Carol Braz compartilhou detalhes de sua trajetória, desde o início como escrivã da Polícia Civil até se tornar defensora pública e juíza em Roraima.
No mais recente episódio do Ela Podcast, Maria Santana Sousa, conduziu uma entrevista inspiradora com Carol Braz, defensora pública e pré-candidata a vereadora pelo MDB. A entrevista faz parte da série "Mulher na Política", que visa dar voz às mulheres da Amazônia, destacando suas trajetórias e desafios.
Carol Braz compartilhou detalhes de sua trajetória, desde o início como escrivã da Polícia Civil até se tornar defensora pública e juíza em Roraima. Ela explicou que optou por retornar à Defensoria Pública por ser amazonense e acreditar que, como defensora, pode levar as demandas da população até o juiz, enquanto como juíza muitas vezes se sentia de mãos atadas ao ver injustiças que não podia resolver diretamente.
Durante sua experiência como secretária de Justiça, Carol destacou a força da mulher em cargos de tomada de decisão. Ela mencionou que, quando assumiu a secretaria, Manaus tinha apenas uma delegacia da mulher. Em sua gestão, conseguiu articular com a Secretaria de Segurança Pública a ampliação para três delegacias especializadas, garantindo maior proteção e direitos para todas as mulheres.
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Em 2021, Carol recebeu o Prêmio Innovare pelo projeto voltado aos órfãos do feminicídio. Iniciado em 2018 na Defensoria Pública, o projeto oferece suporte social, psicológico e jurídico para as famílias das vítimas, especialmente as avós que assumem a responsabilidade pelos netos. O projeto não só ganhou reconhecimento nacional, mas também inspirou uma lei federal que garante auxílio financeiro para esses órfãos.
Carol explicou a Maria Santana e aos ouvintes do Ela Podcast que o projeto envolve uma equipe multidisciplinar que acompanha as famílias desde o crime até a resolução de questões como guarda, tutela e benefícios assistenciais. O impacto desse projeto foi tão significativo que, além do prêmio, ele garantiu visibilidade nacional e resultou em uma lei federal que oferece um salário mínimo de auxílio para os órfãos de feminicídio.
Maria Santana Sousa perguntou a Carol Braz por que ela deixou de ser juíza em Roraima e se tornou defensora pública no Amazonas. Carol compartilhou que vem de uma família simples, onde a educação foi o legado mais valioso deixado por seus pais. Ela sente uma forte obrigação de retribuir à sociedade as bênçãos que recebeu de Deus, posicionando-se como uma defensora pública dedicada aos mais carentes.Carol afirmou que, independentemente de seu cargo - seja como vereadora, defensora pública, juíza ou secretária - sempre se viu como uma servidora do povo e continuará servindo onde quer que esteja. Ela destacou que não tem a vaidade associada ao status de cargos elevados, algo que muitos colegas juízes não compreendem.

Para Carol, o poder da caneta do juiz não é suficiente sem alguém para representar aqueles que estão passando fome, necessitando de medicamentos ou de uma cirurgia, ou que foram vítimas de violência.Ela acredita firmemente que a justiça só existe se houver defensores para levar esses pedidos ao juiz.
Especialmente para mulheres, mães e mães solo que muitas vezes não têm ajuda de ninguém, Carol ressaltou a importância do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem), onde atuou como defensora titular. Este núcleo oferece apoio, informação, orientação e a resolução dos problemas dessas mulheres, encaminhando seus pedidos ao juiz. O Nudem atende mulheres vítimas de violência e conta com uma equipe psicossocial desde a implementação do projeto para órfãos de feminicídio, premiado nacionalmente.
Carol explicou que muitas mulheres pedem para desistir das medidas protetivas, e por isso o Nudem, com a preocupação de garantir a segurança dessas mulheres, pede o acompanhamento da equipe psicossocial para verificar se elas não estão sendo coagidas ou ameaçadas. Essa abordagem cuidadosa e abrangente tem sido fundamental para a proteção e apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade.

Além de seu trabalho na Defensoria Pública, Carol Braz é membro da Academia de Letras do Amazonas, destacando sua contribuição intelectual e cultural para a região. Sua dedicação e compromisso com as causas femininas são evidentes em sua atuação tanto na Defensoria quanto em outras esferas de sua vida profissional e pessoal.
Maria Santana questionou Carol sobre sua decisão de se candidatar a vereadora, Carol destacou a necessidade de aumentar a representatividade feminina na Câmara Municipal de Manaus, onde atualmente apenas quatro mulheres ocupam cadeiras entre os 41 vereadores. Para ela, um mandato permitiria expandir sua atuação em defesa dos direitos das mulheres, crianças e idosos.
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Maria Santana trouxe à tona a questão do papel do vereador na Câmara Municipal. Carol ressaltou a importância do vereador como o político mais próximo da população, responsável por receber e encaminhar demandas diretamente. Com sua experiência na Defensoria Pública, ela se sente capacitada para entender e representar essas necessidades de forma eficaz.
Ela também compartilhou momentos marcantes de sua trajetória, como a inauguração de duas novas delegacias da mulher e a implementação da Casa da Mulher Brasileira em Manaus, um centro que reúne serviços essenciais para mulheres vítimas de violência.Maria Santana Sousa abordou a importância da presença feminina na política, questionando Carol Braz sobre como essa participação impacta as políticas públicas. Carol enfatizou que a presença feminina nos espaços de decisão traz uma visão completa e sensível às necessidades da sociedade.

Fotos: Reprodução/Mulher Amazônica
Ela destacou a necessidade de mulheres nesses espaços para garantir que as pautas femininas sejam priorizadas, ressaltando que a diversidade de gênero é essencial para uma democracia representativa e justa.Carol mencionou a campanha "Ciclo de Força", e parabenizou o portal Mulher Amazônica e Ela Podcast pela iniciativa de movimentar a sociedade civil a conscientizar as mulheres sobre a importância de votar em outras mulheres e, assim, mudar a realidade atual da representatividade feminina na política.
Maria Santana Sousa, então, pediu a Carol um conselho para as mulheres que desejam ingressar na política. Carol aconselhou que as mulheres não tenham medo de ocupar espaços e lutar por aquilo em que acreditam. Ela afirmou que a política precisa de mulheres comprometidas e corajosas, dispostas a fazer a diferença. Carol concluiu que, juntas, as mulheres podem transformar a sociedade e garantir um futuro melhor para todos, reforçando a importância da união e do apoio mútuo na busca por igualdade e justiça social.
A entrevista com Carol Braz no Ela Podcast destaca a importância da participação feminina na política e a necessidade de aumentar a representatividade das mulheres em todos os níveis governamentais. Carol Braz é um exemplo inspirador de dedicação e compromisso com a justiça social, mostrando que a força feminina pode transformar a sociedade e criar um futuro mais justo e equilibrado.
Fonte: com informações do Portal Mulher Amazônica
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