06 de Maio de 2026

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Direitos da Mulher - 24/09/2024

Empoderar para lutar pelo fim da violência e das desigualdades contra as mulheres

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Foto: Reprodução/Google

Se você respondeu ?eu mesma?, parabéns, você é uma mulher empoderada!

O termo empoderamento feminino tem estado muito in voga, mas, apesar de uns narizes torcidos e de muitas teorias acerca dele, na verdade, seu significado é bem simples: empoderar pode ser entendido como “dar poder”.

 

E, portanto, o empoderamento feminino significa dar poder às mulheres, seja através de condições mais igualitárias, seja através de maior autonomia. Na verdade, uma coisa leva à outra.Mas não depende apenas da vontade da mulher. Segundo a professora de psicologia do Campus Barbacena, Wanderléia da Consolação Paiva, empoderar-se é uma dialética entre o interno e o externo:

 

”A mulher precisa ter iniciativa, coragem, pró-atividade e ambições que são próprias de si mesmas e essas características podem ser potencializadas e amparadas por outras mulheres nos movimentos sociais, nas conquistas de novos direitos e nos laços sociais dados com outros setores em opressão. O empoderamento feminino é a conquista da mulher de ter o domínio sobre a própria vida em vários aspectos como o financeiro, emocional, social, político, de gênero, educacional, físico e outros.

 

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É a ação de tomar poder sobre/para si. É a condição em que o individual se encontra com o social e a história de cada mulher se junta às histórias de outras mulheres que lutam por direitos, espaços e reconhecimentos”.

 

A professora explica ainda que o termo vem ganhando destaque nos últimos anos graças ao avanço das discussões feministas e, à medida que mais mulheres ousaram lidar com o machismo, “o empoderamento feminino” vem aparecendo, de forma manifesta ou latente, ganhando força e alcançando mais mulheres no ato de se empoderar.

 

A atriz e roteirista Lívia La Gatto é uma das mulheres do nosso tempo que ousaram lidar com o machismo. Indignada com as ideias do influencer Thiago Schutz, que se apresenta como “coach da masculinidade”, ela fez uma paródia em sua rede social, sem citar nomes. No entanto, Schutz a respondeu em tom de ameaça.

 

 

 

O autodenominado coach usa suas redes sociais e dá até curso online sobre a filosofia dos red pills: homens que acreditam que são superiores às mulheres e que o feminismo deve ser combatido, pois ele estaria oprimindo a classe masculina.Este exemplo, em pleno mês das mulheres, ilustra bem porque alguns narizes se torcem para o empoderamento feminino: vivemos em um país historicamente machista e patriarcal e que ainda mantém o machismo enraizado, movimento que floresceu com o recente avanço de uma direita conservadora. Dona de suas escolhas, inpendente de quais sejam elas!

 

"A gente luta é por uma sociedade com equidade para que a mulher possa ser o que quiser, inclusive dona de casa e dedicada exclusivamente aos filhos", reflete a jornalista do Campus São João del-Rei, Juliana Rodrigues de Almeida.De forma resumida, podemos dizer então que ser mulher empoderada significa ser dona de suas escolhas. Mas, nesse ponto cabe uma importante reflexão: A executiva de uma grande empresa pode não ser empoderada. Por outro lado, a dona de casa pode sim ter o poder sobre sua vida. Então, é preciso deixar claro que o que dá poder à mulher, é ela ser livre para fazer as suas escolhas, e não as escolhas que ela faz. Não cabe à sociedade portanto, nem mesmo às outras mulheres, julgar a escolha de cada uma. O que cabe sim à sociedade é garantir as condições socioeconômicas necessárias para que a mulher seja livre para fazer as suas escolhas.

 

“A gente precisa desconstruir essa ideia de que a mulher independente é aquela que trabalha para além dos afazeres domésticos. Nos anos 1950, a luta por estar no mercado de trabalho, fique claro, era uma luta do feminismo branco privilegiado. Porque as mulheres pretas nunca tiveram escolha, sempre trabalharam, sempre estiveram em serviços domésticos, inclusive sendo contratadas por essas mulheres brancas que foram para o mercado de trabalho.

 

 

 

Estamos já na quarta onda do feminismo, marcado pelo ciberativismo feminista, ou seja, um ativismo feminista por meio da web. E o que se percebe nestas influenciadoras digitais é a busca pela empatia, sororidade, das mulheres recuperarem a confiança umas nas outras e, principalmente, não julgar as escolhas da coleguinha....rsrsrs”, reflete a jornalista do Campus São João del-Rei, Juliana Rodrigues de Almeida.

 

De acordo com Wanderléia, a rede de apoio para qualquer movimento de minorias sociais deve ser entendida como suporte no qual “a união faz a força”. Por isso, as mulheres devem se reconhecer como companheiras de luta na trajetória rumo às melhorias. Qualquer ação que possa minar o espírito social pode causar desintegração, falta de pertença e desânimo no movimento. Sendo assim, a ideia não é segregar, desunir, julgar, mas sim, trazer para perto, para junto de, e só assim poderemos conquistar o “nosso” mundo melhor, constata a professora.

 

“A gente luta é por uma sociedade com equidade para que a mulher possa ser o que quiser, inclusive dona de casa e dedicada exclusivamente aos filhos. Tem sido crescente o movimento de mulheres executivas que pararam tudo quando entenderam a importância de se conectarem com seus filhos e estarem mais presentes para eles. Como mãe posso dizer que criar um ser humano decente, com afeto e respeito é uma tarefa excruciante e muito mais desgastante do que quando produzi um show do Milton Nascimento para 50 mil pessoas. Sou dona da minha própria vida, mas escolhi nessa vida passar pela maternidade e estou exatamente num momento de recuo deste lugar profissional para estar mais com o Bento e tudo bem. Fazer dele um homem decente, sensível, antimachista e feliz hoje é o mais importante pra mim”, afirma Juliana ao dividir conosco a sua escolha.

 

Kátia Cirlene Ataíde, recepcionista do prédio da Reitoria do IF Sudeste MG, corrobora a fala de Juliana e enfatiza a importância de poder fazer suas próprias escolhas e de viver da forma que se quiser viver:“Sou dona da minha vida porque sou dona das minhas escolhas. Acho importante que a mulher seja dona de si por que assim, pode escolher como viver. Mesmo que algumas escolhas em alguns momentos nos tornem mais vulneráveis, somos fortes, corajosas e podemos trilhar nossos próprios caminhos, conscientes das vantagens e desvantagens que temos pelo fato de sermos mulheres.

 

 

Fotos: Reprodução/Google

 

No tempo da minha avó não havia direito de escolha para as mulheres, tudo era imposto a elas. O mais importante para mim hoje é lutar pelo fim da violência contra a mulher”. E, infelizmente, esta não é uma realidade distante: um estudo feito pelo pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Wagner Batella, a partir de dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que Juiz de Fora foi a segunda cidade do estado de Minas Gerais com maior taxa de feminicídio nos primeiros semestres de 2018, 2019 e 2020.

 

Conforme matéria publicada no dia 6 de março de 2023 no site do Jornal Tribuna de Minas, a pesquisa foi desenvolvida no livro “Crime e Território: Estudos e Experiências em Políticas de Segurança Pública”, que discutiu como a violência doméstica e a quarentena se relacionaram. Nesse processo, foram mensurados os índices de violência doméstica entre diferentes bairros, regiões, raças e níveis de escolaridade, por exemplo. As principais denúncias foram relativas a ameaças e lesões corporais. Já o estupro de vulnerável teve variação ascendente, com aumento de 450% no período de 2020 em relação ao ano anterior – foram nove registros em 2020, e dois em 2019 e 2018. Na maioria dos casos, os agressores são os maridos, namorados ou ex-companheiros.Os dados acima confirmam o apontamento feito pela Kátia: o mais importante é acabar com a violência contra as mulheres.  

 

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Parece mesmo que o caminho para chegarmos a uma sociedade mais igualitária, em que as mulheres vivam com equidade, passa necessariamente pela educação e por iniciativas de conscientização e empoderamento. Para a professora Alessandra, projetos como o citado por ela e por Juliana, que tenham a mulher como sujeito, reforçam a mensagem de apoio às mulheres em situação de violência, vulneráveis e sujeitas ao controle do agressor, despertando nelas um resgate da autoestima, qualificação profissional, inclusão no mercado de trabalho e geração de renda. Isso pode contribuir para a autonomia econômica e social da mulher, o que é uma das principais portas de saída do ciclo da violência, além de desenvolver competências sócioemocionais e empreendedoras, por meio do empoderamento feminino de mulheres que queiram iniciar ou aperfeiçoar o seu negócio.

 

Fonte: com informações do Portal Uol

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