21 de Abril de 2026

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Educação - 01/07/2024

Ex-jogador Raí foi 'capitão' da turma no mestrado e tremeu na formatura como se fosse uma final; saiba mais

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Foto: Acervo TV Globo

Aos 59 anos, ídolo do São Paulo, da Seleção Brasileira e do Paris Saint-Germain tornou-se mestre em políticas públicas em uma universidade renomada da França.

Para o ex-jogador Raí, ídolo do São Paulo e da Seleção Brasileira, o nervosismo da formatura foi comparável a uma final de campeonato. "É igualzinho: a boca fica seca, a gente treme, não dorme na véspera e chega cedo para se concentrar", revela Raí, que aos 59 anos concluiu o mestrado em políticas públicas na prestigiada Universidade Sciences Po, em Paris, no início de junho.

 

Em uma entrevista exclusiva ao g1, Raí compartilhou sua trajetória acadêmica, que ele começou após se aposentar dos campos. Sempre engajado politicamente, ele destacou seus projetos sociais e sua oposição a governos de extrema direita, revelando que seu espírito de liderança o transformou em um "capitão" da classe. "Eu chego a um lugar, preciso me adaptar, mas depois acabo virando o líder. Conquisto a confiança dos outros, a minha também, e, com amor, sem grito, faço com que as pessoas me respeitem e me ouçam", contou Raí, que foi amplamente admirado por colegas e professores na França, onde autógrafos e fotos eram rotina.

 

Raí desenvolveu uma pesquisa sobre a importância de universalizar o acesso da população a atividades lúdicas e criativas. Segundo suas conclusões, o esporte, o teatro e a dança devem ser vistos como essenciais pelos governos e disponibilizados amplamente para crianças, adultos e idosos. Ele acredita que essas atividades melhoram o desempenho cognitivo e físico, ensinam novas formas de expressão, ocupam espaços públicos, promovem a socialização e até fortalecem a democracia. "A primeira coisa que um governo de extrema direita ataca é a cultura, porque ela junta pessoas, abre a cabeça delas e estimula o espírito crítico", disse o ex-jogador.

 

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Raí fez mestrado na Sciences Po, em Paris (Foto: Reprodução/Instagram)

 

A jornada acadêmica de Raí exigiu tanto jogo de cintura quanto seus dias no futebol. "Eu chutava mal de esquerda, né? E trabalhei isso no futebol. Foi assim na universidade também: precisei encarar minhas limitações de estudo, todas as bases literárias que eu não tinha, e driblá-las", explicou. Durante os dois anos de curso, com aulas em francês, Raí se tornou o "capitão" da classe, usando a mesma tática de liderança que adotou no São Paulo e na Seleção Brasileira.

 

Raí relembrou uma das aulas mais marcantes, onde cada aluno deveria apresentar uma situação de superação de crise de uma instituição. Ele escolheu a experiência da Copa do Mundo de 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato, para delírio de seus colegas.

 

O grupo de WhatsApp com os colegas da universidade promete continuar ativo para muitas festas, segundo Raí, que ainda mantém contato com amigos do São Paulo, PSG e Seleção Brasileira.

 

Depois de conquistar a tríade futebolística com títulos importantes pelo São Paulo em 1992, Raí vislumbra um futuro acadêmico promissor, possivelmente com um doutorado e um pós-doutorado. No entanto, sua intenção vai além de colecionar diplomas: ele quer se aprofundar mais na área de políticas públicas e usar seu conhecimento para impactar positivamente a sociedade.

 

Raí sempre teve uma forte ligação com temas sociais, e a Fundação Gol de Letra, que fundou em 1998, continua sendo uma referência para ONGs brasileiras. "Como atleta, fiquei meio limitado, sem poder desenvolver o lado acadêmico. E minha motivação social é quase de berço, né? Olha os nomes dos meus irmãos: Sócrates, Sófocles e Sóstenes. Já cria uma inquietação intelectual", disse Raí, rindo.

 

Raí criou a Fundação Gol de Letra, projeto social de apoio a crianças e jovens no Brasil

(Foto: Christian Gavelle/Divulgação)

 

Para estimular outros jogadores a seguirem o caminho dos projetos sociais, Raí acredita que eles precisam ser incentivados e ter boas referências. Ele destacou a evolução gradual na postura dos jogadores, citando Vini Júnior como um exemplo de liderança e resistência.

 

Agora, Raí planeja implementar um projeto de ludicidade em um município pequeno do Nordeste, inspirado em modelos bem-sucedidos como o Sesc SP e o legado olímpico de Londres. "A ideia é formular uma política pública para que a cidade se torne um grande Sesc", explicou Raí, que recebeu várias sugestões nas redes sociais sobre onde realizar o projeto. Ele ainda está na fase de estudos, mas quer escolher um município de 10 a 15 mil habitantes para monitorar o impacto das ações na população.

 

Raí, que tem raízes nordestinas, afirmou que quer devolver à região algo que ele sente no sangue. "Meu pai era cearense, e nós íamos todo ano para a periferia de Fortaleza. Tenho no sangue a cultura nordestina", afirmou.

 

Para Raí, o gol mais bonito da sua carreira acadêmica foi levar para a academia toda a riqueza do que aprendeu na Fundação Gol de Letra. "O que eu aprendi no futebol e nos projetos sociais sobre realidades difíceis, violência e injustiças precisaria ser colocado nos estudos. Guardar isso só para mim seria um desperdício", concluiu.

 

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Raí comemora agora um novo título, o acadêmico, com a mesma paixão e dedicação que o fizeram brilhar nos campos de futebol.

 

Fonte: com informações do g1

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