20 de Abril de 2026

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Política - 30/05/2025

Ex-ministro da AGU relata que Bolsonaro quis contestar resultado eleitoral

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Foto: Reprodução/Google

Após a derrota para Lula, incentivou a criação e a manutenção dos acampamentos golpistas que se alastraram pelo país e deram origem aos ataques do 8 de Janeiro

O ex-ministro da Advocacia-Geral da União (AGU) Bruno Bianco disse na quinta-feira, 29, ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-presidente Jair Bolsonaro perguntou a ele se haveria meios jurídicos para questionar o resultado das eleições de 2022. O encontro teria ocorrido na presença dos comandantes das Forças Armadas. A defesa do ex-ministro Anderson Torres incluiu ex-ministros de seu governo para prestar depoimentos como testemunhas no processo em que o político é réu sob a acusação de crimes contra o Estado.

 

“O presidente da República foi específico sobre como havia ocorrido o pleito eleitoral, me perguntou se havia problema jurídico, se vislumbrava algum problema ou algo que pudesse ser questionado. Eu disse que foi absolutamente transparente e essas foram as minhas considerações, e o presidente, pelo menos na minha frente, se deu por satisfeito”, disse Bianco.Ainda de acordo com o relato dele, Bolsonaro o chamou no Palácio do Planalto e a conversa teria sido rápida. “Salvo melhor juízo estava no palácio (…), mas o presidente me perguntou até em pé e foi uma interação bastante breve. Eu até pensei que estávamos para falar de transição“, afirmou Bianco.

 

Bruno Bianco chefiou a AGU de agosto de 2021 a dezembro de 2022. No governo, ele foi também secretário especial adjunto de Previdência e Trabalho da Economia, secretário especial da Economia, e, por alguns dias, secretário-executivo do Ministério da Previdência.

 

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O ex-ministro da AGU (Advocacia-Geral da União) Bruno Bianco

 

A audiência no Supremo nesta quinta previa a participação dos ex-ministros Bruno Bianco (AGU), Paulo Guedes (Economia), Celio Faria (Secretaria de Governo), Wagner Rosário (CGU) e Adolfo Sachsida (Minas e Energia). O ex-número dois da Advocacia-Geral da União Adler Anaximandro Cruz e Alves também prestaria depoimento.

 

Guedes, Celio e Adler, porém, faltaram à audiência. A defesa de Anderson Torres desistiu do depoimento dos ex-ministros. Os integrantes do governo Bolsonaro foram chamados a depor especialmente para contestar a versão da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que uma reunião de julho de 2022 discutia cenários golpistas.

 

A gravação da reunião foi encontrada pela Polícia Federal entre os arquivos digitais mantidos com o tenente-coronel Mauro Cid. O vídeo mostra o momento em que Anderson Torres recebe a palavra após Bolsonaro levantar discussões golpistas. “E o exemplo da Bolívia é o grande exemplo pra todos nós. Senhores, todos vão se foder! Eu quero deixar bem claro isso”, disse Torres.

 

 

 

O ex-ministro da CGU Wagner Rosário falou por cerca de dez minutos ao Supremo. Ele só foi questionado pela defesa de Torres, com o foco na reunião ministerial de julho de 2022. Segundo o ministro, o tema principal da reunião foi a discussão de como as instituições deveriam agir diante da aproximação do processo eleitoral. Wagner disse que o objetivo era encontrar possíveis fragilidades nas urnas eletrônicas e saná-las.

 

Nenhum indício de fraude foi identificado pelas entidades fiscalizadoras, que tiveram 12 meses para realizar auditorias no código-fonte do sistema eleitoral e acompanharam todos os processos relacionados à lacração das urnas e a realização do pleito. “Algumas instituições eram entidades fiscalizadoras do processo eleitoral, e foram discutidas situações de problemas que poderiam haver nesses sistemas e como as instituições poderiam atuar“, disse.

 

Bianco afirmou não se lembrar com exatidão dos temas discutidos no encontro. Ele disse que foi convocado para a reunião para falar sobre a cartilha tradicionalmente produzida pela AGU sobre as condutas proibidas para agentes públicos durante o processo eleitoral. Ele disse, porém, que a reunião não teve teor golpista. “A gente estava em período pré-eleitoral, havia disputa acirrada. Havia posicionamento sobre quais as posturas eram proibidas no período eleitoral, mas não vi qualquer tipo de questão que indicasse ruptura”, avaliou.

 

Antes de falar sobre a reunião com Bolsonaro, Bianco foi questionado se alguns dos envolvidos em investigações criminais conduzidas no âmbito do STF o procuraram durante o governo para saber da legalidade de eventuais medidas tomadas contra integrantes, o que ele negou. “As consultas são absolutamente formais. A Advocacia-Geral da União é um órgão institucional com atribuições específicas na Constituição. Todas as consultas que foram feitas são públicas. Não houve consulta relativa a questões pessoais“, respondeu.

 

 

 

A AGU também tem como atribuição representar autoridades. Assim, de acordo com ele, não raras vezes autoridades submetidas a qualquer tipo de processo poderiam se valer do órgão. “A Advocacia-Geral da União fazia um crivo com total governança e isso nem chega no advogado-geral. E aí as instâncias inferiores decidem se defendem ou não. Mas não há consulta nenhuma nesse sentido”, disse.

 

O Supremo entra nesta quinta-feira no nono dia de audiências para ouvir as testemunhas do processo sobre a tentativa de golpe de Estado. O tribunal tem reservado mais dois dias para os depoimentos. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o ex-ministro e senado Ciro Nogueira (PP-PI) estão entre as testemunhas arroladas para prestar depoimento na sexta-feira (30). O general Gustavo Dutra, ex-comandante militar do Planalto, deve ser intimado pelo Supremo para falar na segunda-feira (2).

 

Na Presidência, Bolsonaro acumulou uma série de declarações golpistas às claras, provocou crises entre os Poderes, colocou em xeque a realização das eleições de 2022, ameaçou não cumprir decisões do STF e estimulou com mentiras e ilações uma campanha para desacreditar o sistema eleitoral do país.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

Após a derrota para Lula, incentivou a criação e a manutenção dos acampamentos golpistas que se alastraram pelo país e deram origem aos ataques do 8 de Janeiro. Nesse mesmo período, adotou conduta que contribuiu para manter seus apoiadores esperançosos de que permaneceria no poder e, como ele mesmo admitiu publicamente, reuniu-se com militares e assessores próximos para discutir formas de intervir no TSE e anular as eleições.

 

Saudosista da Ditadura Militar (1964-1985) e de seus métodos antidemocráticos e de tortura, o ex-presidente já foi condenado pelo TSE por ataques e mentiras sobre o sistema eleitoral e é réu no STF sob a acusação de ter liderado a trama golpista de 2022. Hoje está inelegível ao menos até 2030.

 
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Caso seja condenado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público e deterioração do patrimônio tombado, a pena pode passar de 40 anos de prisão. 

 

Fonte: comnformações Cenarium

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