18 de Abril de 2026

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Saúde da Mulher - 06/07/2024

Exposição à poluição é risco para grávidas e adolescentes

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Foto: Reprodução

Exposição uterina a poluentes aumenta risco de transtornos mentais em adolescentes, podendo ser um elemento a mais para agravar quadros de depressão, ansiedade e, em casos extremos, psicoses. O estudo é observacional e não indica relação de causa e efeito

A exposição pré-natal à poluição sonora e atmosférica das cidades pode afetar negativamente a saúde mental na adolescência, segundo um artigo da Universidade de Bristol, no Reino Unido, publicado na revista Jama Network Open. Os pesquisadores lembram que há evidências crescentes sobre o risco provocado por partículas e gases tóxicos ao cérebro, mas acreditam que há poucos estudos sobre como isso impacta os jovens.

 

Na pesquisa de Bristol, os cientistas procuraram examinar a associação da exposição à poluição sonora e atmosférica com três problemas comuns de saúde mental: psicoses (incluindo alucinações), depressão e ansiedade. Eles usaram dados de mais de 9 mil participantes do Estudo Longitudinal de Pais e Filhos de Avon, que recrutou 14 mil gestantes entre 1991 e 1992 na cidade do Reino Unido. As mulheres, seus parceiros e filhos têm sido acompanhados desde então.

 

Ao relacionar os dados da primeira infância dos participantes com seus prontuários de saúde mental às idades de 13, 18 e 24 anos, os pesquisadores mapearam a poluição atmosférica e sonora no sudoeste do Reino Unido em diferentes momentos. Eles descobriram que aumentos relativamente pequenos do nível de partículas finas no ar durante a gestação e a infância estavam associados a mais experiências psicóticas e sintomas de depressão muitos anos depois, na adolescência e no início da idade adulta.

 

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As associações persistiram após considerar muitos fatores de risco como história psiquiátrica familiar, condições socioeconômicas, densidade populacional, privação, espaços verdes e fragmentação social.

 

Cada aumento de 0,72 microgramas por metro cúbico em partículas finas (PM2,5) durante a gravidez e a infância estava associado a uma chance de 11% e de 9% maior de experiências psicóticas, respectivamente. A exposição uterina foi relacionada a um risco 10% maior de depressão. Por sua vez, a poluição sonora na infância e na adolescência foi, posteriormente, vinculada a mais sintomas de ansiedade.

 

"A infância, a adolescência e o início da idade adulta são períodos críticos para o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos", destaca Jonne Newbury, pesquisadora de pós-doutorado na Escola Médica da Universidade de Bristol e principal autora do estudo. "Nossas descobertas se somam a um conjunto crescente de evidências sugerindo um impacto prejudicial da poluição do ar (e potencialmente da poluição sonora) na saúde mental."

 

Newbury destaca que, como a poluição atmosférica é muito comum, e os casos de doenças mentais aumentam mundialmente, é preocupante encontrar essa associação. "Dado que a poluição é também uma exposição evitável, as intervenções para reduzir a exposição, tais como zonas de baixas emissões, poderiam melhorar a saúde mental. Intervenções direcionadas para grupos vulneráveis, incluindo mulheres grávidas e crianças, também poderiam constituir uma oportunidade para reduções mais rápidas da exposição", acredita.

 

A pesquisadora destaca que o estudo é observacional, e não indica uma relação de causa e efeito. "No entanto, outros estudos recentes demonstraram que as zonas de baixas emissões parecem ter um impacto positivo na saúde mental."

 

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Para Martin Clift, professor de Ciências Biomédicas da Universidade de Swansea, no Reino Unido, o estudo abre as portas para mais pesquisas do tipo. "O artigo destaca ainda mais a necessidade de compreender o impacto da exposição a diferentes formas de poluição, ao longo do tempo, em diferentes estágios do desenvolvimento humano, e além dos riscos físicos que a poluição do ar representa para os seres humanos."

 

Fonte: com informações do Correio Braziliense

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