30 de Abril de 2026

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Diversidade - 10/11/2025

Estudantes indígenas relatam racismo, ameaça e exclusão

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Foto: Reprodução/Google

Casos de preconceito e perseguição contra alunos indígenas revelam o racismo estrutural nos espaços

Casos de racismo, ameaças e preconceito contra estudantes indígenas têm se tornado cada vez mais comuns em universidades e faculdades de Manaus. De acordo com dados do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), foram registrados 424 casos de violência contra pessoas indígenas no Brasil em 2024, incluindo situações de discriminação, agressões e ameaças.

 

A estudante Maria Moraes Andrade, 29 anos, indígena trans da etnia Kaxinawá e finalista do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), relata que vem sofrendo desde o começo do ano intimidações graves nas redes sociais, incluindo ameaças de estupro, além de perseguição dentro do campus universitário.

 


“A pessoa responsável mostra que acompanha de perto a minha rotina e chegou a dizer que, se eu não parasse de frequentar a Ufam, eu seria estuprada”, contou a estudante. Segundo Maria, nos últimos meses, ela tem vivido sob constante tensão. “Já fui seguida dentro da universidade por alunos, recebo ligações de números desconhecidos e, recentemente, carros têm parado perto de mim nas ruas. Essa soma de situações tem me deixado em constante estado de medo e pânico”, afirmou.

 

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A Ufam, por meio da Reitoria e da Faculdade de Educação, orientou a estudante a procurar a polícia, uma vez que o caso se caracteriza como crime cibernético. Maria registrou boletim de ocorrência no 11º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que apura as ameaças.

 

OUTROS CASOS

 

O indígena Harisson Araújo, 37 anos, da etnia Mura e estudante do 2º período de Direito em uma faculdade particular de Manaus, também denuncia ter sido alvo de bullying virtual em um grupo de WhatsApp de uma instituição de ensino superior. “Duas alunas me humilharam publicamente no grupo porque eu não quis usar a roupa padrão da turma. Me chamaram de louco e debocharam da minha idade”, relatou.

 

O caso de Harisson foi registrado no 26º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que ouvirá as alunas e também está sendo acompanhado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). Situação semelhante é vivida por Felipe Ariá Hy’i Saterê, 30 anos, da etnia Saterê-Mawé, estudante de Teatro em uma universidade estadual. Desde 2019, ele diz enfrentar exclusão e preconceito por usar pinturas corporais tradicionais de jenipapo e urucum.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

“Sempre me senti atacado e excluído dos grupos de trabalho, principalmente no curso de Teatro, que é coletivo. Isso me isolou. Agora, na fase final, percebo que continuo sendo deixado de lado”, lamentou o estudante, que informou que registrou um Boletim de Ocorrência (BO) no 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP).

 
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Espaço livre de preconceito

 

Para o sociólogo Lúcio Carril, a universidade não pode reproduzir as desigualdades da sociedade, mas sim combatê-las. “Temos a impressão de que a universidade é um espaço livre do preconceito, mas, na prática, ela acaba reproduzindo as mazelas sociais. Isso é um desafio para o conhecimento e, ao mesmo tempo, uma derrota. A universidade deve ser exemplo de humanidade”, destacou. Carril defende que, enquanto não houver uma transformação estrutural, as instituições devem agir com rigor para impedir que o preconceito, a violência e a intolerância se perpetuem em seus ambientes. 

 

Fonte: com infromações Acrítica

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