18 de Abril de 2026

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Saúde da Mulher - 11/05/2025

Endocrinologista explica os riscos do uso de "canetas para emagrecer" sem acompanhamento médico

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Foto: Reprodução/Google

Anvisa passará a obrigar a retenção de receitas médicas para medicamentos como Ozempic e Mounjaro

Nos últimos anos, as chamadas “canetas para emagrecer” se tornaram febre entre quem busca uma perda de peso rápida. Celebridades e influenciadores passaram a exibir os efeitos dessas medicações, como a semaglutida e a tirzepatida, provocando uma corrida às farmácias, muitas vezes sem orientação médica. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCB), a obesidade atingiu a marca de 9 milhões de pessoas no país, em 2024.

 

A endocrinologista Milene Guirado explica que as canetas são dispositivos usados para aplicar, de forma subcutânea, medicamentos que imitam alguns hormônios naturalmente produzidos pelo corpo. Essas substâncias atuam diminuindo o apetite, aumentando a saciedade e modulando centros cerebrais ligados à fome e ao prazer de comer.

 

“A semaglutida e a tirzepatida, por exemplo, são análogos do GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1). Além de ajudarem no controle da glicose, o que as torna úteis também no tratamento do diabetes tipo 2, elas promovem a lentificação do esvaziamento gástrico e agem diretamente no hipotálamo, reduzindo o apetite. A tirzepatida atua ainda em outro hormônio, o GIP, o que potencializa a perda de peso com menos efeitos colaterais”, informa.


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A especialista alerta que, apesar de serem eficazes, as canetas precisam ser vistas como parte de um tratamento, e não como a solução completa. “Elas melhoram o metabolismo da glicose, diminuem a fome, aumentam a saciedade e reduzem o desejo por alimentos altamente palatáveis, como doces e frituras. Contudo, o uso isolado dessas medicações pode levar a perda de massa magra, fraqueza, desidratação e deficiência de vitaminas e minerais, como vitamina B12, ferro e cálcio, por exemplo, o que pode evoluir para quadros de Osteoporose e até mesmo simular o diagnóstico de doença de Alzheimer.

 

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) seguiu o posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) e anunciou no dia 16 de abril, uma diretriz obrigando as farmácias a reterem receitas de medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda e similares, que são usados para o emagrecimento. A decisão passará a ter valor 60 dias após a publicação no Diário Oficial da União (DOU).

 

A endrocrinologista explica que o uso dos medicamentos sem prescrição ou acompanhamento médico podem causar náuseas intensas, vômitos, desidratação e até mesmo pancreatite aguda. A médica também orienta que pessoas com histórico de doenças específicas, como Carcinoma Medular da Tireoide, não devem fazer uso desses medicamentos.

 

 

“Mesmo quando o paciente apresenta sobrepeso leve ou IMC dentro da faixa normal, mas possui acúmulo de gordura visceral, a mais perigosa, o uso pode ser indicado. Mas cada caso precisa ser cuidadosamente avaliado por um profissional”, disse. A especialista ainda alerta que em um mundo onde a estética pesa tanto quanto (ou mais do que) a saúde, o apelo de uma “injeção mágica” é grande.

 

“As pessoas querem ser emagrecidas, e não aprender a emagrecer”. Sem mudança de estilo de vida, a medicação pode levar ao conhecido “efeito sanfona”: emagrece rápido, mas recupera o peso logo depois. Além disso, o emagrecimento rápido pode ser um gatilho emocional. Transtornos alimentares, depressão e ansiedade são riscos reais quando não há suporte psicológico durante o processo”, afirmou.

 

Mesmo durante o uso das canetas, a alimentação e a atividade física são indispensáveis. “É preciso musculação para evitar a perda de massa magra e um plano alimentar que reponha nutrientes, já que o apetite fica reduzido”, destaca a médica. A longo prazo, só com o equilíbrio entre alimentação, exercício, sono e controle emocional é possível manter os resultados.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

As canetas não são a única saída. Existem medicamentos como Contrave, Topiramato e Lisdexanfetamina, que também podem auxiliar na perda de peso, embora tenham mais contraindicações e efeitos colaterais, além de terem indicações mais específicas. “Muitas vezes, precisamos associar medicações para potencializar os efeitos, mas tudo deve ser feito com acompanhamento médico”, orienta.


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Milene Guirado ainda explicou que a obesidade é uma doença crônica, multifatorial e altamente recidivante. E, como qualquer outra, deve ser tratada com seriedade. “Você retiraria o remédio de um hipertenso só porque ele já melhorou? Não. O mesmo vale para quem sofre com a obesidade. Em alguns casos, o uso contínuo da medicação será necessário, especialmente se não houver mudanças de hábitos”, conclui.

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