Como de costume, presidente brasileiro fez o primeiro discurso da Assembleia-Geral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez o discurso de abertura da 78ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, nos Estados Unidos, nesta terça-feira, 19/09, dizendo que a democracia venceu no País. "Se hoje eu retorno como presidente do Brasil é graças à vitória da democracia no meu País, que superou o ódio e a desinformação. A esperança venceu o medo", afirmou.
"Minha missão é de unir o Brasil e reconstruir um país soberano, justo, sustentável, solidário, generoso e alegre. O Brasil está reencontrando consigo mesmo, com o mundo e o multilateralismo. Não me canso de repetir, o Brasil está de volta", acrescentou, sendo aplaudido no plenário.
Neste ano, o evento está voltando para debater os desafios globais e buscar soluções para os problemas que afetam populações em todo o mundo. Chefes de Estado e representantes dos 193 Estados-membros da ONU estão presentes na assembleia.
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Meio ambiente
Com defesa do combate à desigualdade social e as mudanças climáticas, Lula cobrou os países mais ricos dentro da agenda ambiental. "Agir contra as mudanças no clima implica pensar no amanhã e enfrentar desigualdades históricas. Países ricos cresceram baseados no modelo com alta taxa de emissão de gases danosos ao clima", pontuou, acrescento que se tratam de "responsabilidades comuns, mas diferenciadas".
"Os 10% mais ricos são responsáveis por quase metade de todo o carbono na atmosfera. Nós, países em desenvolvimento, não queremos repetir esse modelo. No Brasil, provamos uma vez e vamos provar de novo que o modelo socialmente justo e ambientalmente responsável é possível". “Sem a mobilização de recursos financeiros e tecnológicos não há como implementar o que decidimos no Acordo de Paris e no Marco Global da Biodiversidade.
A promessa de destinar 100 bilhões de dólares para os países em desenvolvimento permanece apenas isso, uma promessa. Hoje esse valor seria insuficiente para uma demanda que já chega à casa dos trilhões de dólares", acrescentou.O presidente pontuou que as mudanças climáticas destroem "nossas casas, nossas cidades, nossos países, mata e impõe perdas e sofrimentos a nossos irmãos, sobretudo os mais pobres".Lula também citou a retomada do que chamou de "agenda amazônica de fiscalização e combate aos crimes ambientais", completando que o desmatamento foi reduzido em 48%, sendo aplaudido após essa fala.
Desigualdade
Como de costume, o presidente brasileiro fez o primeiro discurso da Assembleia-Geral, resumindo que o tema central de sua fala seria sobre desigualdade. "A fome, tema central da minha fala 20 anos atrás, atinge 735 milhões de seres humanos, que vão dormir esta noite sem saber se terão o que comer amanhã".
"É preciso, antes de tudo, vencer a resignação que nos faz aceitar tamanha injustiça como algo natural. Para vencer desigualdades, falta vontade política", completou.Lula também aproveitou a audiência para falar de políticas do governo, como o Bolsa Família e a lei que estabelece igualdade salarial entre mulheres e homens. Ele também mencionou a importância da defesa de LGBTs e pessoas com deficiência, além de uma tributação mais justa.
"É preciso fazer os ricos pagarem impostos proporcionalmente ao patrimônio", disse. "O Brasil está comprometido em implementar os 17 objetivos da ONU de maneira integrada, e vamos adotar um 18º objetivo voluntariamente: queremos alcançar a igualdade racial".
Guerra a Ucrânia, Conselho de Segurança da ONU e FMI

Para representantes dos 193 Estados-membros da ONU, Lula criticou a Guerra da Ucrânia e afirmou que o conflito mostra a "incapacidade" dos países que integram a organização em garantir a paz mundial.
“Não subestimamos as dificuldades para alcançar a paz, mas nenhuma solução será duradoura se não for baseada no diálogo. Tenho reiterado que é preciso trabalhar para criar espaço para negociações. Investe-se muito em armamentos e pouco em desenvolvimento. No ano passado os gastos militares somaram mais de 2 trilhões de dólares. As despesas com armas nucleares chegaram a 83 bilhões de dólares, valor vinte vezes superior ao orçamento regular da ONU. Estabilidade e segurança não serão alcançadas onde há exclusão social e desigualdade".
Marcando um ponto em comum com a fala do ex-presidente Jair Bolsonaro no ano passado, Lula também fez críticas ao Conselho de Segurança da ONU que, segundo ele, está perdendo sua credibilidade. "Essa fragilidade decorre em particular da ação de seus membros permanentes que travam guerras em busca de ampliação territorial ou troca de regimes".“Sua paralisia é a prova mais eloquente da necessidade e urgência de reformá-lo, conferindo-lhe maior representatividade e eficácia", declarou.

Fotos: Reprodução/Instagram
O presidente brasileiro também fez críticas ao banco mundial, o FMI. “No ano passado, o FMI disponibilizou 160 bilhões de dólares em direitos especiais de saque para países europeus, e apenas 34 bilhões para países africanos. A representação desigual e distorcida na direção do FMI e do Banco Mundial é inaceitável", pontuou.
No desfecho do discurso, voltou a falar de desigualdade e pedir mais ação por parte dos países-membros da ONU. “A desigualdade precisa inspirar indignação. Indignação com a fome, a pobreza, a guerra, o desrespeito ao ser humano. Somente movidos pela força da indignação poderemos agir com vontade e determinação para vencer a desigualdade e transformar efetivamente o mundo a nosso redor", disse.
"A ONU precisa cumprir seu papel de construtora de um mundo mais justo, solidário e fraterno, mas só o fará se seus membros tiverem a coragem de proclamar sua indignação com a desigualdade e trabalhar incansavelmente para superá-la", concluiu.
Fonte: com informações do Portal Terra
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