídico-puerperal de forma não integrada. É raro todo esse período receber assistência de uma mesma instituição e, em geral, os mecanismos de referência e contrarreferência são inexistentes ou ineficientes.

 

O puerpério, tempo de seis a oito semanas após o parto, didaticamente, pode ser dividido em três períodos, sendo: imediato (1º ao 10º dia), tardio (11º ao 45º dia) e remoto (a partir do 45º dia)1. No puerpério ocorrem modificações internas e externas, configurando-se como um período carregado de transformações psíquicas, onde a mulher continua a precisar de cuidado e proteção.

 

Assim, a mulher, durante o período puerperal, precisa ser atendida em sua totalidade, por meio de uma visão integral que considere o contexto sociocultural e familiar. Os profissionais de saúde devem estar atentos e disponíveis para perceber e atender as reais necessidades apresentadas por cada mulher, qualificando o cuidado dispensado.

 

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Em 1984, dentro do Programa de Assistência Integrada da Saúde da Mulher (PAISM), foi inserida a proposta de abordar a mulher como um sujeito de cuidado que deve ser percebida e, assistida em sua singularidade, não focando apenas os aspectos biológicos, mas também considerando suas outras dimensões (social, econômica, histórica, política e cultural).

 

A partir de então, o puerpério passou a ser incluído como período que merece atenção especial dos serviços de saúde. Pontua-se que a atenção puerperal de qualidade e humanizada é essencial para a saúde materna e neonatal. E para tal, torna-se preciso um olhar abrangente sobre processo saúde/doença, valorizando os aspectos subjetivos envolvidos na atenção, o estabelecimento de novas bases para o relacionamento entre os sujeitos envolvidos na produção de saúde, e a construção de uma cultura de respeito aos direitos humanos.

 

Em relação às políticas nacionais de Atenção à Mulher e à Criança, observa-se que foi a partir da criação do PAISM, que o puerpério foi incluído para assistência da atenção básica. Atualmente, com a instituição da Rede Cegonha, estratégia que busca organizar e estruturar a rede de atenção à saúde materna e infantil no Brasil, reafirmou-se a necessidade de uma assistência humanizada e resolutiva no puerpério.

 

 

A assistência no puerpério, como ação em favor da infância, deve propiciar à mulher ferramentas e suporte para cuidar de si e do filho de uma forma qualificada. As ações dos profissionais de saúde, portanto, devem ser permeadas pela escuta sensível e valorização das singularidades das demandas femininas, influenciadas por expectativas sociais referentes ao exercício da maternidade.

 

O puerpério é um período, especialmente, oportuno para assistência à mãe, filho e família e, que qualquer fragilidade que afete um desses três grupos alvo, representa uma ameaça à saúde infantil, uma vez que é fundamental o papel das mães em relação aos cuidados com as crianças e que o desenvolvimento dessas é, diretamente, influenciado pelas condições das famílias nas quais vivem. Destacamos, também, que são inegáveis as repercussões negativas de uma morte materna para o recém-nascido e para os outros filhos, além da família como um todo, tendo em vista os importantes papéis que a mulher desempenha na instituição familiar.

 

Consideramos que diversos fatores relacionados à saúde da mulher no puerpério repercutem na saúde da criança. Nesse contexto, uma assistência de qualidade durante o puerpério é fundamental para a defesa e garantia dos direitos humanos de mulheres e crianças.

 

 

Atualmente, são escassos os trabalhos que se detêm a estudar aspectos referentes à saúde da mulher no período de puerpério e sua influência na saúde da criança. Assim, este estudo objetiva refletir acerca de alguns fatores relacionados à saúde da mulher no período e suas repercussões sobre a saúde da criança.A atenção de saúde no puerpério consiste em momento oportuno e necessário para prestar assistência à criança desde o nascimento, abrangendo ações de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce e recuperação dos agravos à saúde. Esse também é o momento ideal para realizar a captação precoce das crianças para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) ou Unidade de Saúde da Família (USF).

 

Para viabilizar a assistência precoce ao recém-nascido e à puépera no Brasil, o Ministério da Saúde propõe ações que compõem a "Primeira Semana de Saúde Integral"7. A partir dessa proposta, observa-se o reconhecimento da importância de ações no período pós-parto para promoção da saúde da criança, bem como para prevenir doenças, agravos e mortes infantis. Isso vem reafirmar a necessidade de reforçar a atenção ao puerpério, momento especialmente oportuno para atuação dos profissionais de saúde, uma vez que, nesse período, as ações se voltam, simultaneamente, a duas clientelas vulneráveis e que desempenham importantes papéis na família e na sociedade - a mulher e a criança.

 

Além da identificação de sinais e sintomas que apontam riscos à saúde das mães e de seus filhos, é também um período para identificar adversidades às quais a família está exposta, destacando-se as dificuldades socioeconômicas, que, muitas vezes, colocam em risco as condições saudáveis alcançadas pela adequada assistência à gestação e ao parto e, que são significativamente presentes entre as famílias de um país em desenvolvimento como o Brasil. Essa atuação profissional ampliada, que se estende para além dos fatores biológicos, é favorecida pela possibilidade de realização da visita domiciliar, proposta importante do trabalho em saúde para todos os membros da Equipe de Saúde da Família.

 

 

Se esses profissionais, que estão mais próximos das famílias, não identificarem os obstáculos socioeconômicos que ameaçam a saúde e bem-estar da mulher e criança, possivelmente, outros não os identificarão. Como a atuação do profissional de saúde não alcança a resolução de todos os condicionantes do processo-saúde doença, aqui deve entrar a atuação interdisciplinar e intersetorial.

 

Destacamos o potencial de parceria com profissionais como assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, educadores, advogados, entre outros. Atualmente, a interssetorialidade é reconhecida como estratégia fundamental para uma atuação em saúde resolutiva, considerando a interlocução de equipes da área da saúde tanto com profissionais de outros setores governamentais como de órgãos não-governamentais.

 

Parcerias interdisciplinares e interssetoriais com resultados satisfatórios vêm sendo citadas na construção da atenção primária à clientela materno-infantil, no contexto da Estratégia de Saúde da Família, destacando-se a interlocução com profissionais do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), com equipes da área do serviço social e da educação, com o Ministério Público e com a Pastoral da Criança.

 

 

Essas parcerias podem ser consideradas potenciais, tendo em vista a amplitude das organizações sociais dirigidas a essas clientelas, particularmente, a Pastoral da Criança. Destaca-se que o aleitamento materno é uma das prioridades da Pastoral da Criança e, também, das políticas públicas atuais em favor da infância. Em detrimento de tantas informações e campanhas em prol da amamentação, atualmente, esse ainda é um desafio no Brasil.

 

Nesse sentido, é fundamental salientar que as adversidades e dificuldades socioeconômicas enfrentadas pela família, em especial pela mãe, constituem-se barreiras importantes. Assim, uma mãe sem condições de se alimentar adequadamente, pode produzir leite de qualidade, porém em quantidade insuficiente. Enquanto uma mãe com muitas preocupações pode ter tanto a sua produção quanto a sua liberação de leite prejudicada. Uma amamentação satisfatória requer alimentação, hidratação, tranquilidade, bem-estar, paciência, bem como vínculo entre mãe e filho.

 

Ao longo de 30 anos, no Brasil, vem sendo desenvolvidas ações para a promoção, proteção e apoio ao Aleitamento Materno (AM), buscando o aumento nas taxas de amamentação no país. Em 2008, foi instituída a Rede Amamenta Brasil, uma estratégia relevante para a promoção, proteção e apoio do AM no âmbito da atenção básica8. Logo, tendo em vista a importância do AM para a saúde da criança, frisamos que os profissionais atuantes na atenção primária, por manterem maior contato e vínculo com as puérperas e famílias, têm um papel fundamental na conscientização, incentivo e apoio à amamentação.O planejamento familiar é muito importante no período pós-parto, desde a orientação até o fornecimento, pelo serviço de saúde, do método adequado e selecionado pela cliente.

 

 Fotos: Reprodução/Google

 

As medidas de planejamento familiar no puerpério representam uma estratégia fundamental para a saúde materno-infantil, prevenindo uma gestação não planejada e suas consequências11. Possibilitar a vivência da sexualidade sem o ônus da gravidez indesejada é um direito de saúde com grandes potencialidades de melhorar a qualidade de vida da família e as condições de crescimento e desenvolvimento de suas crianças.

 

Intervalo menor que 2 anos entre os partos compreende fator de risco para a gravidez, portanto, o intervalo interpartal igual ou superior a 2 anos traz benefícios para a saúde materno-infantil. Esse intervalo é importante para que a mulher possa se recuperar em todos os sentidos, biopsicossociais, para que esteja preparada para vivenciar, novamente, o ciclo gravidez-parto-puerpério e para que ela e sua família estejam prontas para receber e cuidar de uma nova criança, sem prejudicar a atenção e os cuidados com o(s) primeiro(s) filho(s), no momento mais adequado, de acordo com sua decisão e planejamento.

 

Os benefícios da lactação para a mãe e a criança são indiscutíveis e a amamentação exclusiva em mulheres amenorréicas constitui um método contraceptivo eficaz11. Dessa forma, devido aos benefícios para a saúde da mulher e da criança advindos do AM e do planejamento familiar, pontuamos que essas medidas devem ser apoiadas e fortalecidas.

 
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A limitação socioeconômica é um fator importante no contexto da morbimortalidade infantil. No Brasil, encontram-se entre as famílias de menor renda as maiores taxas de mortalidade infantil7. Atrela-se a isso o fato de as famílias com condições sociais mais precárias apresentarem tendência a possuir maior número de filhos e com intervalos menores entre as gestações, aumentando a demanda de recursos e reduzindo as possibilidades de consumo, bem como os níveis de bem-estar, saúde e qualidade de vida da família, sendo as crianças as mais vulneráveis aos condicionantes mórbidos desse contexto.

 

Assim, recomenda-se uma adequada contracepção no puerpério para a prevenção de morbidades maternas e infantis11. Quando mulher ou casal planejam a gravidez, tendem a possuir relações mais harmônicas e maior disponibilidade e interesse no cuidado à criança, aderindo melhor às orientações fornecidas pelos profissionais de saúde, adotando hábitos saudáveis de vida, protegendo especialmente a saúde das crianças, tendo em vista que um ambiente familiar saudável favorece o crescimento e o desenvolvimento infantil. 

 

Fonte: com informações do Portal Flo Brasil

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